16 abril 2009

Luzes na Janela – Poema 502


Luzes na Janela – Poema 502

O som do silêncio permanece
Na morada que nos sorriu
Estive lá e vivi novamente
Cada instante de magia
Sentindo o perfume impregnado
Que ainda ali habita sereno
Os nossos lençóis desarrumados
Ilusão doce me sacudiu
E meu coração acelerou
Enquanto pude ouvir ainda
O barulho do chuveiro ligado
Nossas roupas abraçadas na cama
Me contavam em pensamento
As noites que viraram vida
O ruído do secador de cabelos
Incendiou-me a alma vazia
Sacudindo lembranças
Enquanto via através da janela
Como vimos juntos umas vezes
Os contornos da noite e suas luzes
Só que desta vez, minha imagem no espelho
Era minha indiscreta companhia

Deitei o meu corpo na cama vazia
Que ainda, notei, guardava nosso calor
O calor do amor que fizemos
E se tornou tão nosso
Meu rosto no travesseiro
Não encontrava mais o seu ao lado
Luzes coloridas riscavam o teto
Eram os reflexos do filme que assistimos
E meus olhos se fecharam
E deixaram escorrer uma lágrima
Que encharcou a fronha de tristeza
Que sonho é esse meu Deus
Tão vivo e tão triste
Que me tira o seu seio
E me devolve angústia?
Adormeci, então, de tanto medo
Abraçado com meu desejo eterno
Antes, beijei o seu amor
Como faço todas as noites
E fui embora madrugada adentro
Com a ilusão plantada na alma
De que eu teria um bom dia... Seu
Que atendesse o apelo do meu íntimo

Foi então que pedaços do céu
Enfeitaram meus sonhos
Que me trouxeram você sorrindo
E passeamos de mãos dadas
Mais uma vez
Fazendo a minha noite escura
Bordar-se de vida
E assim meu espírito dançou
Ao som da nossa música de sempre
Acordei assim, melancólico e assustado
Procurei o seu sono ao meu lado
Aquele que eu tanto queria acordar
Mas eu estava sozinho

E como custei a entender...

Não havia cheiro de café
Nem de banho tomado
Nem do seu perfume delicado
Nada mais havia
Recolhi assim, o que sobrou de mim
E saí pela porta que um dia
Nos viu sorrindo porque ela não abria
Deixei lá tudo como estava
Como deveria ser
Tranquei e joguei a chave fora
Porque o poema é só nosso
Eternamente nosso

Qualquer dia irei vê-lo de novo
Na esperança de encontrá-la
Enquanto isso
O seu coração continua sendo
A minha única morada.

Renato Baptista

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4 comentários:

Retalhos de Amor disse...

Lembranças desencadeando saudades,
trazendo ao espelho do agora,
o outrora felicidade!!!
Poesia que guardarei no coração,
tamanha emoção contida!!!
Demais, Padrinho!!!

Beijo, meu Amigo...
No coração!!!
Iza

Veronica de Nazareth-Noic@ disse...

Irmão-Camarada...

Recuerdos...sempre recuerdos e sensações tão presentes, que parece que passado não existe; apenas presente constante...como lindamente poetas:"...teu coração minha última morada". É bem assim, amigo. Linda!!!
Saudade de vocês! Bjs

Veronica-Noic@

Renato Baptista disse...

Iza...mais um poema by renato....rsrsrs...como vc costuma dizer....Algo especial e chego a pesnasr que é pura ficção mesmo...coisas de poeta.
Beijo* Afilhada.

Renato Baptista disse...

É verdade Veronica...quando o passado se faz presente é porque algo está fora do lugar....em poesia então, acontece que por isso os versos se desprendem e se voam livres.....sem mostrar o que o coração sente. Será?...Acho que não.....nem sei amiga.
Beijo*