30 agosto 2008

Para Falar de Lágrimas



Para Falar de Lágrimas

Não sei se são justas
As lágrimas que rolam
Não sei se representam
Os contornos que deixam
Nos fios tatuados no rosto
Não sei se levam em si
A dor que as constroem
Ou seriam alegrias?
Só sei que elas teimam
Teimam em se retorcer
E a escorrer sem rumo
Com transparência desnuda
Só sei que fazem levar mãos
Aos rostos que ferem
Mãos que se molham
De um doce salgado
E suam e tremem
Lágrimas por lágrimas
Atributo de quem ama
Fluido de quem sofre
Leveza de quem ri e chora
Até que os ventos as levem
Como vapor carregado
E a tristeza se esvai
A alegria permanece
Ou, o inverso desses versos.

Doce e triste dilema da natureza da alma...


Renato Baptista

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27 agosto 2008

Espera Insana



Espera Insana

Insana mente
Decadente
Incoerente
E solenemente
Persistente
E demente

Insana mente
Que mente
E desmente
Simplesmente
Erroneamente
E soberbamente

Insana mente
Displicente
Descrente
Doente
Maledicente
E dormente

Insana mente
Insanamente
Te espera...


Renato Baptista

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Agonia



Agonia

Fecho meus olhos
E nem vejo o mundo
Escapam da vida
Meus lindos sonhos
Meu sono não adormece
E me sinto cansado
Cansado e ferido
Exausto e sem brilho
Como se não suportasse
Todo o azul é negro
E a esperança é fluida
Mares me levam
Mares de lágrimas
Incontidas e severas
Tristes e lancinantes
Como adagas
Que me cortam o rosto
E fazem-me sangrar
Enrubescendo meus lábios
Que desaprendeu a vida
Fecho meus olhos
E não vejo mais
Não vejo os seus
Que um dia
Fizeram-me sorrir.


Renato Baptista

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24 agosto 2008

Releitura



Releitura

Posso ler nos seus olhos
Todos os meus segredos
Vejo-me em cada lágrima
Cada lágrima derramada
Que escorre pela sua face
E que me desnuda a alma
Lembro-me desses olhos
Que já não me vêem mais
Tenho em mim o seu olhar
Que tanto me fez sonhar
Olhar de amor amado
Sofrido e chorado
E meus segredos se foram
Carregados pelas lágrimas
Soltas e alucinadas
Que hoje percorrem o ar
Sem destino, sem amanhã
Cheias de medo
Cheias de ódio
Cheias do vazio que ficou.

Renato Baptista


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17 agosto 2008

Ilusão // Da Minha Saudade - Dueto / Beatriz Prestes e Iza Klipel



Ilusão // Da Minha Saudade

Penso às vezes que te escuto
Julgo teu cheiro sentir
Imagino que se meus braços estender
Teus macios carinhos vou conseguir

Lanço-me à brisa dos meus devaneios
Em febre de lembranças te invento
Nas conchas das minhas mãos recolhendo-te
Unindo os meus e os teus fragmentos


Movimento meu corpo em tua busca
Cogitando tua direção
Fantasiando tantos momentos
De corpo em corpo com paixão

Recebo da ternura da tua alma
Bouquês de futuro... Gardênia em botão
Luar nascente à janela da minha saudade
Afagando-me em espírito o coração


Muda ilusão em quarto escuro
Que transforma em música o silêncio
Quer distrair meus olhos
Onde fechados cultivo meus desejos

Regando de sonhos um venturoso amanhã
Lençóis florados de felicidade
Vidas cúmplices amando-se sem sombras
Primaveras soalheiras alvorando à porta da nossa
.............................................................Realidade


Beatriz Prestes //Iza Klipel
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Espera



Espera

Que falta faz o seu olhar
Que entra em mim
E em meus olhos se instala

Que falta me faz o seu abraço
Quente e apertado
Que em meu peito se tatuou

E esse seu sorriso lindo
Como se não prestasse
Arranca-me sensações

Esse seu jeito que me queima
Faz-me falta, deixa-me agoniado
E me transtorna durante as ausências

E esses seus versos que não vem
Que se escondem em pleno coração
E não explodem com a força da emoção

Que falta das nossas noites
Aquelas noites inteiras de amor
E que as tenho inteiras na lembrança

Falta do seu beijo, do seu desejo
Do seu corpo macio e do seu cheiro
Falta que alucina, faz chorar.

Corro ao seu encontro, em noite plena de luar.
Sei que me esperas...


Renato Baptista


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Em Lírios de Afinação - Iza Klipel



Em Lírios de Afinação

Recite-me tua urgência... Salivando-me
Pétalas umedecidas em tons impacientes
Declame frissons na morenês do meu ventre!

Liberte todas as borboletas costuradas à minha
Sensatez... Violões em lírios de afinação
Musicando as batidas felizes do meu coração!

Lave-me de desertos... Habitando-me em flores
Enquanto desnuda-me no espelho dos teus olhos
Em magnólias entreabertas ofereço-me a ti!

Conjure-me em mãos cálidas tua poesia
Criptografando-a no mapa dos meus sentidos
Na grafia da alma redija o teu amor por mim!

Desatine minha asas de maneira tal... Que
Se imaginem luas e grassem-me versos mudos
Porque a música dos nossos corpos dizem
.................................................. Tudo!

By Iza
27/01/2008
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11 agosto 2008

Feito (A) Mar - Dueto com Maria José Zanini Tauil



Jô Tauil, poeta maior que me deu a honra de estar duetando inspirado em seus versos.
Obrigado minha amiga.

FEITO (A) MAR

O mar?
Já foi meu corpo
TERNA E DOCE SENSAÇÃO
O sol?
Era meu braço
DESALINHO AO ALCANCE
O vento?
Meus desejos
MINUANO QUE SOPRA PAIXÃO
Meu sonho
De crueza envolto
SOBERBA DESCOMPOSTURA
Faz-me fugir
Do forte sol
Dos vendavais
Do mar revolto
DE TUDO E TUDO QUE SOU EU
O mar
já não me possui
CORPO TENRO ME DEIXOU
O sol já não me toca
BRILHA POR LÁ APENAS
O vento não eriça meus pêlos
SOPRA COMO QUEM VAI
Nem mesmo a brisa
Desalinha meus cabelos
QUE ESVOAÇARAM UM DIA
Talvez porque
Eu tenha muito medo
De (a)mar
E meus braços
Sem o calor do sol
Estão frios
Para abraçar...
TALVEZ PORQUE
MEU AMOR SE ESCONDEU
E ME FAZ APENAS SOBREVIVER
SEM MAIS CALOR
SEM SOL
FRIO COMO GELO
SEM ABRAÇOS
SEM BEIJOS
SEM NADA MAIS.

MAIÚSCULAS:RENATO BAPTISTA
minúsculas: Jô Tauil

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09 agosto 2008

Crença



Crença

Na esquina do mundo
Lá na dobra do tempo
Em montanha cálida
Irmão gêmeo do sol
Com semblante de lua
O homem verdade
Em plena sabedoria
Abre sábios braços
Sorri para a existência
E nos mostra o caminho
Quase um Deus ou algo assim
Com todos os sentidos
Mais do que sentidos
E pássaros, e nuvens
E luzes e reversos
Sombras e nuances
Claros e escuros
Pensamentos
Ensinamentos
Acima de tudo, amor
E a ira estremecida
Traduz-se em flor
Que adorna nuvens brancas
E invade o espaço, o ar
Fazendo a eterna esperança
Brilhar com mais alegria.

Sábio homem feliz...
Que crê no que pensa
E não no que vê.

Renato Baptista
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Tempestade



Tempestade

Lágrima pálida, cálida
Que finalmente se desprende
Escorre sem direção
Sem sentido
Pela perda dos sentidos
Após tenebrosa tempestade

Impossível querer angustía
Como céu plúmbeo carregado
E a tormenta arisca arrisca e risca
O véu negro estendido na face
Com direções opostas anunciadas
Desalinhando feridas e cicatrizes

Sabe-se por Deus o destino final
Onde entrelaçados caminhos se cruzarão
E corações febris partidos percorrem
Trilhas perdidas sem rumo definido
Chorando lágrimas corrompidas
Como se cada amanhã fosse o bastante.

Choro pálido partiu, sem volta, sem compromisso,
sem mais nenhuma gota do seu perfume, sem sentido algum.
Tempestade eterna se estabelece, vira o céu um inferno, como se esse existisse, carregando no coração
o maior querer dos quereres mortalmente ferido.

E eu pergunto ao espelho onde estão os anjos do amor e onde estão as nuvens brancas sob o céu azul. Onde estão?


Renato Baptista

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Ficou no Coração



Ficou no Coração


Essa moça que é morena
Morenos cabelos lindos
Moreno sorriso que atordoa
Amora morena serena
Firme e constante
De sabor alucinante
Moça que veio
Moça que se foi
Moça que ficou no coração
Na chuva, no sol, no vento
Ficou no ar que respiro
Nas quietudes dos instantes
Como quente lembrança
Que atiça, que traz desejo
Quando mostra o seu beijo
Essa moça morena
Meu doce, meu mel
Meu raio de sol
Meu bom dia.


Renato Baptista

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Desejos



Desejos

Desenho requebrado
Com curvas sinuantes
Desejo contornado
Premeditada sensação
Cheiro de amor lançado
Carinho suave à volta
Mulher querer anunciada
Lindas linhas, formas
Claros e escuros
Nuances do amor
Pintura formosa desejada.

Cabem só beijos, paixão
Em tal rainha coroada.


Renato Baptista

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03 agosto 2008

Fluídos



Fluídos

Beijo teu beijo louco
Que me arranca calor
Pela boca úmida
E eu me faço rouco
Gritando para mim
Teu desejo sabor
Que me alucina
Troco contigo saliva
Néctar com gosto de amor.


Renato Baptista

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O Maior dos Meus Medos



O Maior dos Meus Medos


O maior dos meus medos
Que me veio
A maior das minhas tristezas
Veio e ficou
E olho à volta e nada vejo
E persigo a vida que falta
Disfarço-me de feliz
E procuro no espaço
O seu doce olhar que não vejo mais
Tento no vento escutar sua voz
Que não ecoa mais na solidão escura
Não sinto mais seu coração batendo
Não percebo mais seu calor
Que me ensinava o amor
E meu ombro vazio dói
Sem a luz da sua paixão
Que se apagou e morreu
Explode o desejo em ira
Porque o maior dos meus medos
A maior tristeza que eu teria
Veio e ficou
Disfarçada de saudade
Que vive nos meus sonhos
Que choram na solidão sombria.


Renato Baptista

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Raio Brilhante



Raio Brilhante

Caçadores ao largo
Que não vêem a luz
Espreitam e cercam
Adulam e seduzem

Desta arte sedenta
Não mais me defendo
Porque meu anjo voa
Livre como o vento

Olhos fechados conduzem
Triste e derradeira tormenta
Sórdidos pensamentos entorpecem
Ciúme acelerado mata lentamente

Não há mais sorrisos diletos
Nem mesmo os olhares quentes
Um nada o coração habita
Floresta essa, agora sombria

Como um raio brilhante
Risca o céu a morte certa
Coração e mente enrijecem
Enquanto o amor trocou de mãos

Entre a poesia e a ficção fica uma lágrima triste
... Que escorre.


Renato Baptista

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Cambaleando



Cambaleando

Céu aquele que me segue
Me persegue o coração
Me entorta a cabeça
Negro céu azul
Com suas nuvens rajadas
Que despejam sem pena
Chuva que ora chora
Vermelha
E no ar que o vento conduz
Gotículas trêmulas
Permanecem cambaleantes
Querendo escorrer
E marcar de vez
O rosto que espera
Com uma triste sombra triste
Estampada como cicatriz

Momentos de amor sublimados
Aspiro agora desse ar que me alimenta
E a metade esvaída nas cores
Que colorem as horas que passam
Espreita meus passos tortos
Enquanto sangue transparente
Corre pelas artérias secas
Que insistem e insistem em viver
Sobreviver...


Renato Baptista

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Em Chamas



Em Chamas

Por mais que o sol me queime
O corpo
Nessas andanças por essa vida
Calada
Por toda a chuva que me molha
O pensamento
Enquanto vai lavando o céu
O universo
Lavando a alma, levando a alma
Que grita
Por mais que a luz que viaja
Veloz
Trazendo-me o infinito secreto
Em transe
Por todas as esperanças vãs
E amanhãs
Que fulminam cada instante
Do meu eu
Pela serenidade perdida
Escondida
Fatalmente recolhida
Nos momentos
E por todos os instantes inquietos
Que conduzem minhas intempéries
Eu abro minha janela e berro
E procuro o ar sem cor que respiro
Aspiro energia e expiro paciência
Aguardando e procurando, sempre
Como um sobrevivente em chamas...



Renato Baptista


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Hora de Envelhecer - Silvandira Camargo Pereira



Hora de Envelhecer

No imenso mar revolto da existência,
Colhendo uns poucos sonhos entre abrolhos,
Surge a esperança em sua divina essência
Para nos afastar dentre escolhos.

Sussurrando promessas com eloqüência,
Mas a bailar qual brisa sobre folhos,
Airosa sombra de magnificência
Vem, sorri, dança e foge aos nossos olhos.

Amor? Talvez espectro dum querer
Num sendeiro de curvas estonteantes
Onde tentamos os sonhos reter.

Ansiosos e a lutar para vencer,
Chegamos sorridentes, triunfantes
Porém... Já na hora de envelhecer!


Silvandira Camargo Pereira (In Memorian)

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02 agosto 2008

Sabor de Nada



Sabor de Nada


Cataratas
De lágrimas
Salgadas
Contraídas
Que esculpem
O rosto sombrio
E escorrem
Deixando
Sabor de nada
Na boca
Aberta
Que espera
Seu gosto
Sempre
E sempre
E conta um segredo
Que eu não queria
Saber
Que eu queria
Que morresse
Junto com a paixão
Alucinada e errante
Que um dia fez a noite
Que virou dia
E trouxe
Para a boca do nada
Um sorriso infernal

De novo.

E dia após dia
O silêncio da espera
Grita alto
Como um louco
Sem esperança

Contradição absurda
Espreita meu peito
Alucina minha alma
Esconde meu destino.


Renato Baptista


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