08 setembro 2007

Feridas




Feridas

Dor essa que arrebata
Dor que fere e não mata
E que vem profunda
Arrancando tremores
Possuindo a vida
Inundando o peito
E destruindo a esperança

Ah! Dor explêndida
Que faz pensar
Que nos faz sentir
Que se anuncia e cala
Como um voraz desespero

Ah! Dor maldita
Que grita, espreme
Faz sofrer desenganos
Arranca pedaços sem pena
Que olho, e está em toda parte

Quanta dor geme essa ausência
E tanta distância se faz presente
Morre o coração a cada segundo
E os pássaros então não voam mais
Nem nadam os peixes
Nem se vêem mais carícias plenas

Nada prevalece
Nada exaurido
Nada profundo
Apenas o corte
As feridas abertas
Cicatrizes anunciadas
No céu vermelho
Na carne vermelha
Machucada...

Bárbara secura d’alma
Estremecendo o dia
Semeando a noite
Calculando o amanhã
Sem quereres
Sem sensações
Sem amor presente
Sem beijos inconseqüentes
Sem nada, sem nada, sem nada mais
Apenas dor maldita
Que fere e não mata
Cruelmente, perversamente...

Renato Baptista – Direitos Reservados

Um comentário:

Anônimo disse...

Renato

Recebi seu e-mail. Vim ver seu blog. Apreciei suas cicatrizes...
Belo poema. Parabéns pela obra. Sempre muito boa.

Um abraço
EdimoGinot