27 dezembro 2007

Jeito de Amar



Jeito de Amar

Eu te amo
De um amor assim
Malvado
Danado
Encorpado
E te pego de jeito
Com meu beijo molhado
Com meu corpo suado
De te amar desesperado
E assim te amo
Com esse amor calejado
Até desajeitado
Quem sabe, adoidado
Mas um amor amado
Pirado
Exagerado
Consagrado
Amor estrela
Amor dourado
Extrapolado
Sentido mesmo
No fundo da minha alma
De tudo que é jeito
Com ou sem defeito
Amor satisfeito
Amor perfeito
Desnorteado
Aprumado
Amor maior que tudo
Amor arte.

Renato Baptista

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Como Uma Luz...



Como uma Luz...

Candelabro mágico
Velas ao vento
Chamas que me seduzem

Escorrem fios de parafina
Gotas brancas se juntam
Forma-se castelos

Derrete-se a saudade
O ar aquecido
Desejo arde em fogo

Beijos estalam no ar
As chamas lambem as bocas
Sonhos etéreos tomam forma

Ilumino teu retrato
Caio de joelhos
Sobrevivo mais um dia.


Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

Ciúme no Canto da Boca



Ciúme no Canto da Boca

Para a Bárbara – Minha filha.

E esse teu jeito arruaceiro
De menina faceira
Com o sorriso certeiro
De canto de boca

E esse teu jeito matreiro
De moça sensível
Com o ciúme explodindo
No olhar fulminante

É esse o teu jeito perfeito
De mulher errante
Cavaleira andante
Em busca do santo amor

É esse o teu jeito !
Jeito de menina-moça
Sensível e certeira

Jeito de mulher fulminante
Explodindo perfeita com o ciúme
Escorrendo pelo canto da boca.

Renato Baptista

Direitos Reservados

20 dezembro 2007

Na Calada da Noite



Na Calada da Noite

Uma noite
Quase madrugada
Lua nova
Eu acho
... E nem importa
Envolvo você
Com meus braços
Aperto-a forte
Viro você
Reviro
Procurando
O seu avesso
Já conheço
Cada detalhe seu
E vou por meus atalhos
Tocando
Arrepiando
E ouvindo os seus gemidos
Baixos, surdos
Que denunciam
O seu prazer
Tapo sua boca
Com minha boca
Engulo então
Os seus gritos
Os gritos que alucinam
A calada da noite
Gritos que ecoam
Dentro de mim
Anunciando o momento
De eu sair de você
Por momentos...


Renato Baptista

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15 dezembro 2007

Cabelos ao Vento



Cabelos ao Vento

Vem a brisa
Em noite quente de verão
Lua branca anuncia um encontro
Flui energia que corta o ar
Incendeiam-se corações
Sem que se saiba, sem nada
Sem premeditação
Só um cheiro doce no ar
Perfume guardado nas lembranças
Carinho suave recolhido
Amor que se tornou saudade
E a brisa ganha força
Espíritos dançam à volta
E a magia se forma
Se transforma
Faz da saudade ferina
Um encontro marcado
Determinado, escrito nas estrelas
Foi como um abraço
Um beijo molhado
Um toque de paixão
Que sacudiu os enganos
E aquele rosto lindo olhou para o meu
Mãos me tocaram e me afagaram
Contaram-me histórias
E me cantaram segredos
Falaram de amor distante
Como uma dançarina que dança no escuro
E cabelos lindos lamberam meu rosto
E boca e olhos e seios belos
Encantaram minha noite
E se fizeram meus por instantes
Presente que veio do céu
Trazido por mãos de anjos
Que bateram suas asas por mim
Naquele breve instante
E agitaram o ar
Que tornou-se vento
Que entrando pela minha janela
Trouxeram-me, pela mão, você
Minha doce menina
Que brilha e resplandece
Com seu sorriso perfeito
E seus braços abertos me envolveram
Suas mãos lindas brincaram
Pintando um quadro
De colorido vibrante
Nele, uma mulher
Correndo pela praia
Com os cabelos ao vento.


Renato Baptista

Direitos Reservados

Ladrão de Sorrisos



Ladrão de Sorrisos

Cada vez que você olha
Para dentro dos meus olhos
Lendo os meus pensamentos
E me contando os seus
Eu me pego, sem querer
Desviando o meu olhar
Para o teu sorriso
Que sempre responde
Ao meu
É um momento mágico
Simplesmente inesquecível
Que eu quebro
Sem que você perceba
Roubando toda a sua graça
E a guardando
Na palma da minha mão
Mais tarde eu partilho
O que roubei de você
Com meus olhos
Abro minha mão
Sorrio para tua boca
E beijo teu sorriso...
... Porque ele agora
É meu
Procure outro sorriso
Para você
Quem sabe até eu deixe
Você roubar o meu
Porque o seu, eu não
Devolvo nunca
Mais.


Renato Baptista
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07 dezembro 2007

Poema para um Amor



Primeira estrofe do “Soneto da Véspera”
Vinicius de Moraes

“Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?”

Poema Para um Amor

E dentre tuas tantas lágrimas
Uma escolherei...
Enxugarei todas as outras
Uma a uma
Levando com elas
Todas as tuas tristezas
Mas aquela uma eu guardarei
Em clausura no meu coração
Para que eu sempre me lembre
Que um dia tu chorastes por paixão
E a usarei se for o caso
Se um dia você me disser adeus
Porque as minhas, já as gastei todas
Pranteando as tuas longas ausências
E te direi depois
Que te trouxer de volta
O teu amor maior
Que em mim tu sempre vivestes
E beijarei molhado
Teus beijos, tua carne, tuas mãos
E te entregarei aos poucos
O que por direito é teu
E te amarei por completo
Sem angústias
Sem mais nenhuma espera sofrida
Correndo contra o tempo
Que já bandido anuncia
O inicio de mais uma despedida.


Renato Baptista

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04 dezembro 2007

Corpos Nus



Corpos Nus

Delicada como cristal, raro
Suave como vinho, na taça
Perfume na pele, intocada
Inconseqüente desejo, louco

Bailam corpos nus
Sem música alguma, sem respirar

Beijam-se as orquídeas, selvagens
Deixam rastros nos lábios, adocicados
Unhas e gritos surdos passeiam, pela alma
E peles se arranham, sem compostura

Bailam sem música, sem respirar
Os corpos nus embriagados, de paixão

Olhos trocam carícias, penetrantes
Olhares se fundem e se aquecem, enternecidos
E mãos se tocam sem medo, sem mais saudade
Enquanto bailam os corpos nus, sem pudor algum

No ar não há mais medo de se esquecer de sonhar...


Renato Baptista

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01 dezembro 2007

Amorazul



Amorazul

Sonhei acordado
Com teu sonho loucolindo
De luzes refratadas
Na espuma da gigante
Onda perfeita
Que veio do fundodomarazul
Com a missão de nos carregar
Cavalgando cavalosmarinhos
Até o mundocor arco-íris
Nossas íris brilhavam
Atiçadas pelo sal da água
E pelo açúcar
Do teu beijo docedeabóboracomcravo
E brincavam com as partículas
Em cores que pairavam
No céuazul
Sentíamos o cheiro
De maresia do mar revolto
Que agora abrigava
O nosso amor de mãosdadas
Que mergulhava
No sonho de espumaviva
O brilho das nossas felizes almasfelizes
Encontraram Xangri-lá
Com seus pássarosazuis
Que carregam nos bicos
Os anéis do casamentoamor
E o céuazul, o marazul
Os pássarosazuis, os anéisazuis
O barcoazul. Tudo...
Tudo estava vitrificado
No caleidoscópio do teu sonhoazul
Emoldurado pelo arcoíriscolorido
Com todas as cores do universo
Que agora brindam e protegem
Os nossos sonhos de amor
Sonhos de amorazul.



Renato Baptista


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Corpo // Flutuante - Dueto com Veronica de Nazareth



Corpo//Flutuante


Teu Corpo // que flutua em mim

Meu Barco // que me salva da tormenta

Em Oceano de Prazer! // Que vira lençol revolto.


Veronica de Nazareth-Noic@ // Renato Baptista

30 novembro 2007

Não Chores Mais...Por Dois Amigos que se Foram



A chama de alguns sonhos se apagou.
Dois grandes amigos dos tempos da faculdade se foram
Ela e ele agora estão no céu, olhando por nós com certeza...
A tristeza é incontida quando o sentimento de falta fica no ar.


Não Chores Mais...


Cântico que ecoa, no céu
Ultrapassa o firmamento
E invade a eternidade
Enfim a dor se desata
O espírito dança e ri
E chora mais uma partida
Os olhos não sorriem mais
O coração não se encanta
Sopro de vida desvanece
E as sombras sossegam
Não bailam e nem escutam mais
Aquela música doce e suave
Que fez, um dia, a alegria
Permanece nos corações, enfim
A lembrança da vida
Momentos belos da juventude
Tanto brilho e inquietude
Sonhos que guiavam
Filho pródigo que enternecia
Mas a luz se apagou
E a lembrança serena
Será eterna...
Não chores mais
Porque quem chora
É quem te viu partir

Descansem em paz meus amigos.


Renato Baptista

Direitos Reservados

25 novembro 2007

Escultura Singular



Escultura Singular

Agito as mãos no ar
Em movimentos circulares
Plenos...
Tento transformar
Aliso, aperto
Dou toques finais
Como um escultor
Crio formas, tento te achar
Busco tuas formas, meu tesouro
Não posso mais esperar
Tu és minha arte, meu amor
Minha escultura singular.


Renato Baptista

Direitos Reservados

15 novembro 2007

Invocação



Invocação

Os meus olhos choram os teus
De tão dentro de mim que você está
Meus dentes mordem os teus lábios
Pelo lado de dentro
O ar que eu respiro é o teu ar
Que você exala dentro de mim
Minha pulsação é dobrada
Porque teu coração bate
Intercalado com o meu
Dentro do meu peito
Tua vida é a minha vida
O teu amor a minha paixão
E a tua felicidade é também a minha
Sinto você a cada segundo
Sei o que você pensa
Sei o que você sente
Sei o que você faz...
... Como se fosse eu
Só o que falta
Ah, só o que falta
É caminharmos juntos
Sem mais nenhuma despedida.



Renato Baptista


Direitos Reservados

12 novembro 2007

Foste Tu... - By Iza Klipel



Iza Klipel é minha Afilhada poética e uma grande amiga. Sua obra sempre encanta quem a aprecia.
Ela escreve poemas concisos que mostram seus sentimentos mais particulares que através da poesia se eternizam.
É uma honra tê-la aqui comigo no meu Blog.



Foste Tu...
Foi essa tua maneira de se entregar
Esse teu jeito fremente de recitar o luar
Contar estrelas e retê-las nas mãos
Marolas felizes invadindo o meu mar!

Foram tuas canções abraçando minha paisagem
Em dedos ávidos colhendo meus gemidos
Teus beijos de um vermelho fogo
Ateando sonhos no imo dos sentidos!

Foram tuas mãos no alvor do amanhecer
Em rendas de eternidade cerzindo nossas almas
E este amor talhando no âmago do meu ser!

Foram teus olhos em melodiosas cascatas
Cravejando de flores a silenciosa saudade
E este teu sol maior que a tarde...

Rasgando a noite das minhas
........................... Palavras!

By Iza Klipel
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Sentida Ausência - Mestra Maria José Zanini Tauil



Jô Tauil é uma poeta nobre. Uma Mestra na arte de ensinar e de escrever.
Jô é uma poeta amiga que faz parte do meu dia a dia poético e a leitura de seus escritos é para mim absolutamente obrigatória.
Seu site, "Coração Bazar", é algo de primoroso (seu link está aí ao lado).
Obrigado Jô pela permissão para publicar uma obra sua no meu Blog.


SENTIDA AUSÊNCIA
A saudade
Dos teus olhos
Canta melancolias
De outras eras
Sonho tua boca
De mirra e incenso
De tóxicos secretos
De sangue apaixonado

Ainda voam
E revoam palpitantes
As lembranças de teu corpo
De emoções mundanas
que profanaram
O santuário do meu corpo

Maria José Zanini Tauil
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10 novembro 2007

Alma Gemela



Alma Gemela

Me quedo triste
siempre que te hago triste
y mi corazón no sabe
o no puede evitar.
Yo me quedo triste
siempre que usted brinda
a la salud de alguien
y yo sé,
usted no puede evitar.
Y es entonces que yo me
destrozo
veo mi espíritu en dolor
y mis ojos se llenan con el llanto.
De un llanto que no limpia,
no se vá
y simplemente se queda
hasta arrugar todo
lo que siento
por usted.
Entonces me quedo triste.
Por eso y por que
usted bailó
aquella música
que yo no escuché,
con alguien que yo
jamás lo veí.
Yo me quedo triste por que
aquella música tenia
que ser nuestra.
Hermosa,
eterna,
penetrante.
Y entonces
nuestros espíritus bailarian
sueltos y coherentes, de manos
apretadas y capaces.
Y el brinde seria nuestro.
El mundo seria de nosotros.
Usted y yo.
Entonces mi corazón
sabría evitarle
hacerte triste,
y mis ojos
irían sonreir
para los tuyos,
si ellos todavia
supieran
aguardar por los mios.

Renato Baptista
Traducción: Veronica de Nazareth - Noic@

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Doce Veneno...



Doce Veneno...

Primeiro Ato

Sinto seu cheiro mulher
As paredes giram
Doce veneno...

Sinto seu toque divino
Eu me arrepio
Doce veneno...

Sinto seu hálito quente
Minha boca saliva
Doce veneno...

Sinto você quente por dentro
Meu corpo transpira
Doce veneno...

Sinto seu gosto de amor
Meu beijo a lambuza
Doce veneno...

Sinto sua boca úmida
Estremeço, convulsiono
Doce veneno...


Sinto sua pele macia
Que incendeia a minha
Doce veneno...

Sinto seus cabelos soltos
Que lambem o meu rosto
Doce veneno...

Sinto sua prece que me envolve
Torno-me senhor de mim
Doce veneno...

Sinto seu carinho profundo
Tenho-me vivo
Doce veneno...

Sinto seu olhar que me atravessa
Fico inteiro do avesso
Doce veneno...

Sinto sua paixão latente
Seu amor me entorpece
Doce veneno...

Segundo Ato

Sinto...
Sinto tudo o que o amor me permite
Sinto-me em chamas
Queimando em versos
E me derretendo em poesia
Transpiro emoção latente
Sinto a vida que pulsa
Como um coração

Sinto...
Sinto poemas que brotam
Germinando na alma
E flutuando eternos
Através do tempo
Poemas que permanecerão
Além de mim
Exalando meu amor maior
Por todo o sempre
E perpetuando a minha paixão
Por você
Como um doce veneno...

Epílogo

Provei do seu néctar
Invadi seu corpo com o meu
Bebi sua poção de amor
E me submeti à sua magia
Estando agora
Envenenado por seu doce
Que me faz doente de paixão

E assim termina esse poema
Repleto de atos de amor
Que fez nascer a poesia desejo
Que imortaliza a história
Do seu doce veneno...


Renato Baptista


Direitos Reservados

29 outubro 2007

QUE SAUDADE! - Jorge Luiz Vargas



Este amigo poeta, conheço faz pouco tempo... O suficiente para ter certeza que seus poemas vivem. Ele fala de sentimentos e de sensações de forma brilhante.
Onde for que seus versos estejam, são leitura obrigatória.
Obrigado amigo por ter me permitido publicar esse poema que fala tão alto...

QUE SAUDADE!
(jhoyvargas)


Hoje, chorei
Chorei muito quando acordei
Chorei sem saber por quê
Não sei se sonhei
Só sei que chorei

Talvez por motivos do ontem
De ter estado com você
De ter sentido tanto prazer
Em seu corpo me perder
Assim, se chorei
Foi por felicidade
Por felicidade chorei

Talvez também por me acordar
Enxergar minha realidade
De lembrar que amanhã
Você pode ser só saudade
Então se chorei
Chorei de tristeza
E de saudade também chorei

Talvez pelo sentimento
Do amor singular
Que tem tanto do lado daqui
E nenhum do lado de lá
Então se chorei
Dos olhos que antes tão felizes
Deles derramam em vermelhas lágrimas
Então chorei
Chorei com o coração

Mas chorei
Me lembrando de você
Mas na realidade eu não sei
Por quê
Por você tanto chorei
Mas chorei
E vou sempre chorar
Até o dia em que você
Por mim se apaixonar

E dizer bem baixinho
Meu poeta eu amo você
Nesse dia vou chorar
Pra matar a saudade
E reencontrar meu caminho.

Jorge Luiz Vargas
Todos os Direitos Reservados

28 outubro 2007

Através do Tempo



Através do Tempo

Viajei no espaço
Velocidade espantosa
Encontrei uma dobra do tempo
E mergulhei nela profundo
Reverti o relógio
E entrei noutra dimensão
Encontrei-me no passado
Noutra vida
Um outro mundo
Andei pelos caminhos
Desbravei trilhas
Turbilhão de lembranças
E eu conhecia o meu destino
Como se nunca o tivesse esquecido
Corri, tropecei, arrisquei
E achei você
Você que morava ali comigo
Naquela casa bonita
De janelas azuis
Flores à porta
Demarcando a entrada
E através de uma das janelas
Eu pude ver
Eu e você
Abraçados, faces coladas
Dançávamos a música perfeita
Felizes... Inocentemente alegres
Nossos olhos fechados
Sorrisos estampados nos rostos
Eu e você
Numa comunhão que eu sabia
Atravessou existências
Naquele momento
Sem poder entrar
Percebi que eu quase
Me percebi ali
Voei para longe
Saí rápido e rasteiro
Do alcance
Dos meus próprios olhos
Fui de encontro ao nosso futuro
Com a confirmação
Do que eu já sabia
Com a alegria da prova
De que nosso amor é eterno
Viajei de novo pelo espaço
Desafiando o tempo
Sem fixar na memória
Os detalhes do caminho da volta
Cheguei ao nosso tempo...
E encontrei você
Que me esperava para o jantar
Beijei seu sorriso maroto
E percebi o seu olhar de menina
Algo estranho flutuava no ar
Você me chamou
Me abraçou e andou comigo
Até o canto da sala
Ligou uma música
Aquela música...
A música perfeita
Vi seus olhos se fecharem
Vi ainda um sorriso
No canto da sua boca
Você havia me tirado
Para dançar
Lentamente...
Apertei seu corpo contra o meu
E rodei com você
No compasso da música
Naquele instante
Pela janela aberta
Lá fora no jardim florido
Eu vi um vulto
Alguém ali nos olhava
E num repente
Desapareceu por completo
Só pude ver o seu rastro de luz
Que cortava o céu
Como uma estrela ascendente
Ali, eu sabia
Começava uma outra viagem
Mais uma vez se perpetuava
O nosso futuro...


Renato Baptista - Direitos Reservados

27 outubro 2007

Personagem Principal - Tarcísio Zacarias



Tarcísio Zacarias é um amigo poeta. Faz tempo que compartilhamos espaços publicando nossos poemas e conversando sobre a vida.

É um escritor nato e seu talento chega a sobrepor a escrita...

Fica aqui essa homenagem que ele me concedeu que é a permissão de poder publicar esse seu poema inédito.

Vocês podem conferir mais poemas do Tarcísio no seu Blog. É só só clicar no seu nome nos Links aí ao lado.



Personagem principal


Um dia eu quis que você lesse os meus versos.
Queria que o teu olhar habituado a enxergar
as incoerências de um texto mal escrito apontasse
direção e corrigisse o roteiro de uma história
de amor que insistia em não ter final feliz.

Um dia eu quis que você fizesse parte dos meus versos.
Queria mostrar ao meu coração, já tão habituado
aos amores mal sucedidos, que histórias com enredos
felizes podem ser vividas a qualquer momento.

Um dia eu quis que você inspirasse os meus versos.
Aí eu escrevi um poema-convite para você:
Papel de protagonista em uma história de amor
com enredo diferente: começo, meio e final felizes.

Um dia eu terei você e seremos assim:
Personagens principais de uma linda história de amor.


Tarcísio Zacarias


Para P.A.M.
Escrita em 19/10/2007

Direitos Reservados do autor.

24 outubro 2007

Música no Ar



Música no Ar

E a nossa música
Tocou
Fazendo o momento
Suave, piano...
E pela primeira vez
Eu te tirei
Para dançar
O ar ficou
Colorido
E o mundo todo
Girou
Os nossos perfumes
Se misturaram
Assim como
Os nossos corpos
Sensação sublime
Nada mais
Existia
Só o toque, a música
Dançamos sem mexer
Os pés
Só os corpos se moviam
Até se fundirem
Num só corpo
Saímos do chão
Flutuamos
Fomos dançar
Nos céus
Visitamos
O universo
Que o nosso amor
Criou
E um beijo eterno
Como a nossa música
Aconteceu
Senti nos teus lábios
O gosto do amor
Diferente
Daquele sabor de paixão
De sempre
O tempo parou
E algo se perpetuou
Nossos olhares
Nos casaram
E agora, mais que nunca
A nossa música
Ficou gravada
Para sempre
Nos nossos corações
Sublime, suave, piano...


Renato Baptista - Direitos Reservados

23 outubro 2007

Meu Amor



Meu Amor

Eu amo o amor amado
O amor sem fronteiras
Sem tristeza
Sem mágoa
Desprovido de angústia
Eu amo o amor pleno
O amor que Deus escreveu
Que um dia eu sentiria
O amor que ele plantou
Em minha alma
No dia da sua criação
Eu amo esse meu amor
De um jeito perfeito
Com um querer sem fronteiras
E com paixão eloqüente
Eu amo o meu amor
Mais do que tudo
Porque esse meu amor
É você.


Renato Baptista - Direitos Reservados

Escultura



Escultura

Crio formas
Em formas
Perfeitas
Esculpo teu corpo
Com minhas mãos
Nuas
Cruas
Antecipo o teu desejo
Do toque
Com meu toque
De arte
Alisando tuas curvas
Despidas
E arrepiadas
Enxugando o suor
Dos teus poros
Que escorrem molhados
Com minha mão
De artista
Que desenha as tuas formas
No teu corpo formoso
E descubro aos poucos
Que o resultado final
É igual
Você é você
A arte pura
Do meu viver.


Renato Baptista - Direitos Reservados

20 outubro 2007

Talismã



Talismã

Submerso
Nos meus sonhos
Que se afogam
Em saudade
Vagando
E divagando
Pelo tempo
Em silêncio
Segurando firme
O meu talismã
Meu prêmio
O sabor
Do seu beijo
Que me acompanha
Que me inspira
Que me faz
Permanecer seu.


Renato Baptista - Direitos Reservados

Sensualidade



Sensualidade

Eu te vi dançando
Nua
Como o nosso amor
Seios apontados
Salto alto
Desejo equilibrado
Ventre doce embalado
Quadris em sintonia
Com a pele arrepiada
Sensualidade frenética
No rebolado macio
E a música te acompanhava
Às vezes sem ritmo
Por não conhecer como eu
A beleza e a sensualidade
Do teu corpo-mulher.


Renato Baptista - Direitos Reservados

15 outubro 2007

Por incrível que pareça...



Trecho de um conto de Lígia Fagundes Teles

“Quando minha prima e eu descemos do táxi, já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles, vazado por uma pedrada. Descansei as malas no chão e apertei o braço da prima.
- Sinistro.
Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes com liberdade de usar o fogareiro do quarto, a dona nos avisara por telefone que podíamos fazer as refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina.
- Pelo menos não vi sinal de barata, disse minha prima.”


Por incrível que pareça... (Inspirado em conto de Ligia Fagundes Teles)


Ao falar isto, apareceu um exército enorme de baratas gosmentas, nojentas e gordinhas babando para todos os lados. Desesperadas elas saíram correndo, mas o exército seguia-as para onde elas fossem e quando elas iam passar pela porta para irem embora daquele lugar, apareceu o dono da pensão com um rato entre os dentes e um machado ensangüentado nas mãos. Lúcia a prima de Carol falou: - Estamos fritas.
Carol respondeu : - Você está enganada!!!
Carol deu um duplo twist carpado mortal duplo para trás e fugiu das baratas e do dono mau da pensão, porém Lúcia não teve a mesma sorte, as baratas começaram a subir por ela, algumas entrando pelo nariz, outras pela boca até chegar ao cérebro. Enquanto isso, o dono da pensão despejava machadadas, cortando Lúcia em pelo menos 483 pedaços. Carol desesperada entrou num banheirinho que havia no andar de cima da pensão. Ao trancar a porta ela olha para trás e vê um vampiro enorme com seus dentes afiados e babando para ela, sorte dela que ele era covarde, pois ao dar uma cotovelada nele, o vampiro começou a chamar a sua mãe e a chorar como um louco. Ele chorou tanto, tanto que a sala inundou impossibilitando a saída de Carol. Esta, enlouquecida, afundou a cabeça para ver se havia alguma escapatória lá embaixo. Ao abaixar a cabeça ela vê um tubarão com uma bazuca apontando para ela.
Ela virou para o outro lado e viu o espírito de sua amiga Luíza, mas, ôpa, ela não estava normal, ela havia virado um espírito mau e deu para perceber rápido pois a Luíza estava girando uma maça preparada para atirar em Carol que afundou mais ainda e por sorte encontrou uma passagem secreta para fora da pensão.
Ao sair desta, deparou-se com uma nave alienígena lotada de zumbis e extra-terrestres com 79.000.000 de braços, pernas e olhos grandes com crostas de sujeira preta. Estes gritavam: - Fugir não, Fugir não, Fugir não !!!!!...
...Empurraram-na para dentro da casa de novo. Lá dentro novamente, ela vê o dono da pensão com o machado, as baratas, o vampiro, o tubarão com a bazuca, o espírito de Luíza, os zumbis, os aliens, um dragão soltando fogo e um exército de bruxas maléficas soltando raios e trovões pelos olhos rosa pink.
O dono da pensão deu três passos à frente e falou :
-A sua única escapatória é virar um de nós. Beba esta poção mágica que transforma menina coitadinha em lobisomem maléfico.
Carol não tinha mais saída...Até que se lembrou do vidrinho de antídoto radioativo extra-extraordinário, contra todos os males do Universo, que o motorista do táxi que as tinha levado até lá a tinha confiado.
Carol o engoliu com vidro e tudo sem que os monstros percebessem. Na seqüência, ela pegou a poção da mão do dono da pensão e disse que aceitaria virar o lobisomem.
Ao tomar a poção, nada acontece e Carol sai correndo pela porta com os monstros atrás dela.
Ela se esconde atrás de uma árvore que tinha ali por perto.
O único que viu foi o tubarão com sua enorme bazuca que se preparou e atirou...o disparo foi desastroso. Matou todos menos Carol.
Ela então, muito feliz por ter se livrado de praticamente todos os monstros, sai de trás da árvore e quando o tubarão vai atirar nela de novo, chega um carro do ibama que pega o tubarão de surpresa por trás. Muito bravo o tubarão largou a bazuca no chão para que o fiscal não atirasse em suas costas. Ele então é algemado e levado para a delegacia de tubarões para ser preso , pois foi condenado a 50.001 anos de cadeia.
Carol muito feliz e satisfeita chama um táxi para a levar de volta para casa.
Óh!!! O táxi é o mesmo que a trouxe a esta pensão. Carol agradece muito ao motorista pelo antídoto e vai para casa mais feliz do que nunca.
No caminho...O motorista diz que deu o antídoto a ela porque sabia dos perigos daquela pensão. Ele também disse que a tentou avisar mas que ela não havia deixado. Carol agradeceu novamente, desceu do táxi e chegou em sua casa sã e salva...Por incrível que pareça.


Arthur Baptista – O Contista

Arthur é meu filho. Tem 16 anos e escreve contos sempre fantásticos. Um deles foi escolhido e publicado em livro numa antologia de contos.
Aqui ele partiu de um trecho de um conto de Ligia Fagundes Teles que o inspirou a escrever esse conto acima.

Sonhos de Criança



Sonhos de Criança

Revivo de vez em quando lembranças da minha infância. São imagens que me vêm nítidas, atrevidas, desafiando o meu presente.
O cheiro do meu armário de brinquedos, o badalar do relógio de pêndulo do meu Pai, o som da caixinha de música da minha mãe, o tilintar da chuva na janela do meu quarto que anunciava a negativa das brincadeiras na rua.
Lembro da minha primeira bicicleta que tanto castiguei... ela me levou a conhecer o mundo. Recordo-me do aroma de comida que vinha da cozinha e que me lembrava que eu estava com fome. Lembro bem dos meus carros de autorama que eu montava e desmontava peça por peça de olhos fechados, incrementava, envenenava e que me traziam vários troféus.
Lembro-me muito bem dos meus times de futebol de botão que sobrevivem até hoje... Com exceção de alguns jogadores que faleceram com o tempo, racharam e se quebraram e que ganharam um funeral condizente com a sua importância de títulos lá na terra do quintal de casa.
Lembro das figurinhas, do piano que minha mãe tocava nos finais de tarde e nas manhãs de Domingo e dos meses de Julho de frio doído aqui em São Paulo.
E me recordo muito bem dos seriados de TV que eu adorava (assunto para horas a fio) e do meu primeiro radinho de pilha que eu colocava entre a fronha e o travesseiro para minha mãe não ver, pequenino, pretinho e que eu ligava para poder dormir ouvindo música toda santa noite.
Lembro de todos os meus desejos proibidos, inenarráveis, da minha ansiedade por ser alguém grande, adulto que eu não sabia, teria muita saudade de tudo aquilo, de tudo o que eu já era e já tinha.
Eram muitos sonhos... Incontáveis sonhos. Uma visão do mundo não muito clara, condizente com a minha idade. Pouca informação e no coração uma sensação estranha. Eu não sabia o que era. Um algo indefinido e indecifrável. Totalmente incompreendido para mim naqueles dias... uma presença que eu não entendia.
Era você que nascia para mim!


Renato Baptista - Direitos Reservados

06 outubro 2007

Déborah Cristina... Coitada!



Déborah Cristina... Coitada!

Faz tempo
Não é Déborah Cristina?
Seus cabelos cresceram
Até pintou as raízes
Pois é... O tempo não pára
E você aí nessa janela
Bisbilhoteira como nunca

Sabe Déborah Cristina
O meu amor continua grande
Forte, rígido
Como unha pintada
Com aquele esmalte
Para casco de cavalo
É... Fazia tempo que eu não a via

Continuo amando
Dançando no ar
A música da paixão
Beijando de língua
Suando de fazer amor
E você aí nessa janela
Sai daí Déborah Cristina!

Imagino você
Com calos nos cotovelos
E seus olhos de águia
Bisbilhotando o amor alheio
Que feio Déborah Cristina
Que vida a sua
Que não sabe o que é cheiro de amor...

Renato Baptista – Direitos Reservados

Balada do Silêncio



Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura

Estrofe do poema “Soneto de Quarta-Feira de Cinzas”
de Vinícius de Moraes.


Balada do Silêncio

E um enorme silêncio
Toma conta da noite
Mais silêncio
Do que teria
A própria noite
Na sua solidão escura
E eu a tenho nos meus braços
Mas não nos meus abraços
Eu a tenho nos meus lábios
Mas não nos meus beijos
Eu a tenho por completo
Mas levo a vida
Em solidão... Como a noite
E assim, a cada dia
Meu conforto
É sentir saudade
Como o jeito mais simples
De ter você perto de mim
E o meu coração
Se conforma
Em ser uma metade
Batendo em silêncio
Para não me despertar
E eu ter que perceber de novo
A sua eterna ausência.

Renato Baptista – Direitos Reservados

Sem Limites - Por Teus Pés



Sem Limites - Por Teus pés

Lindos pés
Que beijo
E afago
E bebo teus dedos
Tatuo neles
Com meus dentes
Meu fogo
Que te sobe
Pelas pernas
Que ardem
De desejo
E latejam

Arrepiadas...

con
tor
con tor CIO nis mo
nis
mo

Sem hiato sem ditongo
Só encontro flutuante
Mais corpóreo que vocálico

Fogo sobe
Água desce
Viscosa
... Contra-ataque

Pés que beijo
E tu vens descendo
E eu vou subindo
E fazemos amor
Em gangorra
Lúdico querer
De olhos virados
Es bu ga lha dos

E queimamos em fogo
Compulsivamente
Arfando... Sem ar
Depois...
Aninho-me a teus pés novamente
Antes frios e agora dormentes
E os beijo
E afago
E bebo teus dedos
Suados

E os engulo...
Sem limites
Sem pressa
Sem pudor

Até tu enlouqueceres!

Renato Baptista - Direitos Reservados

Beijos e beijos...

Beijos e beijos...

Tem beijo de amor
Beijo de carinho
Beijo de amizade
Beijo com gosto
De geléia de morango
Beijo com gosto
De suco de laranja
... O beijo da tarde
Beijo com gosto
De café com leite
... O beijo da manhã
Tem beijo de paixão
... O beijo da noite
Beijo com gosto
De abobrinha recheada
Beijo
De tudo que é jeito...
E todos os beijos
São bons
Maravilhosos
Com aquele gosto
De beijo beijado
Mas o único beijo
Que eu não quero mais sentir
Nem receber e muito menos dar
É aquele beijo de adeus
Esse... Parece mordida
Ele simplesmente permanece
Enlouquece.

Renato Baptista - Direitos Reservados

Estrela da Minha Vida



Estrela da Minha Vida

Naquela noite linda
De luar de lua cheia
Quando meus sentidos
Se aguçam
Joguei meus pensamentos
E sentimentos para cima
Ao vento
Olhando para o céu azul escuro
E sem nuvens
E ainda com poucas estrelas
Aparentes
Pude então ver um risco branco
Que cortava a imensidão
Como um relâmpago arisco
De repente, aquele raio
Em velocidade assustadora
Aprumou-se em minha direção
E sem que eu pudesse
Respirar de novo
Senti um zumbido agudo e veloz
Passando pela minha cabeça
E estatelando-se no chão
A um metro de mim
Era uma estrela cadente
Que jazia ali, bem à minha frente
Com duas pontas enfiadas no chão
E as outras três
Brilhando para mim
Tentei pegá-la...
Imaginou que relíquia?
Mas qual o quê...
Estava fervendo a danada
Sentei-me ali a velá-la
Como que tomando posse
Do enviado presente
Aos poucos
Os brilhos cintilantes
Foram-se apagando
Ela foi se acalmando, esfriando
E finalmente consegui
Pegá-la em minha mão
Ela era toda branca
E meio desgastada pela viagem
Mas bem no meio dela
Havia uma inscrição em baixo relevo
que dizia assim...
...Eu também te amo!
Tua Mulher.

Você nem sabe
Mas guardei para sempre
Aquele meu presente
Minha fonte de vida
A prova do seu amor
Que veio para mim do céu
Escrito numa estrela.

Renato Baptista – Direitos Reservados

Você... Minha Poesia



Você... Minha Poesia

Poesia em movimento
Entrelaçando palavras
E assim crio meus versos
Que falam de amor
E brilham um pouco mais
Com uma pitada de amargura
E tempero de saudade
São versos que gritam paixão...

E assim percorro dias
Atravesso noites
Sem sossego
Enfeitando papéis
Com adereços poéticos
Crio movimento, cor
Ultrapasso o espaço
Escrevendo versos
Com a sua beleza
E com o seu encanto
E eu nem precisava
Porque me dei conta
Que já tenho você...
Minha melhor poesia.

Renato Baptista – Direitos Reservados

04 outubro 2007

... Porque Existem Amanhãs

... Porque Existem Amanhãs

Brinco com minhas sombras
Fantasmas presentes
Que me rodeiam
Mata-me o desencanto
De um desamor anunciado
Desmonto-me e sofro
Pela premência do destino
Que enfim veio crucificar
Colocando cada coisa
Cada pessoa no seu lugar

Sem meu consentimento
Ando então pelas nuvens
Sem consistência
Sabendo que chegou o dia
E que invasores levarão meu tesouro
Porque nada é possível
Até que simplesmente seja

Assim, eu não dormia
Ficava de guarda
Brincando com sombras
Fantasmas presentes
Que nem sei quem são
E é porque meus olhos
Não se abriam tanto
Ou talvez não soubessem ver
A verdade que dormia ao meu lado
E não adiantou nada, nada
Absolutamente nada
Pois corações não brincam
Apenas esquecem por momentos
E depois voltam, retornam
Ao seu berço imponente
Sem o menor aviso

E por isso brindo diuturnamente
Com meus pressentimentos
Que não falham
Apenas erram alvos, talvez
Erros atrozes, quem sabe
Induzidos pela vida.

... Antes não houvessem esses amanhãs.


Renato Baptista - Direitos Reservados

22 setembro 2007

Balada do Amor Eterno



Balada do Amor Eterno

Você, sua menina
Moça dourada
Dos seios morenos
Mais brancos até
Do que o corpo quase todo
Que me toma em desejo
Seios guardados
Envoltos em pudor
Mamilos doces
Aveludados, e que são meus
E que me contam segredos
Mudam de forma
Apontam, estremecem
Dão-me o sabor do amor
E me arrastam em poesia
Que canto como um riso
Mesmo diante das suas ausências

Moça melodia
Menina vibrante
Dos seios morenos
Minha doçura bandida
Encanto de alma
Que me arrasta e me deita
Brinca comigo e me faz prisioneiro
E me dá amor e me faz amor
Faz-me poeta desses que faz versos
Que remontam luz, tesão e saudade
E persistem deslumbrados pela noite
Por ter nas mãos calejadas, um dia
Um par de seios nus
Daquela que é a mulher amada

Faz-me graça a sua graça
Que dança pela rua
Caminhando até mim
Espevitada, alvissareira
E que vem a mim sem compostura
Explodindo em formosura
Como diamante, preciosa
Terna e gostosa
Sonho real, definitivo.

Minha amada, meu amor eterno
Mulher, simplesmente, mulher...

Renato Baptista

Direitos Reservados

Teu Corpo Nu



Teu Corpo Nu

Não sei o que me vale
Talvez a sensualidade
Dos teus beijos loucos

Só sei o que me invade
O prazer-desejo
Dos teus gritos roucos

Não sei o que mais me cura a alma
Se o teu corpo nu que dança comigo
Ou teus abraços que não são poucos

Só sei que o que me encanta mais
É esse teu amor puro e latente
Muito maior do que os meus versos soltos

Deixa-me te amar
Como se o mundo fosse acabar
Como se não houvesse amanhã.


Renato Baptista
Direitos Reservados

Poema Para o Amor - Inspirado em Vinicius de Moraes



Primeira estrofe do “Soneto da Véspera”
Vinicius de Moraes

“Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?”


Poema Para o Amor

E dentre tuas tantas lágrimas
Uma escolherei...
Enxugarei todas as outras
Uma a uma
Levando com elas
Todas as tuas tristezas
Mas aquela uma eu guardarei
Em clausura no meu coração
Para que eu sempre me lembre
Que um dia tu chorastes por paixão
E a usarei se for o caso
Se um dia você me disser adeus
Porque as minhas, já as gastei todas
Pranteando as tuas longas ausências
E te direi depois
Que te trouxer de volta
O teu amor maior
Que em mim tu sempre vivestes
E beijarei molhado
Teus beijos, tua carne, tuas mãos
E te entregarei aos poucos
O que por direito é teu
E te amarei por completo
Sem angústias
Sem mais nenhuma espera sofrida
Correndo contra o tempo
Que já bandido anuncia
O inicio de mais uma despedida.



Renato Baptista


Todos os Direitos Reservados


Sem Medo da Nova Paisagem - DUETO



Branco Zanol é atleta do Judô. Integrou a seleção brasileira por vários anos e é detentor de inúmeros títulos nacionais e internacionais. Representou o Brasil na Olimpíada de Atlanta e em Campeonatos Mundiais.

É um grande amigo que nas horas vagas, enquanto não trabalha em suas academias e em projetos sociais ligados ao Judô, preparando jovens atletas para o futuro, escreve alguns poemas.

Aqui, com muito orgulho, eu publico um dueto que fizemos falando da vida, dos medos e aflições e do querer constante em busca do amanhã.



Sem Medo da Nova Paisagem

No pulsar da vida eu descubro // escutando o meu coração
Que sou feliz sentindo // experimentando cada sentido
O amanhecer dentro de mim // como uma faísca dentro do peito
O sol brilha para a coragem // com seus raios dourados
De encarar o novo // sem temer o amanhã
De enfrentar o desconhecido sem medo // e olhar de frente o horizonte
De perder o ritmo // que meu coração dita
E me perder // esquecendo porque sofri
Coloco outra música // aquela que minh’alma canta
Invento um novo passo // como se procurassse o destino
E dou gargalhada do inusitado // experimentando novos segredos
Passo pelas nuvens do céu // que guardam meus momentos
E minha boca aberta // escancarada para a vida
Querendo engolir o mundo // sem dó das ausências
Por tudo o que procurei e não achei // após cada passo que eu dei
Por hoje saber que na vida // isso está escrito no meu peito
Não é conseguir // é mais, muito mais do que apenas sinto
Ou achar muito mais do que isso // e que possa querer se mostrar
A vida é viver // é sentir, é amar, é saber sofrer e assim aprender.


Branco Zanol // Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

18 setembro 2007

Sem Lua, sem nada...



Sem Lua, sem nada...

Enfrentando o destino
Pela estrada sem luar
Areia espalhada pelo chão
A lua morreu! Devagar
Levou consigo seus segredos
Nossos segredos, alinhados, sem par
Transborda dor pela dobra do tempo
Carregada de faiscas, magia no ar
Andarilho trôpego permanece
Sem saber viver, sem respirar

Anestesia injetada
Dor conclamada
Brada-se tristeza
Em plena tempestade
Almas gritam alucinadas
Porque nos roubaram a lua
O destino tornou-se mera coincidência
E de tanta tristeza a lua morreu
Devagar...

Renato Baptista
Direitos Reservados

17 setembro 2007

Beso em El Oscuro



Beso em El Oscuro

En el oscuro
Del cielo de tú boca
Busco
Encuentro tú lengua
Que se hurta
Se escurre
Se hace de costoso
Y los dientes se reien
Un respiradero y frescor del hálito
Sorviendo salivación dulce
Con gusto de amor
Y las lenguas se encuentran
Se lamen se comen
Se entienden, charlan
En el oscuro más que de sublimación
Del cielo de tú boca.

_________________________________________
Renato Baptista – Direitos Reservados
Traducción:Veronica de Nazareth-Noic@

Entre o Surreal e a Iniciação de Déborah Cristina - Poema-Conto


Entre o Surreal e a Iniciação Sexual de
Déborah Cristina
Poema-Conto

Erick debruçou no seu beiral
Olhou para a janela vermelha
Aquela, bem à sua frente
No seu endereço na Rua Verde
Na cidade de Taporaí
E viu, de novo, Déborah Cristina
Aquela enxerida
Metida na vida alheia

Mas dessa vez
Déborah Cristina estava deitada
Nua na cama, linda como nunca
Cabelos soltos e revoltos
Pele opaca de tão eriçada
O reflexo do sol
Recortava a vidraça
E o fazia procurar ângulos
Melhores para vê-la

Como uma bisbilhoteira daquelas
Poderia oferecer uma cena tão bela?
Ela se contorcia
No lençol macio
Rolava para lá e parava
Com as pernas abertas
Seios perfeitos tinha a danada
Uma de suas mãos
Apertava a ponta do travesseiro
Enquanto a outra brincava
Traçando sonhos sem fim
E desenhos repetitivos
Em pontos delicados
E molhados
Seus olhos viravam
E reviravam nas suas órbitas

De onde ele estava
Não ouvia os gemidos
Que sua boca carnuda sugeria
E Erick, que tinha certeza
Que Déborah Cristina
Era apenas um objeto
Que se intrometia
No amor alheio
Não resistiu
Ao apelo impensado
Daquela linda
Da Déborah Cristina

Quando viu
Estava em pé no seu parapeito
Calculando distâncias
Ele ia pular no espaço
Voar um pedaço
Agarrar-se à sua janela
Fazer força para cima
E entrar no seu corpo
Que tremia e suava

Por um instante
No momento do seu salto
Pode ver seus pés
Pernas esticadas
Pontas dos dedos
Forçadas para cima
Sua boca gritando alto
E seus olhos se abrindo
Esbugalhados
E ele viu que ela o viu
Enquanto gozava dele
Naquela situação escancarada
Tão escancarada quanto ela, ali

E Erick voou no espaço
Mirando sua janela e seu ventre
Pedalou no ar sem parar
Concentração total
Imaginando o final
Membros rígidos sem igual
Mas o vento o empurrou
Quando ele ia segurar no beiral
A sua mão escorregou
Déborah Cristina pulou da cama
E abriu a vidraça como um raio
E viu Erick despencando
Como abacate maduro
Ele, desesperado, pensou rápido
Havia no paredão
Cordas com nós
Que sustentavam um andaime
De pintores admiradores
De quem?
De Déborah Cristina

Onze andares abaixo
Agarrou a corda
Com a vontade de um homem
Que agarra uma mulher
Mas não foi a salvação...
Com o peso do seu desejo
A catraca lá em cima
Foi soltando, afrouxando
A corda descendo
E ele já sentindo
Sua cabeça espatifada
No cimento da calçada
Da Rua Verde

Foi quando Déborah Cristina
Num ímpeto de paixão
Jogou pela janela
Lá para baixo na sua direção
O bico do seu seio direito
Que veio enrijecido e certeiro
Ele o agarrou com sua boca
Apertou nele os seus dentes
E com a força de uma sugada
Estabilizou sua queda
Agarrou o bico com suas mãos
E procedeu sua escalada
Mamilo acima
Déborah Cristina gemia
Soltava berros pela janela
E a três andares
Dele chegar a seu peito macio
Percebeu que o bico dela ardia
Estremecia entumecido
Não ia suportar mais a sua agonia
Cravou então as unhas na parede
E como reflexo
As costas dela sangraram
Corpos tensos, extenuados
Exagerados

Desesperadamente
Erick tentava uma saída
Enquanto Déborah Cristina
Recolhia seu esticado mamilo
Foi aí que uma trança, como corda
Saiu pela janela
Veio em sua direção
E se enrolou nele
Mesmo sentindo a pressão
Segurou-a firme com as mãos
E com segurança foi sendo içado
Tentando imaginar
Que cabelos eram aqueles

E foi subindo, subindo
Quando chegou ao parapeito
Agarrou-se no beiral e pode ver
Déborah Cristina
Com a cabeça e os ombros no chão
Pernas abertas ao máximo
Uma de cada lado da janela
Num movimento contínuo de vai e vem
A trança era formada
Pelos seus pelos pubianos
Compridos e semi-enrolados
Que o puxavam para sua origem
Déborah Cristina estava quente
Vermelha, ardente, decidida
A volúpia foi tão grande
Que Erick entrou inteiro
Naquela caverna escura
Nunca antes penetrada

Ele perdeu o ar
Enquanto se virava
Naquelas paredes molhadas
Escorregadias, benevolentes
Que pulsavam e o apertavam
Até que depois de um tempo
Num esforço colorido
Com um grito de prazer e exaustão
Foi parido
Meio amolecido e sufocado
Quase desfalecido

Deitou-se ao lado dela no chão
E pode ver nas suas mãos
Os cabelos que ela arrancara de si
Enquanto era deflorada
Pelo momento
No seu rosto um sorriso
Seus olhos se fechavam
E se abriam
E pediam... Mais


Déborah Cristina levantou-o
Puxou-o até a sua cama
Deitou-se de barriga para baixo
E o puxou para cima dela
Erick deitou naquele corpo macio
E ela começou a dançar
A rebolar aquela sua música predileta
Tudo se encaixava novamente
Aos poucos
E ele começou a voar outra vez

No chão, ao lado da cama
Algumas gotas de sangue
Déborah Cristina tornara-se mulher
Deixando de ser bisbilhoteira

Nunca mais Déborah Cristina
Fechou aquela janela...


Renato Baptista – Direitos Reservados

16 setembro 2007

História de Amor



História de Amor

E esse amor transparente
Que vive tão perto
E mora tão longe?
Distante o bastante
A ponto de fazer borbulhar
O sangue que escorre
Do meu peito ferido
Trespassado pela flecha rápida
Que com a velocidade de um raio
Que riscou o céu
Enfiou o amor para dentro
De mim
Mas o tempo
Foi mal calculado
E o amor se perdeu
Por instantes
Flutuou em nossos corpos vizinhos
Sem piedade
Por um tempo perdido
Tardou na sua plenitude
Atrasou a amplitude
E não reconheceu
O clamor gigante
Da espera constante
Agonizante
Muitas tardes de Domingo chuvosas
Foram preenchidas pela angústia
E por bocas cheias de gemidos
Surdos
Mal sabiam os dois
Que era só abrir as portas
E pular um muro
Ou talvez
Olhar para o lado
Era só gritar o seu próprio...
Nome
O seu próprio amor solitário
A plenos pulmões
Então nada
Nada iria impedir
E nem evitar
Um passeio sereno
De mãos dadas
Pelo resto das suas vidas
E os dois seguiram
Seus destinos
E vivem hoje
Um amor transparente
Que vive tão perto
E mora tão longe
Mas habita os seus corações
De forma plena
Total
Tardia.


Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

14 setembro 2007

Boca



Boca

E essa sua boca
De mel
Que me beija
Cruel
E vai embora
Boca que encontra
Os meus lábios
E me leva ao céu
Boca que deixa
Na minha boca
Marcas profundas
De sabor
De amor
Boca que me morde
Entorpece-me
Invade-me com gosto
E me transfere
Segredos
Sua boca... Minha boca
Seus beijos... Que são
Meus beijos agora
Mas que beijam
E vão embora
Escorrendo
Pelos meus lábios
Como um mel...


Renato Baptista - Direitos Reservados

13 setembro 2007

Por Ti



Por Ti

Nas entrelinhas dessa minha vida por ti
Sem pressa, procuro e acho atalhos
E nas tristezas e angustias comprimidas
Recupero meu sentimento que jaz em retalhos

Às vezes perdido, sem rumo e cambaleante
Encontro forças em lugares que não existem
E no meu escudo soberbo de cavaleiro errante
Vivem os teus versos que por mim persistem

Empunho, então, firme a afiada lança aguda
Ultrapassando os limites do horizonte perdido
Encontrando em teu peito macio a minha ajuda

Desvencilho-me de fardos sonhando com teu semblante
E nunca recuo, nunca, mesmo que mortalmente ferido
Nessa minha busca eterna pela tua presença constante.

Renato Baptista – Agosto 2007

10 setembro 2007

Toada



Toada

Estou aqui sozinho
Sentado num canto
Cantando baixinho
Aquela nossa toada
Iluminado pela luz
Da lua
Na hora em que canto
O nosso refrão
Escorre-me uma lágrima
De saudade tamanha
Que posso ler escritos ali
Versos que mudam
A história da canção
São versos teus
Que rolaram
Pela minha face
Vem aqui, vai...
Traga teu baixo
E um violão
E me acompanhe
Nessa nossa canção
Faça para mim
A segunda voz
Encha-me de emoção
Cante comigo em dueto
Com a voz do teu coração
Entoe para mim
Com teu canto
A mágica da tua
Mais sublime rendição.


Renato Baptista - Direitos Reservados

09 setembro 2007

Versos Meus - Versos Teus - Dueto




Uma homenagem à grande poeta... Uma inspiração

Fragmentos do poema "Versos Meus"
de Beatriz Prestes


Quantas palavras
Ainda enviarei
Paixão explícita
À você sinalizar
Poemas simples
Alguns versos secretos
Sonhos meus de paixão
Feitos para você decifrar

... Brotando em frases
Que desabrocham
Espalhando perfume
Oferecendo-te cores...

Versos Teus

Versos teus que nascem
Vêm à vida com um tanto
Do teu coração
Paixão materializada
Em palavras mágicas
Que se tornam reais
Como o teu sentimento
Que de tão pervasivo
Modifica o mundo
O teu mundo
O mundo de quem tu amas
Quantas palavras ainda virão
Sinalizando teu amor
Secretamente explícito
Por natureza
Frases - versos
Que espalham teu perfume
Teu talento, tuas ousadias
Versos teus
Que celebram o mundo
A vida, o amor maior.


Renato Baptista - Direitos Reservados

Coletânea de Poetrixes




Coletânea de Poetrixes


Mortal

Paixão ferina
Estilhaço de coração
Fere o meu de amor... Mortal.


Verbo Maior

Estatuído e conjugado
Verbo intransitivo perseguido
Corações se fundem ao desejo.


Sexualmente Transmitido

E que despautério, doce sereia
Desperdício pleno no ar
Lábios procuram lábios... Não se encontram.


Ricochete

Olho vivo na mira
Ruído do cão
O alvo sumiu...


Viajante

Violeiro na proa
Barco rio acima transborda
A canção se molha, de lágrimas.


Permanência

Trago de ti o teu beijo
Trago-te como a um cigarro
Bebo-te na fonte, enlouqueço.

Destituído

Brada alto a ordem
Pés descalços sem farda
General sem compoustura.

Platéia


Teu corpo é meu palco
Atuo com desejo como nunca
Só um aplauso, o teu sorriso... Porfim.


Renato Baptista - Direitos Reservados

08 setembro 2007

Feridas




Feridas

Dor essa que arrebata
Dor que fere e não mata
E que vem profunda
Arrancando tremores
Possuindo a vida
Inundando o peito
E destruindo a esperança

Ah! Dor explêndida
Que faz pensar
Que nos faz sentir
Que se anuncia e cala
Como um voraz desespero

Ah! Dor maldita
Que grita, espreme
Faz sofrer desenganos
Arranca pedaços sem pena
Que olho, e está em toda parte

Quanta dor geme essa ausência
E tanta distância se faz presente
Morre o coração a cada segundo
E os pássaros então não voam mais
Nem nadam os peixes
Nem se vêem mais carícias plenas

Nada prevalece
Nada exaurido
Nada profundo
Apenas o corte
As feridas abertas
Cicatrizes anunciadas
No céu vermelho
Na carne vermelha
Machucada...

Bárbara secura d’alma
Estremecendo o dia
Semeando a noite
Calculando o amanhã
Sem quereres
Sem sensações
Sem amor presente
Sem beijos inconseqüentes
Sem nada, sem nada, sem nada mais
Apenas dor maldita
Que fere e não mata
Cruelmente, perversamente...

Renato Baptista – Direitos Reservados