31 janeiro 2009

Procela Selvagem - Iza Klipel



Iza Klipel é minha afilhada poética. Uma Mestra na arte da poesia.
Um raro prazer ler um dos seus escritos e o poema abaixo exprime
um desses momentos.

Procela Selvagem


Quando o horizonte te parecer deserto
Nada! Nem ninguém te preencher... Não
Importando se uma multidão por perto
Murcho sol, ermo olhar... Rumo incerto!

E o teu coração desaprender o sorriso
Do peito soluços romperem a barragem
Teu mundo cabisbaixo esmolando uma luz
No teu interior... Procela selvagem!

Morrido de estrelas, de repente, o céu
Chover desconsolo inundando o espírito! O luar
Erradio esconder-se... N’um negro e triste véu!

Ainda... Sobre tua cabeça o azul se extinguir
De nuvens repleta a noite existir! Talvez, neste
Momento saberás, de verdade o que é saudade...

O quanto dói sobreviver deserta de ti
.................................... Meu Amor!

By Iza
20/12/2008
Direitos Reservados
http://retalhosdeamor.blogspot.com

Quero Você - Luiza de Marillac



Luiza de Marillac é poeta completa.
Amiga e companheira de duetos já faz muito tempo,
brinda-nos aqui com um de seus poemas.


QUERO VOCÊ ...

Assim numa noite enluarada
Consumido pela madrugada
Reduzido a quase nada
Indiferente ao mundo
Absorto e absolvido...

Quero você sem restrições
Na cadência de todos os versos
Lendo a carência de meus poros
Aquecendo até meu último segredo
Numa canção primaveril toada de inverno...

Assim numa nudez total e desamparada
Pálpebras alongadas em cílios embriagados
De meu corpo abençoado sorvendo teu abraço
Minhas mãos mimadas sob arranhões noturnos
Gemidos envelopados em cristais fortalecidos...

Quero você sem agendamentos
Na coluna social dos pensamentos
Ousando pintar todos os mandamentos
Duma cor rubra e gosto de canela com cipreste
Permanente em minh'alma e tatuado em cada palavra...

Luiza De Marillac Bessa Luna Michel
www.desassossegoemversos.com.br

Oferenda - Maria José Zanini Tauil



Este poema inédito é um presente que recebo da minha grande Mestra, Maria José Zanini Tauil, poeta maior e minha amiga do coração.

OFERENDA

Quero te oferecer
O meu poema
Decorado de estrelas
Miraculoso esplendor de astros
Para dançarem para ti
Uma dança fantástica
Totalmente prateada
E que elas rolem pelo teu corpo
Ardendo como beijos
Acendendo teus desejos

Quero te oferecer
O fulgor de luas vermelhas
Ofegantes luas nuas
Oratórios de mansas preces
Aos deuses pagãos
E minhas mãos errantes
Por sobre o teu teclado
Executando a valsa de Strauss
Na aspiração tênue
De te fazer feliz...

MJZTauil
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Pássaro Louco - O Poeta louco


Pássaro Louco

Corre
Corre
Corre
Explode
A veia
Escorre
Escorre
Sangue
Amante
Ferida
Aberta
Satisfaz
Dor querida
Faz esquecer

Borbulha
À mingua
Líquido errante
Tudo se desfaz
Evapora
Se decompõe
Transmuta
Se perde
Se esquece
Se esvai.

Como um pássaro louco que morre em pleno vôo... e cai.

O Poeta Louco

Este também pode ser copiado, não importa mesmo...

Transtornos - O Poeta Louco



Transtornos

Desarmada a calma constrangida
Traduzido o ódio acelerado
Calculada bem a trajetória

Alma invadida e perdida
Motivos dela arrancados
Caminhos arruinados

Cérebro abduzido, ferido
Consome as linhas tortas
E espanta o poeta louco

E a loucura vai às alturas
Desmanchando nuvens carregadas
Atacando o sol com suas garras

E no fim do céu, no horizonte
Escorre sangue abundante
Chorado e intermitente

Como se a loucura massacrante
Chegasse ao fim de todos os fins
Enterrando todos os sentidos.

O Poeta Louco
Esta obra tem minha permissão para ser colada, copiada, engolida e massacrada.
Afinal não é poesia, é só loucura!

30 janeiro 2009

Amar é assim



Amar é Assim

Toda vez que a vejo
Sinto-a por inteira
Meu coração empalidece
E minha alma se desprende
Minha vontade é de pular
Lá dentro de você
Escalar suas entranhas
Sentir seus desejos
E perturbar sua serenidade
Beijar sua vontade
De beijar o meu beijo
Escorregar por suas mãos
Seguindo seus braços e abraços
Para dentro do seu peito
Arrancar seu coração
E fazê-lo feliz
Desfazer os seus domínios
E a convidar para dançar
A música que já é nossa
Para todo o sempre
Passo a passo
Num só compasso
Envolvendo sua cintura
Que se mexe, que apronta
Com minha vontade
De tê-la em mim
Quero sentir seu hálito quente
Simplesmente envolvente
Doce como seu olhar de paixão
Sentir seu perfume de mulher
Sentir seu peito roçando no meu
Dizendo que ele é seu
E por um momento apenas
Dizer que eu a amo
Daquele jeito
Meio sem jeito
Como é o meu jeito
Mas olhando dentro do seu olhar
Querendo saber se ele ainda
Me permite te amar.


Renato Baptista

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23 janeiro 2009

Arte no Vento


Arte no Vento

Ontem fiz arte
Com meu lápis
Escrevi no vento
Versos que falam
Que cantam
O teu amor
E o meu amor
A ponta do lápis
Cortou o ar
Com paixão
Assoprei para ajudar
Alimentei o vento
Você recebeu tudo aí?


Renato Baptista

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Delicada


Delicada

Olho ao meu redor
Procuro em vão...
Sinto seu calor
E você não está
Sinto seu cheiro
E não a vejo
Sinto seu amor
E me desmancho em desejo
Procuro então sua voz
Que me chama
E não a escuto
Procuro seu doce
E meu gosto empalidece
Olho para dentro do meu coração
E a vejo inteira
Tão perto
Tão mulher para mim
Tão delicada
Afagando meu peito por dentro
Beijando minha alma
E se perpetuando minha.

Seu sorriso e seu olhar me cativam, me entorpecem

Delicadamente...


Renato Baptista

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Cabelos ao Vento

Cabelos ao Vento

Vem a brisa
Em noite quente de verão
Lua branca anuncia um encontro
Flui energia que corta o ar
Incendeiam-se corações
Sem que se saiba, sem nada
Sem premeditação
Só um cheiro doce no ar
Perfume guardado nas lembranças
Carinho suave recolhido
Amor que se tornou saudade
E a brisa ganha força
Espíritos dançam à volta
E a magia se forma
Se transforma
Faz da saudade ferina
Um encontro marcado
Determinado, escrito nas estrelas
Foi como um abraço
Um beijo molhado
Um toque de paixão
Que sacudiu os enganos
E aquele rosto lindo olhou para o meu
Mãos me tocaram e me afagaram
Contaram-me histórias
E me cantaram segredos
Falaram de amor distante
Como uma dançarina que dança no escuro
E cabelos lindos lamberam meu rosto
E boca e olhos e seios belos
Encantaram minha noite
E se fizeram meus por instantes
Presente que veio do céu
Trazido por mãos de anjos
Que bateram suas asas por mim
Naquele breve instante
E agitaram o ar
Que tornou-se vento
Que entrando pela minha janela
Trouxeram-me, pela mão, você
Minha doce menina
Que brilha e resplandece
Com seu sorriso perfeito
E seus braços abertos me envolveram
Suas mãos lindas brincaram
Pintando um quadro
De colorido vibrante
Nele, uma mulher
Correndo pela praia
Com os cabelos ao vento.

Renato Baptista
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15 janeiro 2009

Herança - Poetrix


Devaneio - Poetrix


Tempestade



Tempestade

Como fogo fátuo
Que rasga o céu sem temor
Pápula gustativa exausta
Transfere amargo ardor
Que brinda à alma
Com um arrepio ácido
E as células se contraem
Até que hemorragia vermelha
Tinge a compostura

A lua amante se avermelha
Não ilumina mais os segredos
Olhos se turvam ensandecidos
E a sentença se anuncia
Desmancha-se o amor eterno
Como balde de sorvete ao sol
E a esperança se derrete toda
Sem calma, sem persistência
Sem saber do que é feito o amanhã

E o céu, como o sol, como as estrelas
Explode acompanhando a lua
Lua vermelha despudorada
Arredia e conturbada
Lua vermelha e tatuada
Manchada por lesões contínuas
Que trazem dores profundas
Fadadas a não ter fim
Num eterno espanto etéreo.


Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

09 janeiro 2009

Agonia



Agonia

Na madrugada fria
Adormeço os meus pensamentos
Enrolado em manto quente
Que guarda meu corpo
Seu corpo
Entro no mundo dos meus sonhos
Mais que depressa
Procurando por você
E vejo seu rosto lindo
No espaço
E beijo seus lábios
Meus sonhos são reais
Coloridos como você
E vivo de novo
No meu mundo paralelo
Nosso mundo
Mas de repente
Eu perco você...
Multidão ao redor
Ruas, casas que não reconheço
Lugares diferentes
Tudo se mistura
Eu me agito, acordo assustado
Sento na beira da minha cama
E escuto
Escuto o seu doce chamado
É sua voz me chamando
Gritando meu nome
Ecoando por todos os lados
Invadindo meus ouvidos
Num ritmo frenético
Olho no relógio
Acendo a luz
E vejo ao redor
Você não está por perto
Está em algum lugar distante
Acordada também do sonho
Que vivíamos juntos
Procurando por mim
Posso sentir o seu calor
Seu cheiro que ficou em mim
Escuto sua voz
As batidas do seu coração
Sua agonia...
E em desespero
Adormeço de novo... rápido
Cerrando os olhos bem apertados
Tentando buscar um outro sonho
No qual eu tenho certeza
Vou encontrar você...


Renato Baptista

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Dor



Dor

Chora a dor
De tanta dor
Como fogo
Que queima
Busca insana
Profana
Arrebata
Mata
Esgoela-se
Arremete
Sem pensar
Sem sentir
Mais...

Chora a dor
Contraste único
Absurdo
Estonteante
Dilema marcante
Que fere a alma
Arranca os olhos
Desfaz o sentir
Que já não sente
Apenas espreita
Insolente
Desatento
Marcado
Tatuado
Exaurido
De tanta dor
Que grita
Explode
Em conflito
Que se faz eterno
A cada manhã.

O sol não brilha, nasce morto nesses dias, chora...


Renato Baptista

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Decisão - Poetrix


Tão Doce - Poetrix


Pena


08 janeiro 2009