26 julho 2009

Apenas uma Menina



Apenas uma Menina

Menina que foi
Cheia de sonhos
Pensamento distante
No amanhã que viria

Menina que é
Doce encanto
Travessura constante
No presente selado

Menina menina
Que em mim se aninha
Dorme e sonha
Transcende serena

Menina avelã
Tatuada e distante
Primavera errante
Que sempre se anuncia

Menina que grita
Se descabela aflita
Corre e se desespera
Transbordando agonia

Sonhos de menina
Que viraram dia
Acordaram e choraram
Pelo amor que partia

Menina linda
Meiga e perversa
Como toda mulher
Como quem ama.

Renato Baptista

Direitos Reservados

Doce

Doce

Viajando sem rumo
Transgredindo o espaço
Ferindo a nota musical
Que canta sem dó

Alma aflita
Roda o mundo
Vira o mundo
Come o mundo

Pele arrepia a pele
Desnorteio e razão
Os poros se fecham
Se espremem

Porque quero teu mel
Teu cheiro doce
Teu véu
Teu sorriso...

Renato Baptista
Direitos Reservados

24 julho 2009

PALCO


Palco

Faço de ti meu teatro
Cortinas fechadas
Olhos cerrados
Pearl Jam no ar
Cigarro apagado
Como a paixão
Cinzas esparramadas
Sobre o último beijo
Que me deixou teu gosto
De despedida
Aquele no jardim, lembra?
Em noite clara de luar
Mas estou pronto
Para te ouvir
Ouvir teu choro
Beber tuas lágrimas
Em chamas
Que me queimam
Enquanto lambem meu rosto
Teu rosto

Destino... de quem ama.

Renato Baptista

Direitos Reservados


POEMINI 33


POEMINI 28


18 julho 2009

Roubaram o “Ás de Copas” do Baralho - Non Sense


Roubaram o “Ás de Copas” do Baralho - Non Sense

Eu ignoro
E vou ignorando
E de tanto ignorar
Cheguei à ignorância.

não se ignora sem saber
não se sabe sem que não se ignore
bobagem grande essa
total aberração poética é isso aqui
sem rimas e sem sentido
Sem sílabas contadas
1,2,3,4,5,6,7...
meu número de sorte está por aí
quem sabe não faço a fezinha como dizem
mas que fezinha nada...
há de se ter fezona... Fé mesmo!!!
daquelas inabaláveis
daquelas possuídas
para que tudo fique bem
sem ignorância
sem ignorar
sem que se rime
sem esperas
sem brigas
sem tortura
sem poesia
sem comentários
sem encheção antagônica
sem beijos
sem abraços

apenas e tão somente...
um sol nascente
querência
desejo
paixão
que não me larga
que não esqueço
ops, tropecei
vale uma risada
quem me dá?
hum... Você não vale
já riu muito
satisfeita?

O muro é alto desse lado
Conte aí... Grite para mim!
Como é do seu lado?
É liso ou enrugado?
Escorrega né?
É liso...
Se fosse enrugado
Tinha que por a língua para dentro
Da boca
Oca
Daquelas sem beijos
Sem mordidas ardentes
Nos beiços
Beiços não! É feio...
Lábios
Lábios carnudos
Desejados
E tão pouco inspirados
Pirados
Secos
Adormecidos
Desajeitados já
Sei lá...

Aí me perguntaram:
- Por quê você deu esse título ao poema e qual o motivo da ilustração?
Eu:
- Porque a vida é um jogo, repleto de momentos “non sense” como esse poema, que não tem nenhuma vírgula... Dá para respirar assim?
Ah! A ilustração... É porque é absolutamente normal um golfinho no deserto. Respira mas não nada... NADA!

Renato Baptista
Sem Direitos Reservados

Minha Cantiga - Inspirado em Vinícius de Moraes



Fragmento do Poema: “Cântico” de Vinicius de Moraes

Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, é a cantiga
Do amor, és luz, é lírio, namorada !
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da alegria sem fim, anjo ! Mendiga
Do triste verso meu...


Minha Cantiga

Nasceu e veio comigo
Tão doce enamorada
Canto então por meus caminhos
Tua luz brilhante
Luz que sai dos teus olhos
Quando me vês
Ternura dançante
Calor dos meus versos
Moça do peito sereno
De pele camurça
Teu beijo me eleva
Arranca-me do chão
Teu toque acaricia
Numa suave tentação
Que me desfaz em desejo
Tu não és sonho
És minha vida, meu palco
Divina musa dos versos meus.

Renato Baptista

17 julho 2009

Poesia e Desejo



Poesia e Desejo

E no coração
O pranto virou sorriso
A partida virou chegada
A agonia virou felicidade
Poemas brincam soltos no ar
E a esperança enfim virou poesia
Mais que poesia... Nasceu o desejo
Dos toques certeiros que arrancam estrofes
Com suas palavras mágicas e soberanas que falam
E repetem...O amor vira verso, o coração universo
E a alma se torna arte em reverso, virando poesia.

Renato Baptista
Direitos Reservados

Por Um Dia - Poetrix


Ciúme - Poetrix


12 julho 2009

Distância



Distância

Saudade
Saudade
Saudade...
Imagino
seus
pensamentos
agora

Coração aperta
Vem uma lágrima
Vem seu sorriso
Eu me acalmo.

Renato Baptista

Direitos Reservados

Poemini 27


10 julho 2009

Assim...

Arte Imagem - Maria Inês simões


Assim...

A vida é assim
Faz a distância com prosa
E eu te faço em poesia
Faz do fim o meio
E eu de você meu princípio
A vida é assim
Tão curta para a alegria
Tão longa nas esperas
E eu sou assim
Desse meu jeito
Que você sabe bem
Alma aguerrida
Sofrida e felina
Que vai e vem
Com doce açoite
Mas a vida conduz
E nosso tempo reduz
Sem consumismos
Sem alegorias
Sem pena
Porque a vida é assim
Escorrega pelos dedos
Por vezes
Sem que a contornemos
Sem que percebamos até
E o tempo voa
Atravessa as nuvens
Corta o rosto
Como vento gelado
Escondendo as lágrimas
Que nosso amor chorou
E o tempo voa à toa
Sem rumo, sem dó
Porque a vida é nossa
Não do céu, nem das estrelas
Nem da poesia que a contempla
Nem do transeunte passageiro
Que quem sabe nos assiste
Nem de paixão dissidente
Que esperneia por aí
Sem nem mesmo ser notada
A vida é assim...
Destra e serena
Plena e bandida
E, ou a vivemos
Ou ela voa como o tempo
Porque eu sou assim
E você é assim
Simplesmente somos
Como um princípio
Que traduz os meios
Sem que haja fim.

Porque amor, se existe, não tem fim
Porque paixão grita alto e esperneia
Porque você é minha do seu jeito
E eu sou teu assim assim...

Renato Baptista

Direitos Reservados

02 julho 2009

Traidor

Traidor

Na mais clara descompostura
Histórias chegam chocando
Como tempestade que ruge
E no silêncio insolente
Fica a decepção angustiante
Das promessas impressas
Que a lua branca testemunhou
O coração se desaponta
E a espada sai da bainha
Aguda e destemperada
Procurando o silêncio
Que na alma impera
Era fato concreto
Tal desalento anunciado
A águia pousaria
Certeira e solene
Porque procurava, esperava
O momento bandido
E que o céu aguarde o vermelho
Da explosão de delírio
Porque nada na vida fica, assim...

Renato Baptista

ANJO - POETRIX


TAÇA - POETRIX