11 junho 2009

Entre o Tempo e o Espaço


Entre o Tempo e o Espaço

Faço da dobra do tempo
Meu tempo que já não existe
Se abraço meu doce intento
Fica apenas sombra que persiste

Acordo e vasculho lembranças
Do ontem que não veio
Procuro no ar a esperança
Faço do todo o meu certo meio

Saio da cama apressado
Querendo encontrar a vida
E acho no caminho por você selado
Minha dor escondida, minha ferida

Vou às sombras tentar resgatar
O que num dia frio se iniciou
Mas se há outro a lhe encontrar
Sinto, mas a procura terminou

Esse outro é ciúme, desalento
É caso para ser esquecido
Porque tal doído sentimento
Faz da manhã ouro perdido

E na névoa que você cria
Amargo sabor se faz verdade
E nessas alamedas de sonhos sombrios
Vai caminhando, perdida, a serenidade

Sei que há sol na poesia
Escondido nas entrelinhas dos versos
Mas a noite que por ora virou dia
Faz o errado se fantasiar de certo

Minha vida criou asas que batem e batem e espalham no ar o perfume eterno que me vicia.
E palavras gritam em agonia, sem medo, sem rumo mais, sem mais nada... Espreitando pela fresta da solidão anunciada à exaustão, enquanto o resumo do tempo já está escrito no espaço.
Não demora, barcos invasores atracarão e depois levarão embora os sonhos nada acariciados pela tolerância.
Enquanto isso, bem... Enquanto isso!

Renato Baptista

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