19 julho 2008

Balada do Encontro



Balada do Encontro

Caminho pelos caminhos
Pelas ruas da cidade
Aço frio, vidro cortante
Concreto cinza, pálido
Luzes apagadas, cálices caídos
Na noite mais do que gelada
Uma garoa fina
Molha mais do que o mar
E o vento rápido
Corta o rosto como navalha
Não há mentes nem pessoas
Não há sonhos no ar
Nessa madrugada cheia de medo
E eu caminho...
Caminho e procuro
O brilho dos seus olhos
Em cada esquina, em cada beco
Pobre coração dilacerado
Arrebentado
Que bate embalado
Pela nona sinfonia que ecoa
A garoa se encorpa, cresce
Alimentada pelas distâncias
E a chuva se cria
Lá vem água, molhada, desprevenida
Invadindo a cidade fantasma
Encharcando meus pés
Pés que me levam
Que procuram minha felicidade
Ensinando-me a cortar caminhos
E chuto o aço para o espaço
Quebro o vidro sem sentido
Arranho o concreto com as unhas
Desalinho a cidade vampira
Água de chuva e sangue escorrem
Lavando tudo e colorindo os bueiros
Acendo luzes nas esquinas
Incendeio postes
E ando, e corro e procuro
E acho seus olhos
Encontro você
Deusa da minha noite
Senhora dos meus sonhos
Totalmente minha.

O vento pára
O mundo não gira mais
Pára a chuva
Não há mais medo
Meus pés sossegam
Minha boca beija a sua
Flores se abrem
O amanhã se anuncia
Num primeiro raio de sol
Que saiu dos seus olhos
Lindos...


Renato Baptista

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Um comentário:

Lilioan M.Bessani disse...

Um poema assim acaba com a prosa. Muito bom, poeta.
Virarei assídua frequentadora do espaço.
Beijos da Lilian Maria Bessani