22 junho 2008

Cais da Saudade



Cais da Saudade

Navegando pelo rio
Sem avisos
Rio do meu caminho
Correnteza abaixo
Só conduzo
O leme arredio
Nessa contramão
Da história
Água turbulenta à frente
Levanta a proa
Impulsiona a mente
O barco voa
Mesmo sem asas
Desafia o vento contrário
E emboca numa onda macia
Que acerta o rumo
A bombordo
Mesmo que em águas rasas
E corrige a rota
Rumo ao cais que me espera
Estou de alma lavada
Água por todo lado
Rajadas daquele vento
Cortando o meu rosto
Ao relento
Mas flutuo firme
Fazendo a minha vida
Revelando o meu futuro
E escrevendo a minha história
O que sempre foi meu intento
Que o meu amor
Me espere
Naquele cais da saudade
Eu chegarei lá
Respingado, encharcado
Mareado
Mas chegarei...
Mais cedo ou mais tarde.


Renato Baptista

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