30 maio 2009

A Outra Face da Lua



A Outra Face da Lua

Nos braços de um grande amor
Vivem os versos que gritam
Sobrevivem a cada instante
Respiram, sonham, enternecem
E traduzem o que foram
Sem saber o que serão
Porque o mesmo vento
Que os trouxe
É o vento que os leva
Os faz voar de pernas para o ar
Os gestos de carinho, de compreensão
Parecem não ter lugar
Pequeninas coisas, atitudes
Insignificantes mesmo
Mas que fazem diferença danada
Brincam sem ver o luar
Enquanto a flor lilás eternizada
Parece perder seu perfume
Mas seus cabelos estão tão lindos
Seus olhos continuam vibrando paixão
Seu abraço me conforta o coração
Seu corpo quente me seduz
Seus seios me aquecem, tanto
Mas as palavras não saem
E o tempo, bem, esse não perdoa
Continua passando
E assim vai levando como o vento
Os abraços não dados
Os beijos não beijados
E as palavras não ditas
Fazendo com que não fique no peito
Nem mesmo uma sensação de saudade.

Não sei se a vida nos reserva amanhã
Não sei quando será a partida
Pena que restarão apenas versos
Mas que não mais gritarão
Apenas ficarão guardados
Esquecidos e amarelados
Deitados à sombra
Do que foi um grande amor.

Renato Baptista

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29 maio 2009

FIBHAIKU - EU



Eu
tenho
meu amor
meu mistério
nem te conto nada
apenas falo das estrelas.

Renato Baptista

21 maio 2009

O Outro Momento de Amor Mais lindo de Todos os Tempos



O Outro Momento de Amor Mais lindo de Todos os Tempos

Vi de novo
Aquele teu olhar penetrante
Que arremessa teus olhos
Para dentro dos meus
Que desnuda o teu amor
Irrequieto
E te mostra por inteira
São olhos de menina
E olhar de mulher
Que vejo esculpidos
Nas minhas retinas
Que ficaram gravadas
Com tua imagem
De paixão e de entrega
A imagem da sublimação
Do amor sem compostura
E nossos olhos atraíram
Uns aos outros
Teu nariz encontrou o meu
E trocamos ali
As nossas vidas
Nosso ar
Nossos cheiros
Respirando o nosso amor
Que aspirava um ao outro
E expirava nossas vontades
Iguais
E a tua boca latejou
Naquele momento
Como a minha
E veio em direção à minha boca
Sedenta de ti
Nossos lábios se encostaram
Teus lábios maduros
Quentes, suplicantes
Doces de paixão
Lábios de uma boca
Que eu sabia
Queriam me engolir inteiro
Mas eles estavam ali
Imóveis
Colados aos meus
Como em oração
Era um momento de troca
Senti teu calor intenso
Tua vida fluindo
Senti o teu sabor
O gosto de amor sem freios
Os teus olhos penetrantes
Estavam fechados
Eu vi
Viajando pelo universo
Das sensações
Nenhum toque a mais
Só nossos lábios
Se comprimiam
Em busca das suas
Verdades absolutas
Passando mensagens secretas
Onde teus lábios contaram
Para os meus lábios
Que eles sabem beijar
O mundo não existia mais
A história parou de ser contada
Pelos contadores de história de amor
Pois eles foram superados
O dia virou noite
E alguma coisa aconteceu
Naquele momento mágico
Nossos olhos foram
Se abrindo
Nossos lábios se comprimindo
E se apertando
E se afastando até
Que ouvi um estalo
De beijo concluído
Teus olhos estavam
Vidrados
Como os meus
Levantei minha mão
E afaguei teu rosto
Lindo
Naquele momento pensei :
-Como eu te amo, meu Deus !!


Renato Baptista

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19 maio 2009

Introspecção


Introspecção

Mergulho profundo
No oceano da vida
Meu mar é meu senhor
E o silêncio o meu conselheiro
O abissal é minha introspecção
E os pensamentos fluem
Elétricos e enfáticos
O negro se transforma
Em colorido fantástico
O horizonte se abre infinito
Sem margens
E a luz do sol risca
O espelho d’água
Anunciando vida nova
O frio úmido se aquece
Desafiando as intempéries
E eliminando
Os maus fluídos
Arrasando o negativismo
Atirado por outrem
Com mira duvidosa
Toda a luz divina
Se aproxima e invade
O meu mundo
Iluminando
Os meus sonhos prediletos
Derramando ouro
Sobre o cobre
Fundindo as esperanças
E acabando com os incrédulos
E assim, as almas retornam
Ao seu lugar
E repousam serenas
Continuando a aprender
As vertigens agora têm
Seu prumo
E as indiferenças sórdidas
E mal acabadas são extintas
Agora sim a poesia é plena
E o meu mundo se torna
De verdade... Real
Desafiador e interessante...


Renato Baptista

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A Face Oculta



A Face Oculta

Como se a vida fosse noite
A cada segundo, todos os instantes
Como se o frio castigasse os corpos
E enrijecesse as almas
Noite escura sem estrelas
Sem música, sem nuvens
Sem esperança e sem lua
Lua que brindou os encontros
Tatuou no seu brilho o amor
Mesma lua ora ferida, sem semblante
Oculta e sem face
Lançando sombras sobre os amantes
Severa descompostura
Para desajustados errantes
Como se a vida se tornasse noite
Noite sem mistérios, sem segredos
Sem beijos e sem juras de amor
Sem cálice dourado e sem gemidos doces
Apenas uma noite eterna
Que não acorda, que não dorme.

Renato Baptista

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17 maio 2009

Amor em Gotas



Amor em Gotas


Amor em gotas
Flutuantes
Que bailam no tempo e no espaço
Amor borrasca, tempestade
Que dá medo
De tanto que grita na solidão
A chama da saudade
Tempestade encharca os olhos
Choro sem fim
Tato aguçado
Procurando no ar
Um pedaço da paixão éter
Que do dia até a noite
Evaporou e fugiu das mãos
Um suave e doce contento
Numa foto amarelada, guardada
A poeta dos versos de amor encontra
E no perfume de uma camisa se sustenta
Mas sempre e sempre termina
Morrendo de amor
Em seus versos repletos de ausência
Gotas transparentes escorrem
Dos olhos negros, mareados
São lágrimas amargas
De saudade permanente
Que caminham deixando rastros
No rosto contemplativo
Gotas... Pequenas gotas de um grande amor.


Renato Baptista

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Boca a Boca



Boca a Boca

Boca a boca
Corre solta
A história
Do amor
Segredo
Corre rápida
Durante
A madrugada
Pela alameda
Dos sonhos
Grudada
Nas asas
Dos anjos
Brincalhões
Boca a boca
Beijo seus beijos
Ocos
Com sabor
De framboesa
Selvagem
À luz de velas
Que se derretem
No candelabro prata
Vivo e respiro
As sombras
Do seu corpo nu
Que dançam para mim
A dança do ventre
Suas imagens
Nas paredes
À minha volta
A fazem
Múltipla
Triplica-se o seu calor
Que me envolve
Por ondas
E a sua boca
Me anuncia
O seu amor
Lindo, incandescente
Entorpecente.


Renato Baptista

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Sensação


Sensação
Tanto querer
Tanto que não é o bastante
Faz da vida um instante.

Renato Baptista

16 maio 2009

Serenidade



Serenidade

Nessa lua a descoberta
Arte plena e serena
Cândida menção solene
Que cabe em um abraço
Abraço apertado
Que na espera se refez
Despertou de imediato
Sem pensar, sem remédio
Como assim deveria ser
Há tanto que nem sei
E tal golpe fatal
Enterneceu o peito
Que vinha sem jeito
Pelos caminhos tortos
E se fez em beijo o carinho
Se fez o carinho presença
Como assim deveria ser
Há tanto que pensei
Qual lua ama tanto?
Não há razão na razão
E por isso a lua brilha
Branca, meio trêmula
Mas linda como nunca
Como arte pura
Como poesia que renasce
E que desnorteia
Que não deixa que se veja
O rumo que o caminho conduz
E o tempo se mistura
Passa sem que o percebamos
O pensamento voa
E o céu se torna mais azul
Em pleno prenúncio de inverno
Mesmo inverno que abraçou
O primeiro beijo de amor.

Renato Baptista
Direitos Reservados

14 maio 2009

Doce



Viajando sem rumo
Transgredindo o espaço
Ferindo a nota musical
Que canta sem dó

Alma aflita
Roda o mundo
Vira o mundo
Come o mundo

Pele arrepia a pele
Desnorteio e razão
Os poros se fecham
Se espremem

Porque quero teu mel
Teu cheiro doce
Teu véu
Teu sorriso...

Renato Baptista

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13 maio 2009

Desafiando os Deuses



Desafiando os Deuses

O que diria Fernando Pessoa
Se me visse desperdiçando letras
Que ele tão bem soube usar ?
O que faria Drummond
Se soubesse que eu
Castigo versos que ele
Nunca pensou em grafar ?
Mas...
Quem dera, ter Vinícius
A musa que me inspira
A poetar e sonhar ...
Com esse poder que tenho
Nas mãos
Enfrento qualquer um deles
Que venha me desafiar !
Que venha um exército de poetas
Não importa...
Municiado com o amor
Que eu tenho
Minha poesia não sucumbe
Ela simplesmente
Nunca vai terminar !

Renato Baptista

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11 maio 2009

Em Chamas



Em Chamas

Por mais que o sol me queime
O corpo
Nessas andanças por essa vida
Calada
Por toda a chuva que me molha
O pensamento
Enquanto vai lavando o céu
O universo
Lavando a alma, levando a alma
Que grita
Por mais que a luz que viaja
Veloz
Trazendo-me o infinito secreto
Em transe
Por todas as esperanças vãs
E amanhãs
Que fulminam cada instante
Do meu eu
Pela serenidade perdida
Escondida
Fatalmente recolhida
Nos momentos
E por todos os instantes inquietos
Que conduzem minhas intempéries
Eu abro minha janela e berro
E procuro o ar sem cor que respiro
Aspiro energia e expiro paciência
Aguardando e procurando, sempre
Como um sobrevivente em chamas...


Renato Baptista

Direitos Reservados

10 maio 2009

Amando Você



Amando Você

Tenho guardado
Dentro de mim
O último olhar
Que você me deu
Sinto ainda
O seu abraço
... Apertado
O seu cheiro
De amor
Guardei seus beijos
E os beijo
A cada segundo
Tenho comigo
Os seus lábios
Molhados
Quentes
Que arderam junto
Com os meus
Na nossa troca divina
E assim vivo cada dia
... Amando você
Você que mora
Dentro de mim
Junto com a minha
Saudade dilacerante
E logo
Nossos olhares de adeus
Darão lugar
Aos doces sorrisos
Que habitam
Os nossos reencontros.


Renato Baptista

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09 maio 2009

Expectativa – Quebra de Etiqueta


Expectativa – Quebra de Etiqueta


Sofrimento por querer
Angustiante expectativa
Desnorteio e calamidade
Na maldade anunciada
E volta o desespero
Da palavra mal escrita
E que virou poesia eterna
Sem querer, sem jeito
E que virá a maltratar o coração
E a sombra do desajuste
No rosto do poeta
Não sai, não escapa
Porque se fez por querer
Tal instigante caricatura poética
E encobre a serenidade
Do amor puro e verdadeiro
Arrancando choro da alma inconsciente
Sem nenhuma consciência
Sem dó alguma
Sem rancor
Sem medos

Apenas descaso da vida
Apenas impulso de desejo
Sem o menor sentido
Apenas uma pena...

Renato Baptista
Direitos Reservados

07 maio 2009

A Luz da Lua Incrustada no Abajur Lilás



A Luz da Lua Incrustada no Abajur Lilás

Tarda a energia
Que se faz anunciar
Aos poucos vem a luz
Que se pronuncia
Que nasce no branco da lua
Que mostra caminhos
Que alardeia e grita
E faz prevalecer o amor
Que se supera e faz superar
E os amanhãs de tornam belos
Respira-se o ar puro
Trazido pelo vento sereno
Em mostra de entendimento
Sem sensualismo incauto
Que pede juras de ousadia
Sem voltas e reviravoltas
Apenas e tão somente
Algo que prevalece no olhar
Que brota no coração e vibra
Que faz suar, que se perpetua
Que alucina e trás desejo
Que envolve os segundos
Em manto branco e puro
E assim, a alma se faz bonita
Os cinzas se clareiam
A beleza da vida retorna
E os sonhos se tornam coloridos
Agora sem interferências
Sem punhaladas, sem agonia
Sem tempestades vingadoras
Sem a tortura do inconsciente
Porque a vida é feita de verdades
É feita de realidade pura
Não de alucinações vertiginosas
E assim a poesia prevalece
Arte inconstante que se apruma
E no eterno retorno se aquece
E pede um dueto verdadeiro
Não sombra intempestiva
De momento margeado
Pede carinho verdadeiro
Não palavras que só compõem
Como signos exacerbados
Pede amor que vibra e que se sente
Não um vasculhar de rimas tolas
Que enfeitam paredes alheias
Porque a vida é mais que isso
A vida é uma poesia
Maior do que uma simples poesia
A vida é sentir, é sonhar
É realizar e enobrecer
A cada minuto, a cada dia
De verdade mesmo...

Voa poema, voa
Voa e volte para mim
Traz-me amor igual
Ao amor que sinto
E que ali acorda
De sono intranqüilo

Voa poema, voa
Voa e volte para mim
Traz-me dueto sereno
Igual ao poema que envio
E que ali acordou
De tão poema de amor que é

Voa poema, voa
Voa e volte para mim
Diga se existe poema
Se existe poesia no mundo
Tão apaixonante e linda
Como a menina que está aí...

Quando o amor está no ar
Melodia imortal se anuncia...
E poemas voam, sabia?

Brilha a luz difusa da lua em pérola
Incrustada na cúpula do abajur lilás
Nossa lua, nosso céu, nossa luz.

Renato Baptista
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