20 junho 2008

Poema Chorado



Poema Chorado

Fica nos lábios esquecidos e trêmulos
A sensação do primeiro beijo
E de tantos que nem sei
Resta o sabor do desejo
Que não morre enquanto eterno
... Que é
Fica na pele o calor do querer
Dos toques de amor que arrepiam
A alma fria e solitária
Resta o perfume que envolve
Que resistirá no ar
Sempre e sempre
Porque nenhum outro corpo
O merece exalar
Fica uma cama vazia
Lençóis revirados, embolados
Tolhas molhadas, esquecidas
E uma bandeja de café, vazia
Restam lembranças sinceras
Porque o único amor nunca se esquece
Ficam momentos no coração
De uma vida que se foi
Com morte anunciada
Trocam-se, sem sentido, as tristezas
Solidão aparente torna-se solidão ferida
E nem houve último beijo
Nem nunca haverá
Não existiu último abraço com os corpos nus
Porque eles não se pertencem mais
Mas um dia haverá um olhar
Que cantará os versos deste poema chorado
Inspirado no sofrimento do nunca mais
E os olhos machucados, lacrimejantes
Com a visão turva e embaçada
Talvez entenderão tardiamente
Que para um grande amor
É impossível dizer adeus.

Morre-se na vida
A cada dia um pouco
Ou de uma vez
Se assim o permitirmos
Mas tua alma doce e triste
Prerrogativa de quem teve um grande amor
É minha eterna prisioneira.


Renato Baptista

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