29 fevereiro 2008

Meus Sonhos, Teus Sonhos



Meus Sonhos, Teus Sonhos

Meus olhos se fecham
Pelos teus
E choram
Lágrimas sentidas
Incumbem-se de sentir
Toda a tua tristeza
Em nome do nosso amor
Maior
Meus cílios se entrelaçam
Úmidos e brilhantes
Como uma teia ao relento
Tentando capturar e acabar
Com toda a dor
Da tua vida vivida
Com a tristeza
Estampada no olhar
Essa é a minha missão
Tentar fazer-te feliz
Por todo o sempre
Com todo o amor
Que tenho no coração
Dando-te carinho
E conforto à alma
Emprestando-te
O ar que respiro
E alimentando
A tua existência
Com toda a minha
Paixão
Sorria o sorriso
Da verdade
Que flutua no ar
Deixa-te levar
Pelos teus sentimentos
E por todos os teus sonhos
Porque hoje eu tenho certeza
Eles se misturam
E vivem com os meus.


Renato Baptista

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Escrito nas Estrelas



Escrito nas Estrelas

Nada mais que uma espera
Uma longa e angustiante
Espera
Fez-se a noite
O dia e a noite
Novamente
Quieta
Iluminada por estrelas
Mas sem luar
Cada constelação
Formava a tua imagem
O teu contorno
Duas estrelas brilhantes
Me mostraram teus olhos
Que piscavam para mim
Como que me tirando
Para dançar
Ao som da quietude
Daquela noite sem luar
Anunciando que breve
A minha espera vai terminar
Choveu naquela madrugada fria
Eram as gotas
Das tuas lágrimas quentes
E salgadas que embebiam
O meu rosto
E entravam pela minha boca
Ávida por sentir
O teu gosto de distância
Mas a espera irá terminar
Assim como aquela
Noite quieta
Eu li isso... Escrito por você
Nas estrelas
Uma parte pequena
Das cartas do nosso
Destino.


Renato Baptista

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09 fevereiro 2008

Homem Pássaro

Arte de Imagem - Maria Inês Simões - AVBL

Homem Pássaro

Procuro seu corpo
Que sempre aquece o meu
Misturando sua pele à minha
Rolo no chão com sua sombra
Em todos os meus momentos
Fazendo um só de nós dois
Numa busca mais do que constante
Olho à minha volta
E encontro no vento a resposta
De porque os pássaros sabem voar...

Bebo seu perfume
Sem nem mesmo pensar no tempo
Enrolo-me e embolo-me
Nos seus cabelos soltos
Que me afogam o rosto
Sinto seu hálito quente
Engolindo o meu
E me alimentando a alma
Sabendo que no vento está escrito
Porque os pássaros sabem voar...

Encanto-me com sua entrega
Com seu amor dedicado
Com sua total rendição
E devolvo ao seu desejo
Todo o meu amor maior
Que atravessa a distância
E beija a sua alma
Fazendo estremecer o seu corpo
Porque vi escrito no vento
Porque os pássaros sabem voar...

Estou embebido pela sua paixão
Enfeitiçado pelos seus beijos
Precisando da sua pele na minha
Ardendo de desejo
Nessa febre convulsiva
Sonhando a cada segundo
Com seu olhar mulher
E com seus carinhos amantes
Porque já sei a resposta
De porque os pássaros sabem voar...

Procuro no espaço sua presença
E estremeço a cada imagem falsa
Desespero-me no seu encalço
Só para sentir seu cheiro de novo
Cheiro presente nas minhas lembranças
Dos momentos vividos em tantas encarnações
E tenho a certeza da sua presença
Da sua proximidade constante
Da mesma forma que sei
Porque os pássaros sabem voar...

E quando me sinto sozinho
Cubro-me com a minha saudade
Meu manto impermeável
Que em mim se enrola perfeito em companhia
Enquanto a espera é o meu consolo
E olho para o céu através da janela
Procurando no espaço por entre as estrelas
A energia que trará o vento sábio
Que me ensinou desde sempre
Porque os pássaros sabem voar...

Tudo porque sei que um dia
Esse vento me dará asas
E me ensinará a nele me sustentar
Alcançando o céu e cobrindo distâncias
Para perto de você eu chegar
E poder deitar em seu colo
Aconchegar-me em seus seios
E sentir seu carinho
Da mesma forma que fariam

Aqueles pássaros que sabem voar...


Renato Baptista

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Escultura de Madeira



Escultura de Madeira

Entalho versos em madeira branca
Corto, goiva, arrisco
E erro a expressão da minha musa linda
Berro, revejo, refaço
Risco e prevejo
Alucinado tento e tento
Entrego-me à lua
Bebo o sol
Afio a lâmina
Espalho a mistura do amor
Com cortes profundos
Sintetizo o desejo
Faço força
Corto o dedo
Respinga sangue no azulejo
Que escorre
Até a orquídea que então revive
Alimentada da paixão
Que flui de dentro de mim
E minha flor de vida
Retratada pelo seu perfume suave
Agreste tentação
Lança raizes em mim
No ar, no espaço sideral
E me transporta ao meu destino
Ao seu lado, de dentro
E a escultura se anuncia viva
Cria forma
Traduz esperança
Como uma criança
Sai da eterna agonia
E lança seu sorriso perfeito
Para cima do meu
Fazendo meu rosto brilhar
Entregando luz aos meus olhos
Que se abrem e brilham
E se reconfortam cicatrizados
Das feridas que a saudade impôs

Compus suave melodia
Que soa infinita
Gravada naquele pedaço cru
De madeira branca e macia
Como seu corpo
Cheio de cor

Que se anuncia... Meu.


Renato Baptista

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Encontrando Uma Saída

Encontrando Uma Saída

Escrevo rápido
E passo batido
Por letras tortas
Atropelo as linhas
E nem termino palavras
Calculo mal, às vezes
Meu texto sem parágrafos
Sem pontos e nem vírgulas
Intrometendo pensamentos
Nas entrelinhas apertadas
Soletrando de vez em quando
Palavras que me soam mal
Enquanto derramo sobre o papel
Meu pensamento atrevido
Que termina por expor
Meus sentimentos não permitidos
E tenho frase para tudo
Leiam com muita calma
Mas não provoquem meu conteúdo
Porque sou teimoso que só vendo
Acabo por grafar tudo aí...
... Se doer, doeu, nem ligo
Mas não escondo atitudes
E também não provoco
Só exponho o que me sacode
Escrevo e escrevo
Esmagando a grafite
Gostando e sorrindo
Rápido, passando batido
Pelas risadas do mundo
Intrometendo nas entrelinhas
Minhas mágoas mais profundas
Meus amores maiores
Minha grande saudade
Minhas alegrias profanas
E toda a minha agonia.


Renato Baptista

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04 fevereiro 2008

Sons e Lençóis



Sons e Lençóis

Música
Melodia
Bate a baqueta
No ar...

Ritmo sob o lençol
Embalo modular
Sons em nuances
Graves e agudos

Reverbera o beijo
Ergue-se a batuta
A clave de sol
Vira lua

E ela nua, crua
Perfumada de mulher
Começa a dança
Sensual, total...


Renato Baptista

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O Teu Caminho



O Teu Caminho

Você vem de tão longe
Passos longos
Certeiros
Rota demarcada
Destino conferido
As nuvens, os rios
Tudo se move como você
Você move o mundo
E faz nossas ruas
Não serem mais desertas
Até o vento forte
Muda de rumo
Por você
Os pássaros migratórios
Traçam novos destinos
Só para acompanhar
Você
Você decidida
Com seus olhos brilhantes
E suas mãos inquietas
Você que está sempre partindo
Em minha direção
E em direção oposta
Não importando
Onde eu esteja
E logo
Teus pés andarão
À minha volta de novo
Teus cabelos se misturarão
Aos meus
E teu corpo se fundirá ao meu
Se ele ainda quiser
Sem aflição.

Sua distância infinita
Brinca de festa
Em outro céu
E agora só resta
O silêncio da mais longa espera.


Renato Baptista

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Noite Vermelha


Noite Vermelha

O céu se esconde
Olhos se viram e reviram e procuram
Nuvens carregadas voam depressa
Com pressa de chegar não sei onde
Estrelas se alternam em suas posições
Brincam de esconder e saltam e brilham
E a vida passa loucamente
Loucamente
Noite após noite
E a lua acanhada não responde
Não se pronuncia
Não se envolve mais nos pensamentos
Não corresponde
E aparece e se esconde
Dos olhos que viram
E reviram
E procuram
Algo mais que lágrimas que escorrem sem pena
E mancham o rosto
De vermelho
Como sangue chorado embrutecendo a feição
O dia não se faz
A manhã morreu e foi para o céu
Brincar com os anjos
Que riem e riem e batem suas asas
Fazendo pouco do chôro chorado
Inundado de lágrimas rubras
Que incendeiam e queimam e marcam
Mais uma noite vermelha.


Renato Baptista

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03 fevereiro 2008

Beijos e Bocas



Beijos e Bocas

Escorregando os lábios
Úmidos e ardentes
Pelas nuvens
De um céu de amor
Sentindo um mar
De cabelos revoltos
Lambendo o rosto
Cheiro de respiração
Perfume mulher
... E bocas se encontram
Se mordem
Se beijam
Murmuram paixão
E se dão permissão
Para mais uma arfante
Explosão de delírio.


Renato Baptista

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Com Gosto de Saudade



Com Gosto de Saudade

Um fino fio
Marca o rosto
Suave, incauto
Brilhante, dolorido
Face cortada, ferida
Pelo caminho da lágrima
Que repousa sem cor
No canto esquerdo da boca
Triste, molhada

Pálido rosto entristecido
Maculado, estremecido
Treme o canto dos lábios
Enlouquecidamente saudosos
Temerosos, enrijecidos
E o gosto da saudade arrepia
Arrebata, mata, morre
Como o sol no poente

Resta, um fino fio...


Renato Baptista


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Haikais - José Alberto Lopes



Haikais

num açucareiro
formigas vão escalando
doces Himalaias

um naco de lua
inda paira na janela
onde já é dia

vento de janeiro
rolam os dias bem ligeiros
logo é fevereiro

o aplauso da chuva
já demora doze horas
regressa o SOLista?

chafariz da praça
crianças se refrescando
no xixi dos anjos

José Alberto Lopes

01 fevereiro 2008

Impulsos - Antônio Cassemiro



Impulsos

Sentimentos e impulsos
Brotam a cada momento...
A mente bailando
Em constante fuga...
Uma fuga fugaz
Transparece na fisionomia
Cansada de cansaço atroz;
Quem dera poder conter
Esta idéia de tempo
A correr e fugir
Como a gazela veloz
Intimamente ligando
O que o incógnito fica
No seio da vida...



Antônio Cassemiro


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