30 agosto 2008

Para Falar de Lágrimas



Para Falar de Lágrimas

Não sei se são justas
As lágrimas que rolam
Não sei se representam
Os contornos que deixam
Nos fios tatuados no rosto
Não sei se levam em si
A dor que as constroem
Ou seriam alegrias?
Só sei que elas teimam
Teimam em se retorcer
E a escorrer sem rumo
Com transparência desnuda
Só sei que fazem levar mãos
Aos rostos que ferem
Mãos que se molham
De um doce salgado
E suam e tremem
Lágrimas por lágrimas
Atributo de quem ama
Fluido de quem sofre
Leveza de quem ri e chora
Até que os ventos as levem
Como vapor carregado
E a tristeza se esvai
A alegria permanece
Ou, o inverso desses versos.

Doce e triste dilema da natureza da alma...


Renato Baptista

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Um comentário:

Cristina disse...

Quem pode falar de lágrimas se não as sentiu?
Também não sei se são justas, mas levam o que há de ruim e temperam as alegrias que permanecem.
Um poema de muita e especial sensibilidade.
Um abraço de quem você não conhece mas admira uma boa leitura.
Cristina.