23 março 2009

Rendição Perpétua


Rendição Perpétua

Nada mais adianta
Nada faz sentido
Voa a esperança
Como idas nuvens
Foi vencido o poeta
E assim ele se retira
Sem medo da realidade
Atravessando sombras
Recolhe-se e assiste
Os carinhos que ora fazem sentido
Em cruel arruaça perdigueira
E nada mais consola
Nada existe de verdade
Só escombros derrubados
Daquilo que foi um dia
Agora a indiferença sufocante
Alça vôo indiscreta
E fere e mata e atordoa
Como lança afiada e aguda
E sem versos e sem prosa
Sem as rimas suprimidas
Sem títulos endereçados
Sem nada mais que enalteça
O poeta sucumbe e se entrega
E morre sem tinta e sem papel
Deitado na solidão sórdida
Vendo o poema mudar de lado
Vendo a destreza esfuziante
Dos novos súditos em alegria
E as lágrimas congelam
E rasgam o rosto deformado
Enterrando os sorrisos
Que um dia viveram nos lábios
Que agora brancos sussurram
Implorando por socorro em agonia.

Não existe amor
Existem momentos
Estados de espírito
Porque amor virou razão
E razão troca de mãos
Deixando feridas.

Nada é por acaso, enfim...


Renato Baptista

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4 comentários:

Retalhos de Amor disse...

Tristes versos... Mas o sol pousará
enfim, e renascerão novos dias
em rútila felicidade!!!
Versos d'alma, Padrinho!!!
Maravilhosos!!!
Beijos mais nesse teu terno coração!!!
Iza

Renato Baptista disse...

Tuas premonições premiam o poema...uma dádiva sua presença aqui Iza.
Beijo*

Quem sou eu disse...

Renato, nãoooo, não...
nem o que pudesse parecer ser, nem versos ou títulos endereçados faltando agora (sei lá a q /quem poetas,mas"senti na alma o ser verdade), nem morrer versos, estarem de lado... agoniados. Nãooo, nada disso.
Pode ser instante,sim,mas quem mais entende que é eterno?Tu sabes,nós poetas sabemos.Especialmente os de"segredos internos do sentir".Nãooo, nada que não escureça agora,para por si mesmo não acender o clarão da fogueira, outra vez. E que assim seja,amigo amado!
Beijão de Luz.
Veronica de Nazareth-Noic@

Renato Baptista disse...

Veronica....costumo dizer que mal que a gente quer, não dói...então, para principio de início, vai eterno o que nasceu para ser eterno e nada é mais justo do que perserverar mesmo que qua a poesia seja desalento.

Beijo* grande para você.
Renato Baptista