04 maio 2008

“amores verdadeiros nunca dizem adeus” - Daufen Bach



“amores verdadeiros nunca dizem adeus”

eu vim para ti desde o primeiro domingo de minha vida
e como reles sonhador, fiz de tua carne minha edenia
e muito além da luz, do visível, dos louvores... eu te figurei,
e a coloquei para sempre num palácio adornado de flores,
protegida do pranto, da fúria e da tristeza da agonia.
és meu pacto com a humanidade que em mim reside e,
nunca hei de permitir que sofras o desatino de não ser amada,
tampouco deixar, te saber sozinha, na multidão que segue,
teus erros todos indenizei, são agora em mim morada
e sigo como águas em noite de relâmpagos, entregues.

eu vim para deixar em teu sangue, traços de divindade,
a tolher de teu coração o tumulto da solidão que inventei,
te fiz fortuna maior, o grande tesouro para a minha vida
e quis sempre nos amanheceres armá-la de alegrias
para perdurar o teu beijo em minha face ressequida.
ah! mulher...musa, em teu afeto todos os bálsamos,
para estes tempos duros que o destino nos propicia...
não a deixarei que sigas, andante anônima pelo mundo,
como cúmplice e ignoto, serei luz de um astro vagabundo,
a guiar teus passos em todas as jornadas que inicias.

não deixe-me com esse rosário de lições que não conheço,
eu sei apenas dos pirilampos que brincam em teus olhos
e aprendi a embalar orquídeas quando estou em tuas mãos,
não deixe-me nesse dia qualquer... pesa-me os sobrolhos
e dói, lúcido descobrir que esse amar é uma mera ilusão.
ah! mulher amada, volte, deixe-me afagar os teus cabelos,
dar-te a minha ternura, pois ela conhece as trilhas da paz,
são teus os meus momentos, meus versos, meus zelos
e tudo que fui em todo este tempo construído de solidão...
são tuas as minhas lágrimas, o meu sorrir e os meus desvelos.

perdoe-me se falo assim, se te pareço insensível ou infame,
é que encontrei-te quando não mais tinha sonhos e, me perdia,
e esses cacos meus resistiram, e se hoje inda aqui, sobrados
sobrevivem por que foram por ti e pelo teu sorriso, ajuntados...
não sabem mais agora voltar a ser aquele de vida vazia.
perdoe-me se te acordei de teu sono de pássaro, se fui tempestade,
se disparei flechas que seguiram junto a ondas de vento
se te fiz estrela maior, poli teu brilho e depois a afoguei na noite
é que essas mãos, pobres de encantos, mas com intensidade
de tormentos, eu nunca soube, serem elas... açoites...
perdão se eu nunca percebi que o amor poderia ser lamento.

amada minha, nos ferimos de primavera em meio ao inverno,
pintamos quadros e demos cores aos dias em eclipses,
nos possuímos e tardamos as horas nas cabeceiras dos rios,
e navegantes, das horas apertadas pela presença, fomos cios...
não nos atemos que éramos nós... Orfeu e Eurídice.
perdoa este que não sabe onde ancorar o corpo descrente,
que se quebra, se reparte mas eu teus olhos vê a lua nascente
a revolver as águas, a acordar as ondas e incitar o preamar,
e se respira, lembra-te, e se revolto, busca-te, e se remanso, lágrimas
mas sempre é na tua imagem, perdido em sem rumo que ousa navegar.


se pode o tempo amada minha, ao mármore atrever,
se desliza no peito do poeta a noite e suas fronteiras,
vens...fique comigo até que chegue a hora derradeira
em que o poeta, liberto, em teu corpo estará a escrever
a poesia do universo que te fez a musa e a elegeu primeira.
perdoa mulher amada esses assombros e a loucura de mim,
e dê-me de volta o primeiro sorriso que vi dos lábios teus,
já é tão distante o sentir do gosto de nossas peles
e por mais absurdo que esse sentimento se revele,
saibas que amores verdadeiros não conhecem adeus.


Daufen Bach
Direitos Reservados

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou aqui e amando o que meu coração vê, sente, não apenas o leio, Renato. Divino! Simplesmente maravilho! Obrigada pelo convite e sempre que meu tempo me der tempo, especialmente meu coração clamar por mais beleza, estarei aqui a navegar pela tua sensibilidade. Parabéns e muita luz, meu caro poeta,
Isabelle