25 abril 2008

Ao Sabor do Vento



Ao Sabor do Vento

Eu me despeço
E sigo trôpego
Ao sabor do vento
A madrugada escura
Envolve com seu nevoeiro
A minha alma
E o meu coração
Segue apertado
Batendo descompassado
E chorando
A tua ausência
Gritando a distância
Dos teus beijos
E deixando escorrer
Uma lágrima vermelha
Que se misturou
Ao escuro da noite
Enfeitando a saudade
E o sofrer de mais uma espera
Com a cor escarlate
E o vento soprou forte
Cortando o meu rosto triste
Carregando-me para cada vez
Mais longe
O vento sibila
Nos meus ouvidos
E congela os meus lábios
Que agora já não sentem
O calor dos teus
Vento cruel
Irresponsável
Que veio, não sei de onde
Com a missão de nos separar
Mas que ele não saiba
Que enquanto ele soprava
Com sua volúpia indesejável
Ele trouxe para mim
O teu perfume total
E eu aqui calado
Sorrio pela felicidade
De guardar na distância
O teu cheiro
Que é o meu cheiro
Que me invade tirano
Ao sabor do vento.


Renato Baptista


Abril 2008

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