15 janeiro 2009

Tempestade



Tempestade

Como fogo fátuo
Que rasga o céu sem temor
Pápula gustativa exausta
Transfere amargo ardor
Que brinda à alma
Com um arrepio ácido
E as células se contraem
Até que hemorragia vermelha
Tinge a compostura

A lua amante se avermelha
Não ilumina mais os segredos
Olhos se turvam ensandecidos
E a sentença se anuncia
Desmancha-se o amor eterno
Como balde de sorvete ao sol
E a esperança se derrete toda
Sem calma, sem persistência
Sem saber do que é feito o amanhã

E o céu, como o sol, como as estrelas
Explode acompanhando a lua
Lua vermelha despudorada
Arredia e conturbada
Lua vermelha e tatuada
Manchada por lesões contínuas
Que trazem dores profundas
Fadadas a não ter fim
Num eterno espanto etéreo.


Renato Baptista

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3 comentários:

Lara disse...

Desmancha-se o amor eterno
Como balde de sorvete ao sol
E a esperança se derrete toda
Sem calma, sem persistência
Sem saber do que é feito o amanhã

Merecia uma moldura estes versos tão tristes. Posso imaginar a dor e a tristeza que compuseram tão tocante poesia.
Um abraço forte poeta!

Poeta Louco! disse...

Parei nessa ilsutração. Tá demais mesmo e completa o poema do qual nem preciso dizer nada.
Poeta louco!

Retalhos de Amor disse...

Acho que o silêncio pode sublimar mais que qualquer palavra!!! E o farei ante a Majestade dos teus versos, Padrinho!!! Beijo grande no teu coração, Amigo meu!!! Iza