19 julho 2008

Risco do Desconhecido - Mariam Baidarian


Mariam é uma amiga poeta de Uberlândia. Escreve com personalidade e é sempre autêntica nos seus dizeres, se revela a cada linha e emerge nos textos seja em prosa ou poesia.
É autora do livro “Introspectiva” e presença singular na Universidade Aberta à Maturidade da PUC/SP.

Fragmento do texto de apresentação do Livro CD “Para Concordar ou Discordar”, escrito por Vitória Kachar – Professora Doutora em Educação da PUC de São Paulo.



Risco do Desconhecido
(Do Livro CD “Para Concordar ou Discordar”)


Meu corpo pede você,
Minha cabeça diz não!
Meu sono sonha você
E eu me consumo de paixão.
Neste devo não devo
Eu sei que vou lhe perder,
Nem assim eu me atrevo
A mudar meu jeito de ser.
Eu queria me dar sem reserva,
Correr o risco do desconhecido,
Sem o medo que preserva
Ver o dia amanhecido.
Meu carinho tão envergonhado,
Meu beijo tão desajeitado,
Me faz sorrir de desejo
E querer você ao meu lado.
Eu queria um amor sem culpa,
Que me deixasse inteira e feliz.
Não queria me dar a desculpa
De que foi Deus quem quis.

Mariam Baidarian

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Agradeço à grande Poeta Mariam a honra de me permitir, como presente, publicar essa sua obra aqui na Academia da Poesia.

Renato Baptista



Anoiteceu



Anoiteceu

Anoiteceu
Apagou a luz
Do meu coração
Palavras cruas
Arruaceiras, duras e nuas
Invadiram o firmamento
Esconderam o sol
Que fugiu depressa
De medo, de pavor
De mais um holocausto
Explosão de novas
Na imensidão de distância

Anoiteceu
Apagou a luz
De minh’alma
Sublime esperança
De um amanhã iluminado
Vem em sonho
Naquele sono inconstante
Que almeja, que grita
Por um novo raio de sol
Que venha com seu olhar
Com sua oração sublime
E que me acorde devagar.


Renato Baptista

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Balada do Encontro



Balada do Encontro

Caminho pelos caminhos
Pelas ruas da cidade
Aço frio, vidro cortante
Concreto cinza, pálido
Luzes apagadas, cálices caídos
Na noite mais do que gelada
Uma garoa fina
Molha mais do que o mar
E o vento rápido
Corta o rosto como navalha
Não há mentes nem pessoas
Não há sonhos no ar
Nessa madrugada cheia de medo
E eu caminho...
Caminho e procuro
O brilho dos seus olhos
Em cada esquina, em cada beco
Pobre coração dilacerado
Arrebentado
Que bate embalado
Pela nona sinfonia que ecoa
A garoa se encorpa, cresce
Alimentada pelas distâncias
E a chuva se cria
Lá vem água, molhada, desprevenida
Invadindo a cidade fantasma
Encharcando meus pés
Pés que me levam
Que procuram minha felicidade
Ensinando-me a cortar caminhos
E chuto o aço para o espaço
Quebro o vidro sem sentido
Arranho o concreto com as unhas
Desalinho a cidade vampira
Água de chuva e sangue escorrem
Lavando tudo e colorindo os bueiros
Acendo luzes nas esquinas
Incendeio postes
E ando, e corro e procuro
E acho seus olhos
Encontro você
Deusa da minha noite
Senhora dos meus sonhos
Totalmente minha.

O vento pára
O mundo não gira mais
Pára a chuva
Não há mais medo
Meus pés sossegam
Minha boca beija a sua
Flores se abrem
O amanhã se anuncia
Num primeiro raio de sol
Que saiu dos seus olhos
Lindos...


Renato Baptista

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Passageiro da Sombra


Passageiro da Sombra

Quem me viu
Numa lasca de lua
Pela fresta do espaço
Num raio de luz

Quem me viu
Sorrindo amor
Bálsamo de Deus
A passos largos

Quem me vê
Passageiro da sombra
Molhado de chuva
De lágrimas vermelhas

Quem me vê
No escuro do céu
Voando sem volta
Sem coração, sem nada

Quem me escuta
Agora
Ferido de morte
Cheio de farpas

Quem me escuta
Em meio ao pesadelo
Da música surda
Carregado de ilusão

Quem me escuta
Pela vida, agora
Olhando as pedras que piso
... Ninguém

Quem me olha
E nem me vê
Na triste solidão
Sabe o que eu falo

Passageiro da sombra
Voando sem volta
Ferido de morte
Carregado de ilusão

Sem doce, sem alma
Sem beijos, sem nada mais.



Renato Baptista


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11 julho 2008

Maçã do Amor - Dueto com Miguel Eduardo Gonçalves



O momento poético desse meu grande amigo, poeta-maior, inspirou esse dueto que considero pleno.
Incrível como arte se une à inspiração e somos levados, cada um em seu momento, a um resultado que apesar de cada um falar da sua realidade, tudo resulta em uma forma de expressão única.
A raiz do dueto foi escrita pelo Poeta Miguel eduardo Gonçalves... Um dos maiores escritores que já li e tenho orgulho de tê-lo como amigo.

Maçã do Amor

Ato 1

Viçosa do perfume raro // Tal qual esperança que fica
Não te aquietes pela alcova do cérebro // Transcenda minha espera e agonia
Desejos e vontades reprimidos // Que sofre ácida espera acinzentada
Tuas sensações povoam as noites // Tão eternas na minha solidão
De sabores sensacionais // Que guardei de ti nos lábios
De narcóticos odores // Sinais de mágicos sabores perdidos
De volúpia alucinada // Que minha amada gritou um dia
E, onde reina a paixão ardente // Eloqüente tentação lancinante
A língua ondeia a pele // Buscando os gostos exóticos e ardentes
Caminhando por entre a cor // Que teu beijo em mim tatuou
Do calor // Contraste da tristeza infame e descabida.

Miguel e Renato

ATO 2

Cai fruta-pão proibida
E rola pelo chão exalando tua dor
Abre-te e mostra tua semente ferida

Consola-me maçã do amor
Tez ferina em nuances coloridas
Reluzente eterna, meiga, meu sabor.

Renato

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04 julho 2008

Para Quem me Ama



Para quem me Ama...

Cores, temperos
Flores, nuances
Brilhos mágicos
Formas que dançam
Na lua cheia
Movimentam o espírito
Eu vejo isso
Onde quer que eu vá
E o porta-retrato
Onde coloquei sua foto
Vai comigo
Para todo lugar
Sua presença constante
O cheiro do seu corpo
Que me embriaga
Meu ópio, meu desejo
Minha perícia
Em amar você
Que penetra esse seu céu
Onde nenhum outro pássaro
Arrisca voar
O lar da minha paixão
Ardente
Minha pousada da alma
Minha mulher colorida
Temperada
Que dança ao som
Dos brilhos mágicos
E da música do meu olhar
Em noite de lua cheia
E que se move
E que sorri para mim
Em qualquer lua
De sol a sol
Desprendendo calor
Pelo suor
Que me queima a pele
E me embebe de sabor
Minha mulher, minha flor
Senhora dos meus sentidos
Meu grande e verdadeiro
Amor
Embriagante
Que voa agora como um anjo
Pelos caminhos da vida...


Renato Baptista

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