01 abril 2008

Grito de Dor



Grito de Dor

Não sei se tanto
Desumano e errante
Empunho punhal à proa
Medalha no peito
Sobre o coração partido
Tão cansado de partidas
Idas e idas sem volta
Nessa maldita vida

Não sei se tanto
Mas a cama desarrumada
E o carro sem controle
Se enchem de nós
De nós e mais nada
Como uma grávida de vento
Sem intento, sem previsão
Como bote sem remo no mar

Vai o maldito sol nascer de novo
Escondendo a desgraçada da lua
Que já esqueceu de brilhar
E que num momento pleno e evasivo
Solta gritos cheios de estrelas no céu
Céu seu, meu, sem cor, sem cheiro
Sem nada e repleto de sangue azul
Que escorre como lágrimas anis
Pelo rosto que se borra de cor fria
Alucinada matiz cheia de medo
Com contornos eróticos decepados
Que mostram imagem rasgada
Imagem do rosto sem tolerância
Cheio do espectro do medo
Que furam os olhos que escorrem
E mancham a camisa suada

Não sei se tanto assim
Mas o próximo me atordoa
E minha mira se aguça
Preparada para disparar
Em tudo que se aproximar
Porque meu amor não brinca
Executa brincando e sorrindo
Como um louco que se satisfaz

Morro a cada segundo
E sigo como moribundo
Sem êxtase, sem colo
Acreditando em Deus
E rindo de mim sem pena
Deveras um substrato instintivo
Da paixão sem limites
Que espera ser cremada.

Bandido desespero açoita o esplendor
Cultivando mais um desesperado grito de dor.


Renato Baptista


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