30 outubro 2009

Conto do Canto de Uma Sereia


Um dedo de prosa não faz mal a ninguém...


Conto do Canto de Uma Sereia

Em algum ponto entre Dublin e Aracati no Ceará, reina Maria Adelaide, filha de Pai navegador Irlandês com Mãe Cearense.
Maria Adelaide era Senhora da Ilha do Bom Abrigo, rainha dos navegantes e musa dos marinheiros. Mulher das pernas lindas, quadris grandes e robustos, seios duros, maduros e empinados, um anjo que espantava a sua solidão acolhendo os viajantes que chamava com seu canto delicado e enfeitiçador. Única mulher naquele fim de mundo. Uma Deusa maquiada, endiabrada, sempre pintada para a guerra.
Um dia, engravidou de um marinheiro errante, sem pátria como ela, que nascera a bordo de um navio sem bandeira. O tempo passou e nasceu do seu ventre uma menina linda. Maria enlouqueceu. Nascera a sua sombra para a alegria dos navegadores.
A menina virou moça e não quis aquela vida... Não quis ser a Maria Adelaide dos navegantes naquela ilha. E assim, virou sereia, mergulhou no mar e sumiu.
Maria Adelaide morreu de tristeza e a ilha submergiu para sempre.
Há notícias hoje de que há uma ilha no Atlântico Norte, mas que não consta em nenhum mapa, que é muito freqüentada por marinheiros errantes.
Na praia, está em evidência uma estátua de bronze. A escultura de uma sereia. Em baixo da escultura uma placa com os dizeres : -Aqui renasceu Maria Adelaide – A Deusa dos Mares.
Dizem que seu canto se escuta ao longe até hoje, causando intempéries nos sete mares e enfeitiçando os marinheiros e navegantes.

Sereias são eternas nas nossas mentes.


Renato Baptista

29 outubro 2009

28 outubro 2009

Lua que me Sorri



Lua que me Sorri

Escrevendo, escrevendo
Caneta quase sem tinta
Lápis sem ponta
Rascunhos pelo chão
O bloco terminou
E o amor não acaba
A paixão consome
A lua sorri mas não vem
Encanta por ser encantada
Brilha como estrela que é
Faz da vida alegria
Faz do ar um perfume
Faz o coração gritar
A alma se enternecer
O sentimento cantar
A mão escrever, escrever
E a lua... vem e não vem.

Renato Baptista


E por Falar em Saudade



E por Falar em Saudade

Ai que saudade!
Saudade que vem
Saudade que vai passando
Saudade da saudade
Que vai chegando
A cada dia que passa...

É bom sentir saudade da saudade.

Renato Baptista

26 outubro 2009

Pulsando


Pulsando

E falando de paixão
Daquela que grita
Dentro da gente
Que nos faz borbulhar
De jeito indecente
Paixão é dor
Qua alucina
Dor intermitente
Que não passa
Que pulsa
Que atordoa
Paixão que vem
Nem sei de onde
E fica e não passa

O pássaro pula do ninho
E nem sabe voar
Aprende...

Renato Baptista

Fazendo...

Fazendo...

Encontros e desencontros
Do que era para ser
E o que seria, talvez
Se não fosse
Assim
Controlar o incontrolável
Como águia
Até sangrar
Auto-controle
Perseguindo o amor que basta
Sem desandar
Sem esmorecer
Sem poder se cansar
Ser ou não ser
Como fazer?
Manter-se fiel às convicções
Entrega sofrida, doída
Pisando no rodamoinho
Areia movediça
Olhando para o lado
Para cima, para baixo
Sem saber... interminável
Porque o amor é assim
Feito para ser sofrido
Vivido
Conjugado
Numa troca alucinante
Cheia de surpresas boas
Ruins, péssimas
Mas que elevam a alma
Entorpecem
Fazem dormir as mãos
Fazem doer o corpo
Todo
Fazem febre
Nesse vai e vem acelerado
Que tenta a busca da verdade
Ser ou não ser?
O tempo dirá?
Como fazer?
Faça!

Renato Baptista

20 outubro 2009

Balada da Despedida - Inspirada em Vinicius de Moraes.



Trecho da Música – “Serenata do Adeus”
Vinicius de Moraes


Ah, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora...
Ai, que amar é se ir morrendo
Pela vida afora
É refletir na lágrima
O momento breve
De uma estrela pura
Que já morreu...

Balada da Despedida

E a cada beijo teu
De despedida
Rola uma lágrima
Com aquele gosto
De desgosto bandido
Que me queima os lábios
Com sabor de adeus prematuro
O coração manda ficar
Mas o tempo e o vento
E a nossa história
Nos levam pela vida afora
Temperada pela gritante saudade
E o amor, assim
Faz-se distante e ausente
Invisível e triste
Como uma estrela
Que já morreu
Pura...

Mas o amanhã, como um grande amor, nunca morrerá.
Renato Baptista

17 outubro 2009

Dualidade



Dualidade

Engraçada a vida...
Em momento tão esperado
Por séculos, parece
Alegria mais do que imensa
Entra pela porta da frente
E beija a face com paixão
No mesmo momento
A maior das tristezas
Entra pela porta dos fundos
E trás agonia profunda

Paradoxo
Provação
Definição
Ensinamento
Paradigma
Lágrima que rola
Desilusão
Grito
Lamento
Tortura
Aprendizado
Calado.


O amor é maior que tudo, enfim... e o que ficou mesmo gravada na alma, foi a alegria do inesquecível momento.

Renato Baptista


Sonata do Eterno Aprendiz - Inspirado em Vinicius de Moraes



Poemas Inspirados em Fragmento do Poema “Sonata do Amor Perdido” de Vinicius de Moraes.
Um poema imensamente apaixonante que aí está...


Teu corpo sobre a úmida relva de esmeralda,
junto às acácias amarelas
Estavas triste e ausente – Mas dos teus seios
ia o sol se levantando
Oh, os teus seios desabrochados e palpitantes
como pássaros amorosos...

(V.M)


Sonata do Eterno Aprendiz

O botão complacente perdeu-se, escapuliu
E pela fresta honesta da blusa esvoaçante
Mirou-me o seu seio titubeante e morno
Pele branca e infinita e serena e comportada
Brinca comigo, seu eterno amante
Meu olhar estremece como eu todo
E meus lábios entumecidos e já molhados
Querem beijá-lo de tanto amor que gritam

Meu desejo escondido precipitou-se
Como que procurando a luz por uma fresta
E mostrou-se pêra-d’água aflita
Suculenta e atenta, perfeita
Oferecendo para mim tal mamilo doce
E dali, dali nasceu por mágica o sol
Do seu seio, palpitante e macio e tenro
E eu ali, de rodeio, querendo você
Que respirava por momentos um sorriso delicado
Sem o menor pudor de querer se compor.


Lamentação nº1 – Versos Mornos


Senti-me triste e ausente de repente
Incapaz e assim nem tão feliz
Porque afinal, acho que sou só um poeta
Que perdeu o tempo transformando um seio lindo
Em versos totalmente sem sabor


Lamentação nº2


Sinto a poesia pura
Poesia que escrevi de dia
Com a saudade constante
Que me trouxe a noite

Escorregam versos das nuvens
Sem as rimas melódicas
Que derreteram com o sol
E foram levadas pelas andorinhas

Melodia imortal brilhante
Que contém seus olhos tristes
São cantados em versos cálidos

E o poema anda chorando, desencontrado
Lágrimas que molham os beijos
Grafados pela pena do nosso destino.


Sustento nº1 - Entrega


Ah... Meu bem
Amor meu
Creia na minha poesia
Eu a faço para você
Nela eu canto
A minha saudade
A minha fúria
Meus desejos
Canto os seus olhos
Tristes de saudade
E meus encantos
Canto o seu sorriso
De canto de boca
E os nossos momentos
De amor
São esses meus versos
Um chamado
Onde imploro, peço
Grito por você
E eu canto
As distâncias
Nossos encontros
E desencontros
Ah... amor meu
Creia na minha poesia
Acredite em mim
Quando eu digo
Que amo você
Porque meus poemas
São todos...
São só seus
Assim como o meu coração
Desde o sempre.

Final

Habito a lua, o sol, o universo
Enquanto seu peito me confortar...

Renato Baptista

Nossos Segredos


Nossos Segredos

Chove
Chora o corpo que dói
Sua ausência não permitida
Músculos se contraem
Em convulsão acelerada
Tatuados pelo seu cheiro
Que em mim ficou, para sempre
Chove...
E a alma queima
Chuva ácida lá fora
Choro sentido por dentro
Solidão me consome
Me arrebenta

Estilhaços de corpo se espalham no vento e, voando pelo espaço, tentam chegar até você que me endoidece.

Chove
Tempo lavado
Alma temperada
Por gotas que escorrem
Contando histórias, nossas
De segredos trocados por pulsos
Que nunca, nunca mais serão esquecidos

Espero seu beijo, seu desejo, seu corpo, sua alma, seu carinho indecente, seu toque suspeito... Espero por vida.

Chove...

Renato Baptista


Feliz do homem que pode chamar uma mulher de sua... Não pelo sentimento de posse, mas por ela não querer ser de mais ninguém. – Autor desconhecido

16 outubro 2009

Poema Solitário

Poema Solitário

Fica aqui esse poema triste
Porque triste ele nasceu
E triste sempre será

Ficam aqui versos solitários
Porque nasceram na solidão
E na solidão permanecerão

Fica aqui minha nudez de alma
Que suplica sem razão
Pela lua que não vem

Que seja assim por hoje
Como foi ontem e será amanhã
Porque a rima falha e não sorri

Porque a escuridão se desfez
E todo o brilho se esconde
Nos beijos que não foram dados

Dormem meus versos solitários
Sonhando com a lua, com o sol
E acordando sem as estrelas

Simplesmente assim
Fica o poema por aqui, ao vento
Até que o tempo o apague.

Renato Baptista
Direitos Reservados

11 outubro 2009

Intróito


Intróito

Como funâmbulo insone
Caminhando de olhos abertos
Entre o ser e o não ser
Entre o esperar e o acontecer
Após surriada estonteante

Conduzo através da heurística
Minha compostura solene
Desacreditado, quem sabe
Mas ciente das virtudes
E contrário à violação da vida

Encolerizado, busco a calma
Arredio, procuro a serenidade
Encovado, tento respirar
Sem me deixar esmaecer
Sem perder meus sentidos

Réstia me conforta e busca
Colorindo meu olhar congelado
Moderando minha dor calado
Aparando os espinhos encravados
E me fazendo levitar, amar.

Renato Baptista

Tentação


Tentação

Metade
Que sozinha não basta
Fragmento da alma
Que chora
Na mais longa das esperas
Pedra fria
Que me dá gosto na boca
Salgado
Após simples toque
Metade
Que sozinha não vive
Não vibra
Desanda a cor, o sabor
O calor do beijo úmido
A delicia do olhar
Que pede
A tentação da pele
Dos toques sutis
Dos segredos trocados
Através dos fluidos
Entre contrações e pulsares
Metade que espera
Sua morada
Encaixe perfeito
Sublime...

Renato Baptista

09 outubro 2009

Homem Pássaro

Homem Pássaro

Procuro seu corpo
Que sempre aquece o meu
Misturando sua pele à minha
Rolo no chão com sua sombra
Em todos os meus momentos
Fazendo um só de nós dois
Numa busca mais do que constante
Olho à minha volta
E encontro no vento a resposta
De porque os pássaros sabem voar...

Bebo seu perfume
Sem nem mesmo pensar no tempo
Enrolo-me e embolo-me
Nos seus cabelos soltos
Que me afogam o rosto
Sinto seu hálito quente
Engolindo o meu
E me alimentando a alma
Sabendo que no vento está escrito
Porque os pássaros sabem voar...

Encanto-me com sua entrega
Com seu amor dedicado
Com sua total rendição
E devolvo ao seu desejo
Todo o meu amor maior
Que atravessa a distância
E beija a sua alma
Fazendo estremecer o seu corpo
Porque vi escrito no vento
Porque os pássaros sabem voar...

Estou embebido da sua paixão
Enfeitiçado pelos seus beijos
Precisando da sua pele na minha
Ardendo de desejo
Nessa febre convulsiva
Sonhando a cada segundo
Com seu olhar mulher
E com seus carinhos amantes
Porque já sei a resposta
De porque os pássaros sabem voar...

Procuro no espaço sua presença
E estremeço a cada imagem falsa
Desespero-me no seu encalço
Só para sentir seu cheiro de novo
Cheiro presente nas minhas lembranças
Dos momentos vividos em tantas encarnações
E tenho a certeza da sua presença
Da sua proximidade constante
Da mesma forma que sei
Porque os pássaros sabem voar...

E quando me sinto sozinho
Cubro-me com a minha saudade
Meu manto impermeável
Que em mim se enrola perfeito em companhia
Enquanto a espera é o meu consolo
E olho para o céu através da janela
Procurando no espaço por entre as estrelas
A energia que trará o vento sábio
Que me ensinou desde sempre
Porque os pássaros sabem voar...

Tudo porque sei que um dia
Esse vento me dará asas
E me ensinará a nele me sustentar
Alcançando o céu e cobrindo distâncias
Para perto de você eu chegar
E poder deitar em seu colo
Aconchegar-me em seus seios
E sentir seu carinho
Da mesma forma que fariam
Aqueles pássaros que sabem voar...


Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

Aquela Moça


Aquela Moça

Moça que, linda, caminhou
nos sentidos do meu coração.
Transbordou carinho pelo que sou
Amou-me manhosa e se fez paixão.

Sei onde anda essa moça linda
que se escondeu em seus segredos,
mas espero seu carinho ainda
enquanto beijo sua foto em relevo.

Essa moça existe e me fez o que sou
Ela persiste em meus sonhos,
me faz feliz com o que me deixou.

Hoje guarda no seu peito o meu calor
Fez-me entender o que é a tal saudade
e ainda traduzirá em poesia o seu amor.

Renato Baptista

05 outubro 2009

Balada para um amor...


Balada para um amor

Olho no espelho e vejo
Meigos olhos que me sorriem
Moradia serena e morena
Que canta com alegria plena
A mais doce melodia
Encanto suave conquista
Com brilho intenso que atordoa
Beleza sensual brilha
Fazendo do reflexo harmônico
Eterna e plena moradia
Luzes elevam palavras
E os espíritos dançam à volta
Ao som das canções que você traduz
Seu coração bate sem jeito
No compasso desse seu olhar criança
Enquanto manto azul/rosa envolve seu peito
Que suave abraça o mundo que a pertence
Magia corta o ar que se respira
E o seu feitiço se espalha brando
Envolvendo, insinuando, cativando
E trazendo para perto do seu coração
Os sonhos de amor que flutuam escondidos.


Renato Baptista

Direitos Reservados