28 fevereiro 2009

Ensaios Musicais do Arthur Baptista

... E falando de música, quem quiser conferir 3 ensaios do meu filho Arthur Baptista - O Contista, aí do lado direito, na barra lateral, publiquei 3 vídeos onde ele toca e canta... Lembro que ele não é vocalista e sim instrumentista, pois estuda guitarra e violão.
Além dos contos fantásticos, agora ingressa no mundo da música e do Jornalismo.

Renato Baptista

ENCONTROS - Isolda Bourdot



Isolda Bourdot é uma das maiores compositoras do Brasil. Música e poeta maior, presenteia-me aqui com um poema especialmente lindo.
Meu agradecimento à amiga pela honra de me emprestar o seu talento e abrilhantar este espaço.

ENCONTROS


Sonho seria encontro
Ou desenho de um desejo?
Afinal, o que é um beijo?
O que se denunciou?
Encontro que se realizou
Ou falsa realidade?
Qual das duas é a verdade
A que passa ou a que ficou?
Já que são os sentimentos
O que se leva por vidas
Quantas histórias sentidas
Se vive em sonho ou não?
Qual seria a realidade
Seria a continuidade,
A rotina, o tempo, a idade
Ou a outra? – A emoção...
Aquela que fica, marca
Do inconsciente ao consciente
O dia inteiro ainda quente...
É o falso, o que não passou?
Mas falso ou não, esse encontro
Esse sonho, esse alerta
Se a alma está desperta
Desperto é o que se sonhou
E embora eu guarde comigo
O desejo e o acontecido
De uma coisa eu não duvido
Ontem, você me beijou

Isolda Bourdot

Isolda é compositora com mais de 300 musicas gravadas por muitos intérpretes, mas que ficou mais conhecida pela música “Outra Vez” que fez grande sucesso na voz de Roberto Carlos. Mantém um selo e uma editora, a "Toca Disc". Gravou seu proprio CD e escreveu um livro: -"Você também faz musicas?"; este tem a intenção de dar um help para turma que está se iniciando na arte de compor.

http://blogisolda.blogspot.com
http://www.isolda.mus.br
http://www.tocadisc.com.br

26 fevereiro 2009

Orquídea Negra


Orquídea Negra

Orquídea bela que falava de amor
Salpicada de beijos, resplendor
Nuances lindas, colorido constante
Juras extasiantes e complexas
Querer desafiador, estonteante
Palavras mansas e carinhosas
Olhar enternecedor, sublime
Corpo que bailava, se contorcia
Exalava paixão em cada poro
Despertava a magia sem nexo
Com seu canto de sereia plena
Cheiros e perfumes se misturavam
Brilhava o sol durante a noite
Sacudindo cada fio de cabelo
E o eterno se perpetuava claro
Cumprindo o destino anunciado
A cada palavra, a cada gesto
Tudo se transformava em tudo
E o pensamento voava
Livre e leve como o vento
Vento que não pensa, apenas vai
Vai e leva consigo a verdade do amor
E outro mundo se formou
Apresentou-se e se confirmou
Na carícia constante, serena
E a orquídea virou duas
Duas em uma, unidas pela alma
Presas pela verdade do amor
... que o vento levou.

E a saia rodada se rasgou
Num repente alucinante
O feitiço se desfez, volátil
Os olhos se reviraram
E esqueceram o que é paixão
Paixão que se imagina intocável
Acima de tudo e de todos
Sem regras e sem decepções
Nuvens se formaram, negras
Os fios de cabelo voaram longe
E o perfume se transformou
Manchas ocupam os lençóis vazios
Uma casa vazia permanece
O destino, como se possível, mudou
As juras viraram gritos chocantes
Os beijos percorrem outra boca, talvez
E as orquídeas morreram de vez
Maltratadas pelas palavras árduas.

Sobrou um corpo cansado, exaurido
Cheio de dor e latente agonia
Sobrou alma partida, desprendida
Sobrou uma orquídea negra
Que velava os sonhos de perto
E agora ri sem receios
Sobrou a morte em vida
Não sobrou nada...
Nada sobrou.

Nem é amor o que se diz amor
Porque amor prevalece
Amor de verdade é eterno
Pelo menos na poesia.

Renato Baptista

14 fevereiro 2009

Desenho Animado



Desenho Animado

Desenhei você
Com minha grafite
Detalhei cada traço seu
Que eu sei de cor
Suas linhas lindas
A expressão dos seus olhos
Teus cabelos soltos
E a doçura
Do teu sorriso maroto
Delineei você inteira
Cada detalhe, cada poro
Mas não era o bastante
Faltava alguma coisa...
Faltava... Cor
Suas sombras não são
Escuras
Você brilha
Até meus sonhos com você
São coloridos
E fui colocando cor
No meu desenho
Profundidade
Luz e sombra
Sua imagem saltava
Ante meus olhos
Como quando a vejo
Comecei a sentir
O seu perfume
O seu hálito quente
E seu olhar me chamando
Sua mão se moveu
Em minha direção
Veio até a minha
E tomou meu lápis de cor
Você saiu do papel
Como que por mágica
Ergueu-se à minha frente
Segurou meu rosto
E beijou minha boca
Incrédula
E enfim, o amor
Se fez presente
E vivemos assim
Felizes para sempre
Como num final exótico
E premeditado
De um desenho animado.

Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

08 fevereiro 2009

MAGIA DE AMAR - Mario Roberto Guimarães



Mario Roberto Guimarães é poeta amigo de longa data. Seus poemas trafegam entre o lírico e o romântico sempre de forma envolvente e inspirada.
Lê-lo é sempre um grande conforto para os corações aflitos... Percebe-se que quando o amor está no ar, tudo pode ser superado.
Obrigado por sua presença aqui comigo meu amigo.


MAGIA DE AMAR

O toque das minhas mãos evoca
O que na alma tens de paixão,
De amar, toda essa emoção
Que, pura e envolvente, nos toca.

No encontro dos nossos olhares,
Reside o desejo mais puro,
Todo o prazer que eu procuro,
A força incomum de sete mares.

As nossas peles, quando se colam,
Trazem o calor que nos abrasa,
Uma à outra, inteira, se casa,
Os limites do êxtase, extrapolam.

A minha voz, em teu ouvido sussurrada,
Desperta em ti a volúpia de amar,
A sede de o teu corpo entregar
Ao meu, numa ânsia exacerbada.

De corpo e alma, fazemos a poesia
Que, do amor, retrata os caminhos;
É o ardor dos nossos carinhos
Que aos versos dá toda a magia.

Mario Roberto Guimarães
Todos os Direitos Reservados

Cinzas de Mim - Cleide Yamamoto



Cleide Yamamoto é poeta das melhores. Fala de amor como ninguém e consegue transportar aos seus versos os caminhos que persegue no seu interior, no seu coração.
É um presente enorme ter esta amiga aqui na Academia nos brindando com sua arte e talento.


CINZAS DE MIM


Deixei escrito
Na cabeceira da vida
Pedaços de mim
Chamei de poesia
As linhas desalinhadas
Que me fez assim.

Quebrei do tempo
O silêncio de tempos
Felizes e inocentes
Para tão assim
Deixar meu espírito
Conhecer o não e sim.

Fugi do mundo
Viajei sem bagagem
A alma sem disfarces
O corpo sem roupagem
No coração a imagem
Do amor e suas fases.

Peregrinei só
Mas sem nenhuma dor
Como verso sozinho
A caminho da Lua, do Sol
E no vento a favor
Soprei as cinzas de mim.

Cleide Yamamoto
Direitos Reservados

05 fevereiro 2009

Ao som de um bolero - Jorge Luiz Vargas



Jhoy Vargas é um poeta excelente. Escreve com variações e com o sentimento à flor da pele.
Um amigo que nos brinda aqui com uma prosa poética, mais uma de suas pérolas inconfundíveis.


Ao som de um bolero

A tarde triste, vai se despedindo
A noite chegando com seu encanto
Ao fundo faceira vem apontando a lua
Hoje cheia, vestida de prata
Se insinuando ao negro azul da noite

Logo, ao olhar pro infinito
Pontinhos cintilantes de diamantes
Incrustados no céu
Brilham chamando a atenção dos amantes

Que nesse momento romântico
As cortinas se abrirão para anunciar
Aos corações apaixonados
Um bolero de uma noite de luar

De repente um barulho forte
Parecendo um trovão
No silencio ensurdecedor daquela noite
Fez palpitar o coração

Uma lágrima que rolou dos olhos do poeta
Escorreu do seu rosto e se jogou no chão
Tamanha a emoção que sentiu
Ao contemplar sua linda fonte de inspiração
A noite de lua cheia, lhe arrebata o coração

Hoje toda lua cheia é de dor
Ao procurar seu grande amor
E não mais encontrar
Seja lá onde ele for

A lua hoje ao poeta
Vista sozinha lá no céu
Só lhe faz chorar
E recordar seu grande amor
Ao som do Bolero de Ravel

Jorge Luiz Vargas
Direitos Reservados

03 fevereiro 2009

Haicais - José Alberto Lopes



Haikai, Haiku ou Haicai é um forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade.Os poemas consistem em três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras japonesas, e sete letras na segunda linha.
O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática espiritual.

Haikai no Brasil
O primeiro autor a popularizar o haikai no Brasil foi Guilherme de Almeida. Ele adotou uma estrutura métrica rígida, rimas e título. O primeiro verso rima com o terceiro e o segundo verso possui uma rima interna (a 2ª sílaba rima com a 7ª sílaba).

Uma outra corrente do haikai brasileiro é a tradicionalista. Promovida inicialmente por imigrantes ou descendentes de imigrantes japoneses. Temos assim um poema de três versos, escrito em linguagem simples, sem rima, que somam dezessete sílabas poéticas (cinco sílabas no primeiro verso, sete no segundo e cinco no terceiro). Além disso, o haikai tradicional deve conter sempre uma referência à estação do ano, expressa por uma palavra (o chamado kigo = palavra de estação).

Uma terceira forma de praticar o haikai no Brasil é a que não julga necessária a métrica nem o uso sistemático de uma referência à estação do ano em que o poema foi composto
Fonte: Wikipédia

Pois bem, José Alberto Lopes é um poeta amigo. Um verdadeiro mestre na arte dos Haicais. Seus versos são reluzentes e nos levam à uma sensação fantástica, pois seus haicais nos levam a entender o que é interpretação e sentimento de uma forma simples e objetiva.
É como se fosse fácil escrever assim, mas só quem já tentou sabe o quanto é preciso ter talento.
Obrigado por esse presente meu amigo... e saiba que a casa aqui é sua também.

Haicais.

Com cara de outono
O verão vai indo embora
Sorrateiramente.


A estátua do herói
Nada pode com sua espada-
Invasão dos pombos.


Vidraça embaçada-
O menino limpa o céu
E surgem estrelas.


Lençol no varal-
As mãos do vento são mestres
Fazendo origami.


Rajadas de outono-
Voam grous e borboletas.
Festa do origami


José Alberto Lopes