22 maio 2008

Com Gosto de Saudade



Com Gosto de Saudade

Um fino fio
Marca o rosto
Suave, incauto
Brilhante, dolorido
Face cortada, ferida
Pelo caminho da lágrima
Que repousa sem cor
No canto esquerdo da boca
Triste, molhada

Pálido rosto entristecido
Maculado, estremecido
Treme o canto dos lábios
Enlouquecidamente saudosos
Temerosos, enrijecidos
E o gosto da saudade arrepia
Arrebata, mata, morre
Como o sol no poente
Resta, um fino fio...


Renato Baptista

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Nas Entrelinhas...



Nas Entrelinhas...

Dormindo com a saudade
Esse meu sonho constante
Em meio à tempestade
Que dança no ar e me aplaude
E ri de mim às gargalhadas
Gelo de pensar, se assim consigo
E congelo pensamentos
Para que não fujam mais
Enquanto os sentimentos sofrem
Agonizam, se estrepam
E permanecem nas ausências
Na distância dos doces momentos
Que não gritam mais
Apenas sussurram desejos
Lamentam e se lamuriam
Choram cataratas
E não cicatrizam...


Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

13 maio 2008

When you say that you go away…



When you say that you go away…

Go! Do that
Leave quite
Go away for the life
Without say again
That you love me
Leave running, go
Run over the storm
Blow out the band of a candle
Upshot the stringed
Become impatient through the streets
Finding
That your course
It’s not disorientated
Go fast! And don’t forget
To carry your dress
That one that you take off
When you are with me
Take everything!
Your perfumes, your ear rings
Your pictures and flowers
That one day I gave you
Don’t forget to take
Your dreams too
Just leave with me
My owns one
Because they will
Show me every night
That one day you will come back
That one day I will feel again
Your perfume on the air
I will take off your ear rings, your dress
And I will make you dream again
Go away! I don’t care
Because I know that your destiny
It’s here by my side
In that same place.

Renato Baptista
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Tradução: Evelyn Soares

Meu agradecimento especial a Evelyn Soares, noiva do meu amigo Guilherme Simão, que me presenteou com a tradução da minha obra.

04 maio 2008

“amores verdadeiros nunca dizem adeus” - Daufen Bach



“amores verdadeiros nunca dizem adeus”

eu vim para ti desde o primeiro domingo de minha vida
e como reles sonhador, fiz de tua carne minha edenia
e muito além da luz, do visível, dos louvores... eu te figurei,
e a coloquei para sempre num palácio adornado de flores,
protegida do pranto, da fúria e da tristeza da agonia.
és meu pacto com a humanidade que em mim reside e,
nunca hei de permitir que sofras o desatino de não ser amada,
tampouco deixar, te saber sozinha, na multidão que segue,
teus erros todos indenizei, são agora em mim morada
e sigo como águas em noite de relâmpagos, entregues.

eu vim para deixar em teu sangue, traços de divindade,
a tolher de teu coração o tumulto da solidão que inventei,
te fiz fortuna maior, o grande tesouro para a minha vida
e quis sempre nos amanheceres armá-la de alegrias
para perdurar o teu beijo em minha face ressequida.
ah! mulher...musa, em teu afeto todos os bálsamos,
para estes tempos duros que o destino nos propicia...
não a deixarei que sigas, andante anônima pelo mundo,
como cúmplice e ignoto, serei luz de um astro vagabundo,
a guiar teus passos em todas as jornadas que inicias.

não deixe-me com esse rosário de lições que não conheço,
eu sei apenas dos pirilampos que brincam em teus olhos
e aprendi a embalar orquídeas quando estou em tuas mãos,
não deixe-me nesse dia qualquer... pesa-me os sobrolhos
e dói, lúcido descobrir que esse amar é uma mera ilusão.
ah! mulher amada, volte, deixe-me afagar os teus cabelos,
dar-te a minha ternura, pois ela conhece as trilhas da paz,
são teus os meus momentos, meus versos, meus zelos
e tudo que fui em todo este tempo construído de solidão...
são tuas as minhas lágrimas, o meu sorrir e os meus desvelos.

perdoe-me se falo assim, se te pareço insensível ou infame,
é que encontrei-te quando não mais tinha sonhos e, me perdia,
e esses cacos meus resistiram, e se hoje inda aqui, sobrados
sobrevivem por que foram por ti e pelo teu sorriso, ajuntados...
não sabem mais agora voltar a ser aquele de vida vazia.
perdoe-me se te acordei de teu sono de pássaro, se fui tempestade,
se disparei flechas que seguiram junto a ondas de vento
se te fiz estrela maior, poli teu brilho e depois a afoguei na noite
é que essas mãos, pobres de encantos, mas com intensidade
de tormentos, eu nunca soube, serem elas... açoites...
perdão se eu nunca percebi que o amor poderia ser lamento.

amada minha, nos ferimos de primavera em meio ao inverno,
pintamos quadros e demos cores aos dias em eclipses,
nos possuímos e tardamos as horas nas cabeceiras dos rios,
e navegantes, das horas apertadas pela presença, fomos cios...
não nos atemos que éramos nós... Orfeu e Eurídice.
perdoa este que não sabe onde ancorar o corpo descrente,
que se quebra, se reparte mas eu teus olhos vê a lua nascente
a revolver as águas, a acordar as ondas e incitar o preamar,
e se respira, lembra-te, e se revolto, busca-te, e se remanso, lágrimas
mas sempre é na tua imagem, perdido em sem rumo que ousa navegar.


se pode o tempo amada minha, ao mármore atrever,
se desliza no peito do poeta a noite e suas fronteiras,
vens...fique comigo até que chegue a hora derradeira
em que o poeta, liberto, em teu corpo estará a escrever
a poesia do universo que te fez a musa e a elegeu primeira.
perdoa mulher amada esses assombros e a loucura de mim,
e dê-me de volta o primeiro sorriso que vi dos lábios teus,
já é tão distante o sentir do gosto de nossas peles
e por mais absurdo que esse sentimento se revele,
saibas que amores verdadeiros não conhecem adeus.


Daufen Bach
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Viver - Beatriz Prestes



Viver

Quando olho em teus olhares
E pretendo a tua pele
É como adentrar
No desconhecido
Do que chamam paraíso
Na verdade
É melhor que isso
A perfeição dos instantes
Cheios de minúcias
Paixão adentrando
Abrindo caminho em meu corpo
Que vai aguando em vida
A minha pele tão sentida
Momentos inéditos
Que como em sonho
Custo muito a acreditar
Cada toque, é outro toque
E este outro toque
Faz-me eletrizar
Desejando momentos
De cumplicidade em paixão
Até o tom da tua voz
Recebe nova coloração
Tudo é sempre novo entre nós
Cada momento
É uma história de emoção
Em nós tudo reconhecemos
Pois somos amor
Um na alma do outro
Somos um
Assim é que vivemos

Beatriz Prestes
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