26 junho 2009

LUA?

Lua?

Só, solidão
Sólida solidão
Sou sol sozinho...

Renato Baptista

FLORES E PERFUMES

Pela noite afora

Naquele frio gelado

Insônia que abraça

Vai desmanchando o sonho

Eterna procura sem fim

Enquanto a tristeza acolhe

Olhando o mundo, obsessão

Procurando por todos os lados

E a loucura chega, se instala

Atravessa o peito, morde

O coração grita desesperado

Porque a imaginação voa

E zumbi obstinado se desmancha

Enquanto o silêncio anuncia o fim

Enquanto outros caminhos

Devem estar sendo percorridos

Enquanto flores e perfumes

Bailam em outras pautas

Que anunciam solenes

O raiar de um novo dia

Enquanto a noite fria não acaba

E gemidos vazios cortam o coração

Que sem esperança vai morrendo

Vai caindo pelo chão que não piso

Vai chorando pelo que não se sabe

Explodindo em agonia por omissão

Por omissão de palavras e gestos

E pela noite afora procuro pegadas

Manchas, ruídos que denunciem

Que acusem e mostrem

Se o sonho trocou de alma

Noite gelada, vazia

Frio que não acaba e norteia

A eterna procura sem fim.

Até quando?

Renato Baptista

POEMINI 4

POEMINI 3

24 junho 2009

POEMINI 02

O QUE É "POEMINI"

Minha última publicação foi intitulada de Mini-Poeminha. Este foi o primeiro de uma série que batizo de "Poemini". Imponho-me assim algumas regras de escrita que são as seguintes:

1 - O Poemini deve ser acompanhado de imagem/ilustração, que o completa ou serve como inspiração.

2 - Poemini não tem título, apenas numeração.

3 - A composição é feita por 2 versos com no máximo 12 sílabas poéticas no total.

Pode-se fazer uma sequência que conta uma história ou um pensamento. Apenas neste caso o Poemini deve ser identificado por um título (apenas uma palavra) e numerado. Ex.: "Poemini - Sensação 01".

Pode haver dueto em forma de resposta... Seguindo-se as mesmas regras do POEMINI.Nunca o dueto deve dar sequência aos versos, senão os descaracterizam, e sim, ficar abaixo da raiz como resposta ao pensamento.

"POEMINI" é apenas um exercício de compactação do resumo da síntese de um sentimento momentâneo... Mais um aprendizado.

Renato Baptista

19 junho 2009

RESTOS

Restos

Fazer da morte o culto

Da solidão um encontro

Destemido e sem chão

Voar pelas incertezas

Arrancar da tela a cor

Desmanchar paredes

Com o nó dos dedos

Até que o sangue escorra

Pelas mãos sem dor

Até que seque o coração

Que já não bate, agoniza

Pela falta de tudo

Pelas feridas machucadas

Pelo ácido que fere

E nada, nada mais existe

Apenas uma simples ausência

Que faz da noite um silêncio

Profundo

Que faz da vida solidão

Exagerada

E que não admite ninguém

Mais ninguém além de sombras.

Renato Baptista

Damasco

Damasco

Perfume cor de laranja

Saia rodada, justa

Sabor de apricot

Doce encanto

Amargo na língua

Vem e vai o carinho

Triste despedida

Esperança ferida

E que agora voa

Com os ventos que vão

E levam os cheiros

O mel do amor

O aprendiz dos beijos

Se esconde sem consolo

Amargura tenaz se anuncia

Porque para sempre é

O que nunca era para ser

E agora, inevitavelmente

Sempre será


Amor damasco

Doce no primeiro beijo

Amargo na despedida.


Renato Baptista

NÈCTAR - POETRIX

DESPEDIDA - POETRIX

TUAS CORES

11 junho 2009

Gota Serena

Gota Serena

Na sombra do doce que eu via
senti gosto salgado
na ponta da lingua
e que foi esquentando
meus lábios
seus lábios
em súplicas, eu sabia.

Sereno se fez no dia
um céu aberto
sobre nós em delírio
arrepios e sons
impávida descompostura
toques e sussuros
mistura de paixão e agonia.
Nada se esquece quando o amor está no ar.

Renato Baptista
Direitos Reservados

Entre o Tempo e o Espaço


Entre o Tempo e o Espaço

Faço da dobra do tempo
Meu tempo que já não existe
Se abraço meu doce intento
Fica apenas sombra que persiste

Acordo e vasculho lembranças
Do ontem que não veio
Procuro no ar a esperança
Faço do todo o meu certo meio

Saio da cama apressado
Querendo encontrar a vida
E acho no caminho por você selado
Minha dor escondida, minha ferida

Vou às sombras tentar resgatar
O que num dia frio se iniciou
Mas se há outro a lhe encontrar
Sinto, mas a procura terminou

Esse outro é ciúme, desalento
É caso para ser esquecido
Porque tal doído sentimento
Faz da manhã ouro perdido

E na névoa que você cria
Amargo sabor se faz verdade
E nessas alamedas de sonhos sombrios
Vai caminhando, perdida, a serenidade

Sei que há sol na poesia
Escondido nas entrelinhas dos versos
Mas a noite que por ora virou dia
Faz o errado se fantasiar de certo

Minha vida criou asas que batem e batem e espalham no ar o perfume eterno que me vicia.
E palavras gritam em agonia, sem medo, sem rumo mais, sem mais nada... Espreitando pela fresta da solidão anunciada à exaustão, enquanto o resumo do tempo já está escrito no espaço.
Não demora, barcos invasores atracarão e depois levarão embora os sonhos nada acariciados pela tolerância.
Enquanto isso, bem... Enquanto isso!

Renato Baptista

Direitos Reservados

06 junho 2009

Através do Tempo



Através do Tempo

Viajei no espaço
Velocidade espantosa
Encontrei uma dobra do tempo
E mergulhei nela profundo
Reverti o relógio
E entrei noutra dimensão
Encontrei-me no passado
Noutra vida
Um outro mundo
Andei pelos caminhos
Desbravei trilhas
Turbilhão de lembranças
E eu conhecia o meu destino
Como se nunca o tivesse esquecido
Corri, tropecei, arrisquei
E achei você
Você que morava ali comigo
Naquela casa bonita
De janelas azuis
Flores à porta
Demarcando a entrada
E através de uma das janelas
Eu pude ver
Eu e você
Abraçados, faces coladas
Dançávamos a música perfeita
Felizes... Inocentemente alegres
Nossos olhos fechados
Sorrisos estampados nos rostos
Eu e você
Numa comunhão que eu sabia
Atravessou existências
Naquele momento
Sem poder entrar
Percebi que eu quase
Me vi ali
Voei para longe
Saí rápido e rasteiro
Do alcance
Dos meus próprios olhos
Fui de encontro ao nosso futuro
Com a confirmação
Do que eu já sabia
Com a alegria da prova
De que nosso amor é eterno
Viajei de novo pelo espaço
Desafiando o tempo
Sem fixar na memória
Os detalhes do caminho da volta
Cheguei ao nosso tempo...
E encontrei você
Que me esperava para o jantar
Beijei seu sorriso maroto
E percebi o seu olhar de menina
Algo estranho flutuava no ar
Você me chamou
Me abraçou e andou comigo
Até o canto da sala
Ligou uma música
Aquela música...
A música perfeita
Vi seus olhos se fecharem
Vi ainda um sorriso
No canto da sua boca
Você havia me tirado
Para dançar
Lentamente...
Apertei seu corpo contra o meu
E rodei com você
No compasso da música
Naquele instante
Pela janela aberta
Lá fora no jardim florido
Eu vi um vulto
Alguém ali nos olhava
E num repente
Desapareceu por completo
Só pude ver o seu rastro de luz
Que cortava o céu
Como uma estrela ascendente
Ali, eu sabia
Começava uma outra viagem
Mais uma vez se perpetuava
O nosso futuro...

Renato Baptista

Direitos Reservados

05 junho 2009

Parafraseando

Toda a poesia que minha alma escreveu...

















































... a borracha apagou.

Steel and Glass



Steel and Glass

Aço e vidro
Metal gelado
Lascas transparentes
Que vivem
Na cidade infernal
E cortam
E sangra
A ferida aberta
Cheiro de cicuta no ar
Envenenamento
Roda-moinho
Que faz girar
A mente
Que demente agora
Se embota e esvazia
Sem permissão
Sem um nada mais
E o aço da lâmina
Vermelho de tão bravo
Se arrisca profundo
Pisando em cacos
Em lascas do vidro
Que se espalham
Abrindo cicatrizes
Rasgando a carne
Arrancando o coração
Que pelo chão manchado
Por um sangue aguado
Rasteja enlouquecido
Aguardando a fotografia
Esperando a notícia
Que a cidade esconde
E que não tardará
Virá em poesia
Em juras e entregas
Em sofismas
Figuras de linguagem
Nem sei, mas virá
Dando a certeza
De que a vida
É momento
Que passa
Para mim, para você
Para outro, enfim...

Renato Baptista

04 junho 2009

Infinita


Infinita


Solidão
cantada em versos
afaga a alma

Faz da vida
Ombros amigos
Que aumentam a ferida

E cria
aqui e acolá
semente que germina

Quando passa de improviso
à prosa, é sabido
e fatal, que logo termina

Solidão
estado de alerta
perseguido

Por poesia e gatilhos
que na sombra
esperam certeiros

Dor que se quer
traduzida em chamado
por comemoração esquecida

Faz-se solidão
breve permanência,
quem sabe...


Renato Baptista
Sem Direitos Reservados

03 junho 2009

BRINDE


Brinde
Noite fria
que cala a alma
que espera um novo dia

Noite calma
coração frio
velas acesas

Sensação de falta
que sente as lágrimas
que nuvens carregaram

Comemoração solitária
brinde sem taças
beijos vazios

Muito frio
que cala
entristece

A voz não sai
o corpo treme
como naquele dia

Fala a poesia
que aquece
sem sentido.

Renato Baptista