30 março 2009

Lua que se Vai...



Lua que se Vai...

Lua que se foi com insensível adeus
Lua que se esconde no céu, na vida
São sem sentido seus sentidos anunciados
Que como vingadores se descontrolam

E vai sem medo, esquecendo de tudo
Vagando pelo impensado sem luto
Desvirtuando os sentimentos puros
E deixando seu espaço jogado ao tempo

Triste risco sem nenhum tempero
Jogar perdendo sem recusa
Apostando no que virá um dia
Sem saber que o hoje é o bálsamo

E enquanto a lua voar longe
Planetas solitários a atrairão
Jogarão seu magnetismo ardiloso
E a lua nunca mais será a mesma

Novas voltas dará sombria
Na sua trajetória satélite
Beijos do céu tirarão seu brilho
E seu encantamento não será o mesmo

Lua nua que muda
Lua crua que permite
Lua minha, lua sua
Lua perversa como mulher

Mas a atração paixão a conduz
Pelo espaço infinito e negro
Seu percurso mudará um dia
Acompanhando a curva do universo

E quando ela voltar ao porto seguro
Descontrolada e maltratada
Enganada pela multidão de planetas
Tentará cumprir seu destino

Mas depois de adeus acelerado
Triste, rude e doentio
Precisará de muita força
Para mostrar seu rosto rosado

E nesse voltar desencantado
Terá guardado na sua face oculta
Mil segredos somados aos tantos
E mesmo assim será recebida com amor.

Por tudo o que foi nesta e em outras vidas.


Renato Baptista

Direitos Reservados

28 março 2009

Balada de Uma Despedida



Balada de Uma Despedida

Calculou mal os seus versos
Enganou-se no conteúdo
Atravessou caminhos sem rumo
E chegou a lugar algum
Sem rima alguma
Sem amor nenhum
Voou alto demais na sua poesia
Que se perdeu nas nuvens
Não cuidou do que devia
Descuidou de si
E seus beijos morreram
Seus versos morreram
E nada sabe mais
Fez da sua poesia você
Dos seus poemas sua vida
Fez da plenitude encanto
E se esqueceu do principal
Sua poesia não basta mais
Seus abraços não a alcançam mais
Sua saudade é ignorada
E só o vento forte o faz respirar
Como um doente terminal
Entubado pelo amor sem jeito
Vegeta então com seus versos sem graça
Porque perderam o seu amor
E segue sem chão, sem amanhã
Sem você, sem nada mais
Então ele se despede
Encharcado por lágrimas incontidas
Dessa mentira que foi sua poesia
Despede-se do ontem, do hoje
E de tudo que não pôde fazer
Despede-se do que foi
E do que não conseguiu ser
Diz adeus ao ódio
Ao ciúme mortal
Esperando que um dia
Seus poemas voltem a brilhar
Que a vida lhe sorria
E que você volte a cantar.


Renato Baptista

Direitos Reservados

Equivocado



Equivocado

Sofro calado
Não mais me anuncio
Palavras são veneno
Entorpecem e angustiam
Enlouqueço em forma
E me perco em conteúdo
Atravesso a retórica
E minha mente atrofia
Extrapolo em versos
E me permito fazer sofrer
O que é mais sublime
Desando e tropeço
Levado pelo desespero
E quando conserto
O impuro persiste
Com um poetar entorpecido
Meus versos saem traídos
E minhas rimas se vão
Assim como meu amor
Minha vida ferida
Então eu sofro calado

E enlouqueço...

Renato Baptista

25 março 2009

Por Um Momento...



Por Um Momento...

Dobra do tempo
Se abriu no espaço
Renasci por um momento
Sentindo ar nos pulmões
De tão grávido
Que estava de mim
Fazia tanto tempo
Eu precisava respirar
Chorar anunciando vida
Quando meu amor me chamou
E sorriu de desespero
Falou que tudo é para sempre
Soltou magias
Jurou paixão sem fronteiras
Me beijou de novo, sem lábios
E nem sei se já partiu
Porque é assim
Porque na verdade
Nada é para sempre
E tudo é impossível
E o tempo e o espaço
Permanecem em mim
A vida, não sei
Ela apenas permanece
Por um momento...


Renato Baptista

Direitos Reservados

24 março 2009

Psicografia



Psicografia

Pego em tuas mãos
Endireito tua pena
E derramo minha oração
Invado teu pensamento
E acaricio teu coração
Traduzo bençãos para ti
Conduzo agora o teu destino
Reunidos que estamos em comunhão
E mostro o caminho da luz
Sensação de Deus na alma
Concórdia e felicidade

Sei do teu amor
Conheço a tua dor
Não te deixarei vagar, tenha fé
Pois caminhos se abrirão
E aura rosa envolverá teu corpo
Siga e persevere
Viva cada segundo como uma vida
Porque tens o dom
Sei que tens a vontade
Então estou aqui
E escrevo por ti
Através da tua mão adormecida
Com muito carinho
Com todo o meu amor
Segue filho, eu te guio para o bem
Consolo tuas aflições e angústias
Protejo-o, anjo que sou...


Escrito pela minha mão - Renato Baptista

23 março 2009

Sem Mais Nada



Sem Mais Nada

Plantador sem terra
Agora sem raízes
Morta esperança vazia
Sem sol, sem alegria
Embrião sem vida
Alucinógena estirpe
Conflita e enlouquece
Almas em ebulição
Terrível moradia sem nexo
Cultivadas sensações
Morrem sem água
Sem vida, sem mais nada
Traduzida a verdade
Escolha sutil
O verde se encolhe
As orquídeas padecem
No tronco da árvore
Sofrem, agonizam
Sem poder respirar
E mais e mais
O escuro da noite
Entorpece
Faz a decepção
Mostrando o amor que padece
Sem luz, sem nada mais
E sem nada
O plantador das sementes
Frias e despedaçadas
Plantou sonhos
Cultivou sentimentos
E colheu ilusões
Perdidas...

Renato Baptista

Direitos Reservados

Rendição Perpétua


Rendição Perpétua

Nada mais adianta
Nada faz sentido
Voa a esperança
Como idas nuvens
Foi vencido o poeta
E assim ele se retira
Sem medo da realidade
Atravessando sombras
Recolhe-se e assiste
Os carinhos que ora fazem sentido
Em cruel arruaça perdigueira
E nada mais consola
Nada existe de verdade
Só escombros derrubados
Daquilo que foi um dia
Agora a indiferença sufocante
Alça vôo indiscreta
E fere e mata e atordoa
Como lança afiada e aguda
E sem versos e sem prosa
Sem as rimas suprimidas
Sem títulos endereçados
Sem nada mais que enalteça
O poeta sucumbe e se entrega
E morre sem tinta e sem papel
Deitado na solidão sórdida
Vendo o poema mudar de lado
Vendo a destreza esfuziante
Dos novos súditos em alegria
E as lágrimas congelam
E rasgam o rosto deformado
Enterrando os sorrisos
Que um dia viveram nos lábios
Que agora brancos sussurram
Implorando por socorro em agonia.

Não existe amor
Existem momentos
Estados de espírito
Porque amor virou razão
E razão troca de mãos
Deixando feridas.

Nada é por acaso, enfim...


Renato Baptista

Direitos Reservados

17 março 2009

Onde quer que você vá...



Onde quer que você vá...

Eu bem sei porque me enxergo
Quem fala sem que você queira ouvir
E as palavras ficam como som no espaço
Soltas e sem noção alguma
Caminhando nas estrelas sem deixar marcas
Sem deixar escrita a história que teve um começo
E promete sutil, não ter fim
Ela apenas existe na incalculada imensidão
Como uma luz néon que vive e sobrevive
Marcada pela essência animale
Num mar de lágrimas exóticas
Perfumadas, amadeiradas e gentis.

Mas o vento de tempestade
Que abre o vendaval
Trás os sonhos que voavam por voar
E eu não sei mais se deixo você ir
Porque meu pensamento vai
Onde quer que você vá
Seguindo seus passos com a alma aberta
E com minha benção nas mãos
E quando o frio acabar
E o verão colorido tudo invadir
Surgirá a sua beleza que as sombras tanto escondem
Por detrás daquela janela, hoje, sem mosaico.

E você vai, vai
E deixa pelo caminho
Uma alegre lembrança tatuada
Como flor colorida, ou fogueira dolorida.

Espero um beijo renascido, escapulido
E o coração apertado sorrindo alegre
Alegre por ver renascer
Os dias que se fizeram noites.

Renato Baptista

Direitos Reservados

11 março 2009

Reação - Veronica de Nazareth - Noic@



Veronica de Nazareth - Noic@ é uma amiga de longo tempo. Eu a conheci através da poesia e ela se tornou uma companheira tanto das horas ruins como das horas boas, sempre estendendo sua mão e emprestando seu carinho. É também minha tradutora oficial para a lingua Espanhola.
Jornalista, radialista, historiadora e escritora, é um talento nato e aqui me premia com um dos seus poemas sensuais tão especiais.


R E A Ç Ã O

Favo de mel e perdição
são teus lábios,
com doce beijo.
Acordam no corpo a sensação
com toques sábios,
descontrolando o desejo.
Percorre um arrepio intenso
na pele,
eriçam pelos em folguedo.
Mais...mais...querer imenso
que até fere,
de não ter mais, medo em segredo.
Tua boca, nascedouro do prazer
que faz vibrar,
entrega e suspiro.
Calor que sobe e estremecer
querendo antecipar
as reações
e mal respiro...


Veronica de Nazareth-Noic@
Direitos Reservados

10 março 2009

Desajustada



Desajustada

Antes era assim
Espremido nas dobras do passado
Permanecia intocável o segredo
Devaneios na face oculta da lua
Sem medo e sem recusas
Desenrolava-se a alegria
E no vai e vem dos dias
Os brindes à volúpia tilintavam
E fazia-se pleno cada instante
Num borbulhar frisante
E os toques desajeitados brincavam
Sem a satisfação pretendida

Assim, um dia, a vida virou dia
No peito o desejo ardia
E num impulso sem limites
Flor de janeiro brotou
Criou raízes profundas
E agarrou-se à verdade do destino
Ferina e doce sensação tomou conta
O ar se fez colorido e perfumado
E os brindes borbulhantes foram esquecidos
Embora continuassem vivos e guardados
Esperando que fossem acordados
Águas foram passando
Levando os instantes, lavando as almas
Até que noite se fez no mundo
E a vida virou agonia
Corações explodiram
Perdeu-se a noção, a razão
Como se a semente do passado brotasse
A lua mudou de fase, não era mais cheia
Fez-se presente a face oculta
E com divina descompostura
Pediu de volta os seus segredos
Respirou o eterno-retorno
E abriu de novo os caminhos enfeitiçados

Faz-se presente a ingratidão
Faz-se loucura sem ressentimentos
Como se o amor fosse um jogo
Jogo onde não há vencedor
E os brilhos cintilam a cada instante
A cada investida calculada
Coisa já calculada
Abre-se a guarda e tudo é permitido
Joga-se aos quatros ventos que vivem
A ilusão de nova vida
E assim raios que espreitavam
Virão como raios valentes
E sem piedade e nem nada
Construirão novos segredos
Virarão os olhos cristalizados
Beberão vinho na pele
E depois partirão sorrindo.

Como a lua nua, ávida por segredos, pediu...


Renato Baptista

Direitos Reservados

Borboleta Branca



Borboleta Branca

Vindo e povoando os sonhos
Como espírito alado
Borboleta branca se anuncia
Luz protetora divina
Brinca com as nuvens
Atravessa o espaço
E brilhando como Deus
Segura a sua mão
Abre sorriso que não se vê
Apenas se sente
E abraça os seus sonhos
Presença constante que é
Guarda sua alma linda
Beija seus olhos
E encanta os pássaros
Com suas asas brancas
Que batem no compasso
Do seu coração eterno
E assim, denuncia sua presença
Anuncia sua volta
Gritando que vive por amor
Pelo seu amor
E nas suas andanças etéreas
Povoa o céu de esperança
Escutando Jesus
E espalhando sua luz
Por sobre os seus ombros.

... Voe borboleta branca
Voe e corte o vento
Vá e volte e conforte
Os que são seus
Os que o amam.


Renato Baptista

Direitos Reservados

07 março 2009

Poemas Não Falam...



Poemas Não Falam...

Brilho nos olhos
Que brilham de paixão
Coração explode
Em intensa entrega
Esmeraldas brincam
Rolam, misturam-se
Colorem as pérolas
Lançadas pelo seu olhar
Forma-se um tesouro
A cada toque sutil
A cada beijo macio
A cada gosto sublime
Que você me passa
E o amor se fez mais bonito
Lindo que só ele
Nessa doidera
Chamada desejo
Rolamos cama abaixo
Por sobre os lençois
Agarrados, grudados
Para não nos perdermos
Quedas d’água, cachoeiras
Vento que balança a cortina
Ou são espíritos...
Na nossa cabana
O ar quente perfumado
Intenso e úmido
Sensações riscam nosso céu
Com carinhos-segredos
O mundo se vira
De ponta-cabeça
Revira e volta
De pernas para o ar
Peles que se tocam
Arriscam magias no escuro
E o nosso mundo se forma
Se transforma.

Ainda bem que poemas não falam...


Renato Baptista

Direitos Reservados

Um Mundo de Solidão



Um Mundo de Solidão

Como se pode brincar de solidão
Num mundo tão grande?
Olha-se para o céu infinito
Vêem-se os pássaros... Ao longe
E nem mesmo se estivessem perto
Apegar-se-iam a nós... São livres
Olha-se para o enigma do horizonte
Nem mesmo sombras comparecem
E ao lado, bem ao lado
Pressentem-se vultos
Eles dançam sem sentido
Esperando o momento do bote
Não existem mais cores
Nem laços, nem maços de flores
Há um amor... Distante
E o homem caminha errante
Estaria melhor cego... Será?
Melhor do que ver seu mundo assim
Talvez ele já tenha morrido... Sei lá
É duro brincar de solidão
Sentidos turvos
Sem poder escolher um amanhã
E o mundo é tão grande
Tente mais um pouco, homem
Você foi sábio um dia
Talvez você ainda
Encontre o seu lugar...

Renato Baptista

Direitos Reservados

Hortelã



Hortelã

Uma xícara
De chá de hortelã
Sabor e aroma
Quente como o sol

Tomei devagarinho
Mas que nada...
Queimei a lingua
Xinguei o chá

A xícara se ofendeu
Pulou da mão
Espatifou no chão
Em pedaços

O chá na minha perna
Escorrendo
Derretendo o meu pé
E eu fervendo de raiva

Mas agora não tem jeito
O hortelã virou bolha
O chá sumiu
A xícara desapareceu

Virou pedaços, cacos
E eu aqui
Sem o sabor
Do meu grande amor.

Renato Baptista

Direitos Reservados

04 março 2009

Desalinho



Desalinho

Não sei onde andas
Com quem andas
E nem onde estás...

Não sei o que pensas
O que agora inventas
Nem o que te apraz

Não sei o que te encanta
O que te faz prazer
Nem quem te satisfaz

Não sei o que acontece
Quem te entontece
Nem mais nada, aliás

Melhor dizendo
Olhando bem atento
Pior que agora eu sei...

Só sei que entristeço
Vendo a fila bandida
Que se forma aí atrás

Só sei que mereço
Novos versos plenos
Poesia serena, sagaz

E ainda sei que é assim
Nada é para sempre
E de arrependimento voltarás

E mesmo assim
O que era tudo para mim
Não mais se permitirá

Porque se havia segredo
Agora há desajuste maculado
E como eras, nunca mais serás

Cicatrizes tatuadas se formarão
Se juntando a tantas que não sei
Mas minha poesia plena voará

Longe...

Renato Baptista
Direitos Reservados

03 março 2009

Certezas - Nádya Haua



Nádya Haua é poeta amiga de muito tempo. Escreve com ousadia e introspecção versos cadenciados e diretos. Uma leitura imperdível sempre.
Obrigado Nádya por este presente que é esse poema tão você.

Certezas

Sou luz
Não claridade
Sou ar
Não vento
Sou época perdida no tempo...
Sou tinta
Não cor
Sou noite
Não escuridão
Sou semente
Não flor
Mergulhada em desamor...
Sou ave
Não asas
Sou existência
Não vida
Sou sombra
Não trevas
Em mim um tanto perdida...
Sou oceano
Não mar
Sou fogo
Não fogueira
Sou grito
Não silêncio
Sou menina
Não criança
Sou instante
Não momento
Sou simples lembrança
Perdida em teu pensamento....

Nádya Haua
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