29 outubro 2007

QUE SAUDADE! - Jorge Luiz Vargas



Este amigo poeta, conheço faz pouco tempo... O suficiente para ter certeza que seus poemas vivem. Ele fala de sentimentos e de sensações de forma brilhante.
Onde for que seus versos estejam, são leitura obrigatória.
Obrigado amigo por ter me permitido publicar esse poema que fala tão alto...

QUE SAUDADE!
(jhoyvargas)


Hoje, chorei
Chorei muito quando acordei
Chorei sem saber por quê
Não sei se sonhei
Só sei que chorei

Talvez por motivos do ontem
De ter estado com você
De ter sentido tanto prazer
Em seu corpo me perder
Assim, se chorei
Foi por felicidade
Por felicidade chorei

Talvez também por me acordar
Enxergar minha realidade
De lembrar que amanhã
Você pode ser só saudade
Então se chorei
Chorei de tristeza
E de saudade também chorei

Talvez pelo sentimento
Do amor singular
Que tem tanto do lado daqui
E nenhum do lado de lá
Então se chorei
Dos olhos que antes tão felizes
Deles derramam em vermelhas lágrimas
Então chorei
Chorei com o coração

Mas chorei
Me lembrando de você
Mas na realidade eu não sei
Por quê
Por você tanto chorei
Mas chorei
E vou sempre chorar
Até o dia em que você
Por mim se apaixonar

E dizer bem baixinho
Meu poeta eu amo você
Nesse dia vou chorar
Pra matar a saudade
E reencontrar meu caminho.

Jorge Luiz Vargas
Todos os Direitos Reservados

28 outubro 2007

Através do Tempo



Através do Tempo

Viajei no espaço
Velocidade espantosa
Encontrei uma dobra do tempo
E mergulhei nela profundo
Reverti o relógio
E entrei noutra dimensão
Encontrei-me no passado
Noutra vida
Um outro mundo
Andei pelos caminhos
Desbravei trilhas
Turbilhão de lembranças
E eu conhecia o meu destino
Como se nunca o tivesse esquecido
Corri, tropecei, arrisquei
E achei você
Você que morava ali comigo
Naquela casa bonita
De janelas azuis
Flores à porta
Demarcando a entrada
E através de uma das janelas
Eu pude ver
Eu e você
Abraçados, faces coladas
Dançávamos a música perfeita
Felizes... Inocentemente alegres
Nossos olhos fechados
Sorrisos estampados nos rostos
Eu e você
Numa comunhão que eu sabia
Atravessou existências
Naquele momento
Sem poder entrar
Percebi que eu quase
Me percebi ali
Voei para longe
Saí rápido e rasteiro
Do alcance
Dos meus próprios olhos
Fui de encontro ao nosso futuro
Com a confirmação
Do que eu já sabia
Com a alegria da prova
De que nosso amor é eterno
Viajei de novo pelo espaço
Desafiando o tempo
Sem fixar na memória
Os detalhes do caminho da volta
Cheguei ao nosso tempo...
E encontrei você
Que me esperava para o jantar
Beijei seu sorriso maroto
E percebi o seu olhar de menina
Algo estranho flutuava no ar
Você me chamou
Me abraçou e andou comigo
Até o canto da sala
Ligou uma música
Aquela música...
A música perfeita
Vi seus olhos se fecharem
Vi ainda um sorriso
No canto da sua boca
Você havia me tirado
Para dançar
Lentamente...
Apertei seu corpo contra o meu
E rodei com você
No compasso da música
Naquele instante
Pela janela aberta
Lá fora no jardim florido
Eu vi um vulto
Alguém ali nos olhava
E num repente
Desapareceu por completo
Só pude ver o seu rastro de luz
Que cortava o céu
Como uma estrela ascendente
Ali, eu sabia
Começava uma outra viagem
Mais uma vez se perpetuava
O nosso futuro...


Renato Baptista - Direitos Reservados

27 outubro 2007

Personagem Principal - Tarcísio Zacarias



Tarcísio Zacarias é um amigo poeta. Faz tempo que compartilhamos espaços publicando nossos poemas e conversando sobre a vida.

É um escritor nato e seu talento chega a sobrepor a escrita...

Fica aqui essa homenagem que ele me concedeu que é a permissão de poder publicar esse seu poema inédito.

Vocês podem conferir mais poemas do Tarcísio no seu Blog. É só só clicar no seu nome nos Links aí ao lado.



Personagem principal


Um dia eu quis que você lesse os meus versos.
Queria que o teu olhar habituado a enxergar
as incoerências de um texto mal escrito apontasse
direção e corrigisse o roteiro de uma história
de amor que insistia em não ter final feliz.

Um dia eu quis que você fizesse parte dos meus versos.
Queria mostrar ao meu coração, já tão habituado
aos amores mal sucedidos, que histórias com enredos
felizes podem ser vividas a qualquer momento.

Um dia eu quis que você inspirasse os meus versos.
Aí eu escrevi um poema-convite para você:
Papel de protagonista em uma história de amor
com enredo diferente: começo, meio e final felizes.

Um dia eu terei você e seremos assim:
Personagens principais de uma linda história de amor.


Tarcísio Zacarias


Para P.A.M.
Escrita em 19/10/2007

Direitos Reservados do autor.

24 outubro 2007

Música no Ar



Música no Ar

E a nossa música
Tocou
Fazendo o momento
Suave, piano...
E pela primeira vez
Eu te tirei
Para dançar
O ar ficou
Colorido
E o mundo todo
Girou
Os nossos perfumes
Se misturaram
Assim como
Os nossos corpos
Sensação sublime
Nada mais
Existia
Só o toque, a música
Dançamos sem mexer
Os pés
Só os corpos se moviam
Até se fundirem
Num só corpo
Saímos do chão
Flutuamos
Fomos dançar
Nos céus
Visitamos
O universo
Que o nosso amor
Criou
E um beijo eterno
Como a nossa música
Aconteceu
Senti nos teus lábios
O gosto do amor
Diferente
Daquele sabor de paixão
De sempre
O tempo parou
E algo se perpetuou
Nossos olhares
Nos casaram
E agora, mais que nunca
A nossa música
Ficou gravada
Para sempre
Nos nossos corações
Sublime, suave, piano...


Renato Baptista - Direitos Reservados

23 outubro 2007

Meu Amor



Meu Amor

Eu amo o amor amado
O amor sem fronteiras
Sem tristeza
Sem mágoa
Desprovido de angústia
Eu amo o amor pleno
O amor que Deus escreveu
Que um dia eu sentiria
O amor que ele plantou
Em minha alma
No dia da sua criação
Eu amo esse meu amor
De um jeito perfeito
Com um querer sem fronteiras
E com paixão eloqüente
Eu amo o meu amor
Mais do que tudo
Porque esse meu amor
É você.


Renato Baptista - Direitos Reservados

Escultura



Escultura

Crio formas
Em formas
Perfeitas
Esculpo teu corpo
Com minhas mãos
Nuas
Cruas
Antecipo o teu desejo
Do toque
Com meu toque
De arte
Alisando tuas curvas
Despidas
E arrepiadas
Enxugando o suor
Dos teus poros
Que escorrem molhados
Com minha mão
De artista
Que desenha as tuas formas
No teu corpo formoso
E descubro aos poucos
Que o resultado final
É igual
Você é você
A arte pura
Do meu viver.


Renato Baptista - Direitos Reservados

20 outubro 2007

Talismã



Talismã

Submerso
Nos meus sonhos
Que se afogam
Em saudade
Vagando
E divagando
Pelo tempo
Em silêncio
Segurando firme
O meu talismã
Meu prêmio
O sabor
Do seu beijo
Que me acompanha
Que me inspira
Que me faz
Permanecer seu.


Renato Baptista - Direitos Reservados

Sensualidade



Sensualidade

Eu te vi dançando
Nua
Como o nosso amor
Seios apontados
Salto alto
Desejo equilibrado
Ventre doce embalado
Quadris em sintonia
Com a pele arrepiada
Sensualidade frenética
No rebolado macio
E a música te acompanhava
Às vezes sem ritmo
Por não conhecer como eu
A beleza e a sensualidade
Do teu corpo-mulher.


Renato Baptista - Direitos Reservados

15 outubro 2007

Por incrível que pareça...



Trecho de um conto de Lígia Fagundes Teles

“Quando minha prima e eu descemos do táxi, já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles, vazado por uma pedrada. Descansei as malas no chão e apertei o braço da prima.
- Sinistro.
Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes com liberdade de usar o fogareiro do quarto, a dona nos avisara por telefone que podíamos fazer as refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina.
- Pelo menos não vi sinal de barata, disse minha prima.”


Por incrível que pareça... (Inspirado em conto de Ligia Fagundes Teles)


Ao falar isto, apareceu um exército enorme de baratas gosmentas, nojentas e gordinhas babando para todos os lados. Desesperadas elas saíram correndo, mas o exército seguia-as para onde elas fossem e quando elas iam passar pela porta para irem embora daquele lugar, apareceu o dono da pensão com um rato entre os dentes e um machado ensangüentado nas mãos. Lúcia a prima de Carol falou: - Estamos fritas.
Carol respondeu : - Você está enganada!!!
Carol deu um duplo twist carpado mortal duplo para trás e fugiu das baratas e do dono mau da pensão, porém Lúcia não teve a mesma sorte, as baratas começaram a subir por ela, algumas entrando pelo nariz, outras pela boca até chegar ao cérebro. Enquanto isso, o dono da pensão despejava machadadas, cortando Lúcia em pelo menos 483 pedaços. Carol desesperada entrou num banheirinho que havia no andar de cima da pensão. Ao trancar a porta ela olha para trás e vê um vampiro enorme com seus dentes afiados e babando para ela, sorte dela que ele era covarde, pois ao dar uma cotovelada nele, o vampiro começou a chamar a sua mãe e a chorar como um louco. Ele chorou tanto, tanto que a sala inundou impossibilitando a saída de Carol. Esta, enlouquecida, afundou a cabeça para ver se havia alguma escapatória lá embaixo. Ao abaixar a cabeça ela vê um tubarão com uma bazuca apontando para ela.
Ela virou para o outro lado e viu o espírito de sua amiga Luíza, mas, ôpa, ela não estava normal, ela havia virado um espírito mau e deu para perceber rápido pois a Luíza estava girando uma maça preparada para atirar em Carol que afundou mais ainda e por sorte encontrou uma passagem secreta para fora da pensão.
Ao sair desta, deparou-se com uma nave alienígena lotada de zumbis e extra-terrestres com 79.000.000 de braços, pernas e olhos grandes com crostas de sujeira preta. Estes gritavam: - Fugir não, Fugir não, Fugir não !!!!!...
...Empurraram-na para dentro da casa de novo. Lá dentro novamente, ela vê o dono da pensão com o machado, as baratas, o vampiro, o tubarão com a bazuca, o espírito de Luíza, os zumbis, os aliens, um dragão soltando fogo e um exército de bruxas maléficas soltando raios e trovões pelos olhos rosa pink.
O dono da pensão deu três passos à frente e falou :
-A sua única escapatória é virar um de nós. Beba esta poção mágica que transforma menina coitadinha em lobisomem maléfico.
Carol não tinha mais saída...Até que se lembrou do vidrinho de antídoto radioativo extra-extraordinário, contra todos os males do Universo, que o motorista do táxi que as tinha levado até lá a tinha confiado.
Carol o engoliu com vidro e tudo sem que os monstros percebessem. Na seqüência, ela pegou a poção da mão do dono da pensão e disse que aceitaria virar o lobisomem.
Ao tomar a poção, nada acontece e Carol sai correndo pela porta com os monstros atrás dela.
Ela se esconde atrás de uma árvore que tinha ali por perto.
O único que viu foi o tubarão com sua enorme bazuca que se preparou e atirou...o disparo foi desastroso. Matou todos menos Carol.
Ela então, muito feliz por ter se livrado de praticamente todos os monstros, sai de trás da árvore e quando o tubarão vai atirar nela de novo, chega um carro do ibama que pega o tubarão de surpresa por trás. Muito bravo o tubarão largou a bazuca no chão para que o fiscal não atirasse em suas costas. Ele então é algemado e levado para a delegacia de tubarões para ser preso , pois foi condenado a 50.001 anos de cadeia.
Carol muito feliz e satisfeita chama um táxi para a levar de volta para casa.
Óh!!! O táxi é o mesmo que a trouxe a esta pensão. Carol agradece muito ao motorista pelo antídoto e vai para casa mais feliz do que nunca.
No caminho...O motorista diz que deu o antídoto a ela porque sabia dos perigos daquela pensão. Ele também disse que a tentou avisar mas que ela não havia deixado. Carol agradeceu novamente, desceu do táxi e chegou em sua casa sã e salva...Por incrível que pareça.


Arthur Baptista – O Contista

Arthur é meu filho. Tem 16 anos e escreve contos sempre fantásticos. Um deles foi escolhido e publicado em livro numa antologia de contos.
Aqui ele partiu de um trecho de um conto de Ligia Fagundes Teles que o inspirou a escrever esse conto acima.

Sonhos de Criança



Sonhos de Criança

Revivo de vez em quando lembranças da minha infância. São imagens que me vêm nítidas, atrevidas, desafiando o meu presente.
O cheiro do meu armário de brinquedos, o badalar do relógio de pêndulo do meu Pai, o som da caixinha de música da minha mãe, o tilintar da chuva na janela do meu quarto que anunciava a negativa das brincadeiras na rua.
Lembro da minha primeira bicicleta que tanto castiguei... ela me levou a conhecer o mundo. Recordo-me do aroma de comida que vinha da cozinha e que me lembrava que eu estava com fome. Lembro bem dos meus carros de autorama que eu montava e desmontava peça por peça de olhos fechados, incrementava, envenenava e que me traziam vários troféus.
Lembro-me muito bem dos meus times de futebol de botão que sobrevivem até hoje... Com exceção de alguns jogadores que faleceram com o tempo, racharam e se quebraram e que ganharam um funeral condizente com a sua importância de títulos lá na terra do quintal de casa.
Lembro das figurinhas, do piano que minha mãe tocava nos finais de tarde e nas manhãs de Domingo e dos meses de Julho de frio doído aqui em São Paulo.
E me recordo muito bem dos seriados de TV que eu adorava (assunto para horas a fio) e do meu primeiro radinho de pilha que eu colocava entre a fronha e o travesseiro para minha mãe não ver, pequenino, pretinho e que eu ligava para poder dormir ouvindo música toda santa noite.
Lembro de todos os meus desejos proibidos, inenarráveis, da minha ansiedade por ser alguém grande, adulto que eu não sabia, teria muita saudade de tudo aquilo, de tudo o que eu já era e já tinha.
Eram muitos sonhos... Incontáveis sonhos. Uma visão do mundo não muito clara, condizente com a minha idade. Pouca informação e no coração uma sensação estranha. Eu não sabia o que era. Um algo indefinido e indecifrável. Totalmente incompreendido para mim naqueles dias... uma presença que eu não entendia.
Era você que nascia para mim!


Renato Baptista - Direitos Reservados

06 outubro 2007

Déborah Cristina... Coitada!



Déborah Cristina... Coitada!

Faz tempo
Não é Déborah Cristina?
Seus cabelos cresceram
Até pintou as raízes
Pois é... O tempo não pára
E você aí nessa janela
Bisbilhoteira como nunca

Sabe Déborah Cristina
O meu amor continua grande
Forte, rígido
Como unha pintada
Com aquele esmalte
Para casco de cavalo
É... Fazia tempo que eu não a via

Continuo amando
Dançando no ar
A música da paixão
Beijando de língua
Suando de fazer amor
E você aí nessa janela
Sai daí Déborah Cristina!

Imagino você
Com calos nos cotovelos
E seus olhos de águia
Bisbilhotando o amor alheio
Que feio Déborah Cristina
Que vida a sua
Que não sabe o que é cheiro de amor...

Renato Baptista – Direitos Reservados

Balada do Silêncio



Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura

Estrofe do poema “Soneto de Quarta-Feira de Cinzas”
de Vinícius de Moraes.


Balada do Silêncio

E um enorme silêncio
Toma conta da noite
Mais silêncio
Do que teria
A própria noite
Na sua solidão escura
E eu a tenho nos meus braços
Mas não nos meus abraços
Eu a tenho nos meus lábios
Mas não nos meus beijos
Eu a tenho por completo
Mas levo a vida
Em solidão... Como a noite
E assim, a cada dia
Meu conforto
É sentir saudade
Como o jeito mais simples
De ter você perto de mim
E o meu coração
Se conforma
Em ser uma metade
Batendo em silêncio
Para não me despertar
E eu ter que perceber de novo
A sua eterna ausência.

Renato Baptista – Direitos Reservados

Sem Limites - Por Teus Pés



Sem Limites - Por Teus pés

Lindos pés
Que beijo
E afago
E bebo teus dedos
Tatuo neles
Com meus dentes
Meu fogo
Que te sobe
Pelas pernas
Que ardem
De desejo
E latejam

Arrepiadas...

con
tor
con tor CIO nis mo
nis
mo

Sem hiato sem ditongo
Só encontro flutuante
Mais corpóreo que vocálico

Fogo sobe
Água desce
Viscosa
... Contra-ataque

Pés que beijo
E tu vens descendo
E eu vou subindo
E fazemos amor
Em gangorra
Lúdico querer
De olhos virados
Es bu ga lha dos

E queimamos em fogo
Compulsivamente
Arfando... Sem ar
Depois...
Aninho-me a teus pés novamente
Antes frios e agora dormentes
E os beijo
E afago
E bebo teus dedos
Suados

E os engulo...
Sem limites
Sem pressa
Sem pudor

Até tu enlouqueceres!

Renato Baptista - Direitos Reservados

Beijos e beijos...

Beijos e beijos...

Tem beijo de amor
Beijo de carinho
Beijo de amizade
Beijo com gosto
De geléia de morango
Beijo com gosto
De suco de laranja
... O beijo da tarde
Beijo com gosto
De café com leite
... O beijo da manhã
Tem beijo de paixão
... O beijo da noite
Beijo com gosto
De abobrinha recheada
Beijo
De tudo que é jeito...
E todos os beijos
São bons
Maravilhosos
Com aquele gosto
De beijo beijado
Mas o único beijo
Que eu não quero mais sentir
Nem receber e muito menos dar
É aquele beijo de adeus
Esse... Parece mordida
Ele simplesmente permanece
Enlouquece.

Renato Baptista - Direitos Reservados

Estrela da Minha Vida



Estrela da Minha Vida

Naquela noite linda
De luar de lua cheia
Quando meus sentidos
Se aguçam
Joguei meus pensamentos
E sentimentos para cima
Ao vento
Olhando para o céu azul escuro
E sem nuvens
E ainda com poucas estrelas
Aparentes
Pude então ver um risco branco
Que cortava a imensidão
Como um relâmpago arisco
De repente, aquele raio
Em velocidade assustadora
Aprumou-se em minha direção
E sem que eu pudesse
Respirar de novo
Senti um zumbido agudo e veloz
Passando pela minha cabeça
E estatelando-se no chão
A um metro de mim
Era uma estrela cadente
Que jazia ali, bem à minha frente
Com duas pontas enfiadas no chão
E as outras três
Brilhando para mim
Tentei pegá-la...
Imaginou que relíquia?
Mas qual o quê...
Estava fervendo a danada
Sentei-me ali a velá-la
Como que tomando posse
Do enviado presente
Aos poucos
Os brilhos cintilantes
Foram-se apagando
Ela foi se acalmando, esfriando
E finalmente consegui
Pegá-la em minha mão
Ela era toda branca
E meio desgastada pela viagem
Mas bem no meio dela
Havia uma inscrição em baixo relevo
que dizia assim...
...Eu também te amo!
Tua Mulher.

Você nem sabe
Mas guardei para sempre
Aquele meu presente
Minha fonte de vida
A prova do seu amor
Que veio para mim do céu
Escrito numa estrela.

Renato Baptista – Direitos Reservados

Você... Minha Poesia



Você... Minha Poesia

Poesia em movimento
Entrelaçando palavras
E assim crio meus versos
Que falam de amor
E brilham um pouco mais
Com uma pitada de amargura
E tempero de saudade
São versos que gritam paixão...

E assim percorro dias
Atravesso noites
Sem sossego
Enfeitando papéis
Com adereços poéticos
Crio movimento, cor
Ultrapasso o espaço
Escrevendo versos
Com a sua beleza
E com o seu encanto
E eu nem precisava
Porque me dei conta
Que já tenho você...
Minha melhor poesia.

Renato Baptista – Direitos Reservados

04 outubro 2007

... Porque Existem Amanhãs

... Porque Existem Amanhãs

Brinco com minhas sombras
Fantasmas presentes
Que me rodeiam
Mata-me o desencanto
De um desamor anunciado
Desmonto-me e sofro
Pela premência do destino
Que enfim veio crucificar
Colocando cada coisa
Cada pessoa no seu lugar

Sem meu consentimento
Ando então pelas nuvens
Sem consistência
Sabendo que chegou o dia
E que invasores levarão meu tesouro
Porque nada é possível
Até que simplesmente seja

Assim, eu não dormia
Ficava de guarda
Brincando com sombras
Fantasmas presentes
Que nem sei quem são
E é porque meus olhos
Não se abriam tanto
Ou talvez não soubessem ver
A verdade que dormia ao meu lado
E não adiantou nada, nada
Absolutamente nada
Pois corações não brincam
Apenas esquecem por momentos
E depois voltam, retornam
Ao seu berço imponente
Sem o menor aviso

E por isso brindo diuturnamente
Com meus pressentimentos
Que não falham
Apenas erram alvos, talvez
Erros atrozes, quem sabe
Induzidos pela vida.

... Antes não houvessem esses amanhãs.


Renato Baptista - Direitos Reservados