09 fevereiro 2008

Escultura de Madeira



Escultura de Madeira

Entalho versos em madeira branca
Corto, goiva, arrisco
E erro a expressão da minha musa linda
Berro, revejo, refaço
Risco e prevejo
Alucinado tento e tento
Entrego-me à lua
Bebo o sol
Afio a lâmina
Espalho a mistura do amor
Com cortes profundos
Sintetizo o desejo
Faço força
Corto o dedo
Respinga sangue no azulejo
Que escorre
Até a orquídea que então revive
Alimentada da paixão
Que flui de dentro de mim
E minha flor de vida
Retratada pelo seu perfume suave
Agreste tentação
Lança raizes em mim
No ar, no espaço sideral
E me transporta ao meu destino
Ao seu lado, de dentro
E a escultura se anuncia viva
Cria forma
Traduz esperança
Como uma criança
Sai da eterna agonia
E lança seu sorriso perfeito
Para cima do meu
Fazendo meu rosto brilhar
Entregando luz aos meus olhos
Que se abrem e brilham
E se reconfortam cicatrizados
Das feridas que a saudade impôs

Compus suave melodia
Que soa infinita
Gravada naquele pedaço cru
De madeira branca e macia
Como seu corpo
Cheio de cor

Que se anuncia... Meu.


Renato Baptista

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