14 abril 2009

Maria Lua – Desajuste de uns certos versos



Maria Lua – Desajuste de uns certos versos

Deságua agonia
Diluída em tinta errante
Forma-se a certeza
De uma lua minguante

Firmam-se os versos
Cada vez mais distantes
Espalham-se teimosos
Desafiando a constante

E

A

C
A
D
A

P
A
L
A
V
R
A

Certeza se constrói
De que aspereza destrói

E o anel muda de dedo

E a medalha anel
Adorna fundo de gaveta
Chorosa como o que...

Plágio total, cópia igual
Da loucura total
fatal, ideal?
Dessas que vês por aí, ali e copias

Loucura que te dá força
E te empurra, te afunda a cabeça
E te faz achar isso
E aquilo, e aquilo outro

Mulher Maria
Maria que vai
Vem e vai Maria
Maria sem eira
Maria sem beira
Vá e não volte
Volte e se vá
Como queres
Como precisas
Como sempre fizestes
Com este e aquele
Como punição própria

D E S T E M P E R O

Se sofres, não ligo
Se choras, não ligo
Se gritas, eu ligo...
Porque acordas meu sono
E invades meus sonhos
Estragando tudo
E... Chega de atrevimento!

Tem novidade na esquina do tempo
Tem carinho sobrando no tempo perdido
Tem beijos sem tempo, sem lugar, à toa
Tem tempo que não encontras o tempo
Tempo perdido, esquecido, porque fostes e não és
Queres ser e não sabes
Tentas e não há emendas
Calculas mal o... Tempo
E andas fora do tempo
Toda toda no espaço
Alegre e espevitada
Até que uma estrela pontuda
Finque-se bem fundo e machuque muito
Bem o meio do teu traseiro.

Essa é a balada concreta de um amor traído
A balada badalada do badalo do sino
Que toca, chama, avisa a hora da missa

Que reza é essa meu Deus?
Estás de joelhos mas não oras
Diz ter lágrimas mas não choras
Derramas... sensações
És reverência insana e insistente
Às paixões malditas...
Têm coisas das quais até Deus duvida.

Renato Baptista
Direitos Reservados

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