17 setembro 2007

Entre o Surreal e a Iniciação de Déborah Cristina - Poema-Conto


Entre o Surreal e a Iniciação Sexual de
Déborah Cristina
Poema-Conto

Erick debruçou no seu beiral
Olhou para a janela vermelha
Aquela, bem à sua frente
No seu endereço na Rua Verde
Na cidade de Taporaí
E viu, de novo, Déborah Cristina
Aquela enxerida
Metida na vida alheia

Mas dessa vez
Déborah Cristina estava deitada
Nua na cama, linda como nunca
Cabelos soltos e revoltos
Pele opaca de tão eriçada
O reflexo do sol
Recortava a vidraça
E o fazia procurar ângulos
Melhores para vê-la

Como uma bisbilhoteira daquelas
Poderia oferecer uma cena tão bela?
Ela se contorcia
No lençol macio
Rolava para lá e parava
Com as pernas abertas
Seios perfeitos tinha a danada
Uma de suas mãos
Apertava a ponta do travesseiro
Enquanto a outra brincava
Traçando sonhos sem fim
E desenhos repetitivos
Em pontos delicados
E molhados
Seus olhos viravam
E reviravam nas suas órbitas

De onde ele estava
Não ouvia os gemidos
Que sua boca carnuda sugeria
E Erick, que tinha certeza
Que Déborah Cristina
Era apenas um objeto
Que se intrometia
No amor alheio
Não resistiu
Ao apelo impensado
Daquela linda
Da Déborah Cristina

Quando viu
Estava em pé no seu parapeito
Calculando distâncias
Ele ia pular no espaço
Voar um pedaço
Agarrar-se à sua janela
Fazer força para cima
E entrar no seu corpo
Que tremia e suava

Por um instante
No momento do seu salto
Pode ver seus pés
Pernas esticadas
Pontas dos dedos
Forçadas para cima
Sua boca gritando alto
E seus olhos se abrindo
Esbugalhados
E ele viu que ela o viu
Enquanto gozava dele
Naquela situação escancarada
Tão escancarada quanto ela, ali

E Erick voou no espaço
Mirando sua janela e seu ventre
Pedalou no ar sem parar
Concentração total
Imaginando o final
Membros rígidos sem igual
Mas o vento o empurrou
Quando ele ia segurar no beiral
A sua mão escorregou
Déborah Cristina pulou da cama
E abriu a vidraça como um raio
E viu Erick despencando
Como abacate maduro
Ele, desesperado, pensou rápido
Havia no paredão
Cordas com nós
Que sustentavam um andaime
De pintores admiradores
De quem?
De Déborah Cristina

Onze andares abaixo
Agarrou a corda
Com a vontade de um homem
Que agarra uma mulher
Mas não foi a salvação...
Com o peso do seu desejo
A catraca lá em cima
Foi soltando, afrouxando
A corda descendo
E ele já sentindo
Sua cabeça espatifada
No cimento da calçada
Da Rua Verde

Foi quando Déborah Cristina
Num ímpeto de paixão
Jogou pela janela
Lá para baixo na sua direção
O bico do seu seio direito
Que veio enrijecido e certeiro
Ele o agarrou com sua boca
Apertou nele os seus dentes
E com a força de uma sugada
Estabilizou sua queda
Agarrou o bico com suas mãos
E procedeu sua escalada
Mamilo acima
Déborah Cristina gemia
Soltava berros pela janela
E a três andares
Dele chegar a seu peito macio
Percebeu que o bico dela ardia
Estremecia entumecido
Não ia suportar mais a sua agonia
Cravou então as unhas na parede
E como reflexo
As costas dela sangraram
Corpos tensos, extenuados
Exagerados

Desesperadamente
Erick tentava uma saída
Enquanto Déborah Cristina
Recolhia seu esticado mamilo
Foi aí que uma trança, como corda
Saiu pela janela
Veio em sua direção
E se enrolou nele
Mesmo sentindo a pressão
Segurou-a firme com as mãos
E com segurança foi sendo içado
Tentando imaginar
Que cabelos eram aqueles

E foi subindo, subindo
Quando chegou ao parapeito
Agarrou-se no beiral e pode ver
Déborah Cristina
Com a cabeça e os ombros no chão
Pernas abertas ao máximo
Uma de cada lado da janela
Num movimento contínuo de vai e vem
A trança era formada
Pelos seus pelos pubianos
Compridos e semi-enrolados
Que o puxavam para sua origem
Déborah Cristina estava quente
Vermelha, ardente, decidida
A volúpia foi tão grande
Que Erick entrou inteiro
Naquela caverna escura
Nunca antes penetrada

Ele perdeu o ar
Enquanto se virava
Naquelas paredes molhadas
Escorregadias, benevolentes
Que pulsavam e o apertavam
Até que depois de um tempo
Num esforço colorido
Com um grito de prazer e exaustão
Foi parido
Meio amolecido e sufocado
Quase desfalecido

Deitou-se ao lado dela no chão
E pode ver nas suas mãos
Os cabelos que ela arrancara de si
Enquanto era deflorada
Pelo momento
No seu rosto um sorriso
Seus olhos se fechavam
E se abriam
E pediam... Mais


Déborah Cristina levantou-o
Puxou-o até a sua cama
Deitou-se de barriga para baixo
E o puxou para cima dela
Erick deitou naquele corpo macio
E ela começou a dançar
A rebolar aquela sua música predileta
Tudo se encaixava novamente
Aos poucos
E ele começou a voar outra vez

No chão, ao lado da cama
Algumas gotas de sangue
Déborah Cristina tornara-se mulher
Deixando de ser bisbilhoteira

Nunca mais Déborah Cristina
Fechou aquela janela...


Renato Baptista – Direitos Reservados

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