25 abril 2008

Poeta em Chamas!!



Poeta em Chamas !!

Mais do que tudo na vida
Antes de qualquer coisa
Eu preciso aprisionar o amor
Acorrentá-lo, deixá-lo bem perto
Lá dentro do meu coração
Trazê-lo ferido, mordido
Do jeito que for
Para o lado de dentro
Da minha alma
Eu preciso transpor as verdades
Abordar a paixão
E seqüestrá-la sem nunca
Pedir resgate
Aquela coisa de viver intensamente
Cada segundo, cada pensamento
Cada ato de fazer amor
Transbordar de sensações
Corrompendo a retórica
E estuprando as mentiras
Fazendo o sofrimento sofrer
E arrancando lágrimas vermelhas
Das distâncias
Chegue mais perto meu amor
Naquela distância insegura
Aproxime teu ventre do meu
E desnude teus seios serenos
Renda-se de uma vez
Entregue teu corpo
E desencante teu espírito
Chegue bem perto
Porque antes de qualquer coisa
Irei, para sempre
Aprisionar o teu amor
E isso é perpétuo !


Renato Baptista

Abril 2008

Ao Sabor do Vento



Ao Sabor do Vento

Eu me despeço
E sigo trôpego
Ao sabor do vento
A madrugada escura
Envolve com seu nevoeiro
A minha alma
E o meu coração
Segue apertado
Batendo descompassado
E chorando
A tua ausência
Gritando a distância
Dos teus beijos
E deixando escorrer
Uma lágrima vermelha
Que se misturou
Ao escuro da noite
Enfeitando a saudade
E o sofrer de mais uma espera
Com a cor escarlate
E o vento soprou forte
Cortando o meu rosto triste
Carregando-me para cada vez
Mais longe
O vento sibila
Nos meus ouvidos
E congela os meus lábios
Que agora já não sentem
O calor dos teus
Vento cruel
Irresponsável
Que veio, não sei de onde
Com a missão de nos separar
Mas que ele não saiba
Que enquanto ele soprava
Com sua volúpia indesejável
Ele trouxe para mim
O teu perfume total
E eu aqui calado
Sorrio pela felicidade
De guardar na distância
O teu cheiro
Que é o meu cheiro
Que me invade tirano
Ao sabor do vento.


Renato Baptista


Abril 2008

01 abril 2008

Percepção

Percepção

Desalinho, como planetas em desuso
Carregando luzes e sons e cheiros
Sabores que brotam agora e depois
E causam espanto e ansiedade
Calculam os amanhãs esquecidos
Universo se prontifica e se apruma
Como causa sem conseqüência
Brusca alteração de alma, de cor
E o horizonte se completa
Com luzes, brilhos intensos
Inalteradas sensações se perpetuam
Sem choro, sem lágrimas, sem lamentos
E mais e mais o sol nasce de novo
E de novo aquece o frio sem pensar
Trazendo paz e calma para os corações
Corações que transitavam perdidos, aflitos.


Renato Baptista

Direitos Reservados

Grito de Dor



Grito de Dor

Não sei se tanto
Desumano e errante
Empunho punhal à proa
Medalha no peito
Sobre o coração partido
Tão cansado de partidas
Idas e idas sem volta
Nessa maldita vida

Não sei se tanto
Mas a cama desarrumada
E o carro sem controle
Se enchem de nós
De nós e mais nada
Como uma grávida de vento
Sem intento, sem previsão
Como bote sem remo no mar

Vai o maldito sol nascer de novo
Escondendo a desgraçada da lua
Que já esqueceu de brilhar
E que num momento pleno e evasivo
Solta gritos cheios de estrelas no céu
Céu seu, meu, sem cor, sem cheiro
Sem nada e repleto de sangue azul
Que escorre como lágrimas anis
Pelo rosto que se borra de cor fria
Alucinada matiz cheia de medo
Com contornos eróticos decepados
Que mostram imagem rasgada
Imagem do rosto sem tolerância
Cheio do espectro do medo
Que furam os olhos que escorrem
E mancham a camisa suada

Não sei se tanto assim
Mas o próximo me atordoa
E minha mira se aguça
Preparada para disparar
Em tudo que se aproximar
Porque meu amor não brinca
Executa brincando e sorrindo
Como um louco que se satisfaz

Morro a cada segundo
E sigo como moribundo
Sem êxtase, sem colo
Acreditando em Deus
E rindo de mim sem pena
Deveras um substrato instintivo
Da paixão sem limites
Que espera ser cremada.

Bandido desespero açoita o esplendor
Cultivando mais um desesperado grito de dor.


Renato Baptista


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