27 dezembro 2008

Orquídeas Feridas



Orquídeas Feridas

Do alto da minha janela
Mais do que discreta, até
De beirada tão calejada
Avistei o teu quintal
Doces frutas caídas pelo chão
Como amor esparramado
Caíam algumas naquela hora, incrível
Gritei alto em represália
Tentando fazer parar tal infortúnio
Tudo ali manchava o chão
Roxo veneno, amarelos, vermelhos
Como teu sangue que avistei ali
Bordando nas lajotas brancas
Relatando um poema agonia
Escrito bem ali do lado esquerdo
Mesmo lado do coração do peito
Aquele que dói, se arrepia, estremece
Seus versos cantam as orquídeas feridas
Feridas de morte e agora inertes
Sem cor, sem perfume, sem rimas
Entregues ao tempo, sem amor, sem carinho
Poema definido, instituído, conjugado
E eu ali, no alto da minha janela
Discreta e solitária, atormentada
Deixando escorrer uma lágrima vazia
Que rolou pela minha face
E se espalhou na lajota fria
Misturando-se ao seu desencontro.

Renato Baptista

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2 comentários:

Retalhos de Amor disse...

Orquídeas... Que geralmente florescem uma vez a cada ano!!! Mas, no amor, podem florescer fora do tempo, podem ser eternas, basta que se queira!!! Um belo Poema, mesmo ferido pela saudade!!!
Beijos mais, meu Querido Amigo-Padrinho!!! Iza

Anônimo disse...

Através do que escreve, passamos a conhecer as pessoas. Nem todas merecem tristezas tão profundas. Nada é para sempre poeta. Depois de tanto desencontro, um novo encontro pode acontecer. Breve, quem sabe.
Beijoka de quem você ainda não conhece.