23 fevereiro 2010

Controvérsias da Imaginação


Controvérsias da Imaginação

Espera insana, daquelas de quem ama
Que dorme comigo e me acorda, me consome
Enquanto durmo, fantasmas me sussurram
Devaneios intrínsecos que permeiam a vida
Dançam à minha volta mostrando e apontando
Pessoas e lugares que nunca vi, desconheço
E aquilo se mistura entre sonho e pensamento
E junto com a espera insana, dorme comigo a certeza
A verdade do amor que me eleva os amanhãs
Então acordo, levanto confuso, perturbado
Assombrado pelas tantas notas malignas
Tendo gravado na mente o roteiro
E a ele me entrego mesmo não querendo
E vou, caminho, tropeço na procura sem nexo
E olho não querendo ver o que está ali no mapa
É algo sem sentido, debruçado, avesso ao natural
Controvérsia da emoção abrupta e corrosiva
E ficam os porquês na mente insípida estampados
Mente que transborda ressentimento
Quando deveria cantar amor de bom dia.

Mas é tudo pesadelo meu, daqueles que torturam
Fazem perder a respiração e fazem suar
Porque o sol brilha no céu e inventa a lua
Que logo mais virá acariciar a minha espera
Trará luz incontida à noite desesperada e não quista
Que temo sem pensar, que não quero mais que exista
Porque me trará na madrugada fria
As sombras do que não existe, do que não é
Do que nunca foi, porque o amor é maior que tudo
E assim noite e dia se confundem em êxtase
Atordoando os fantasmas que me perseguem
E que cada vez mais se perdem no escuro distante
Com bocarras que gritam gritos surdos agora
Que nem mais escuto...

Renato Baptista

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16 fevereiro 2010

Um Raio de Sol

Um Raio de Sol

Manhã chuvosa, era para ser triste
Mas acordei incendiado
Com o coração na mão
Tinha atravessado o universo
Em sonho que já não era meu
Música perfeita me contou isso
Com acordes magnânimos
Que iam e vinham, ecoando
E sou um sonhador
Daqueles que coloca a mão no peito
Acredita até a última gota
Como um estúpido, talvez
Você sabe o que faço, o que sinto
Você sabe o que penso
E algo novo vem, estremece
Tudo, nada, o mundo
Meu mundo, seu mundo
E a vida se enche de cor
De raios de sol
Escondidos pela manhã cinzenta
Desse novo dia, nova manhã
E sou um sonhador
Daqueles terríveis
Que choram até, gritam
Enfrentam demônios
Desses medíocres
Que andam por aí
E vou, espada empunhada
Cheio de determinismo
Cheio de esperança
Acreditando em quimeras
Fazendo daquele nada, tudo
E vôo e sobrevôo
Sem asas, sem enxergar até
E a manhã é alegre
Dissipadas as tormentas
Dos invasores acelerados
Celerados
Que brincam de poesia vã
E não fazem parte do meu mundo
Do seu mundo
Desse mundo, enfim
Deixemos a vida acontecer
Que brilhe o sol escondido
Seus raios estão lá
Acima das nuvens
Como eu
Como o espírito legado
Protetor engajado
Na sublime missão
Que não me deixa chorar mais
Tudo sem lágrimas
Porque nada não existe
E virá outra noite
Em que precisarei de você
Que sentirei sua alma
Brindando com a minha
Como na noite em que o mundo virou
E a medalha se fundiu no meu peito
Procurando o coração
E a certeza se tatuou, assim
E o que vai dentro de mim
Nem eu sei mais
Porque sinto, penso, existo
E eu sei de você
Sinto você
Que me deixou aqui
E nunca, nunca, nunca
Nunca mais quero sentir isso
Porque as mãos estremecem
Como o corpo alucinado
Todo suado, molhado
A cada manhã, como essa
Chuvosa, linda
Em que o mundo mudou de cor
Sinto o sabor, o cheiro
A vontade, a vida
E algumas vezes mais
Nem sei se todo dia
Eu quero sentir saudade
Daquela que não passa
Que dói e avisa
Que a música perfeita me contou
Que o sonho que não era meu
É agora meu, seu
É fantasia desvestida
Jogada ao chão
Como manto sem dono
Mortalha corroída
Que não serve mais
E vira pano de chão
O chão que agora piso
Porque não sou para sempre.

Renato Baptista

08 fevereiro 2010

LUA QUE VOLTA // ETERNO RETORNO - Dueto

LUA QUE VOLTA // ETERNO RETORNO

Tantas foram as tempestades
NUVENS IMAGINÁRIAS
Até que ela pudesse voltar
OCULTA QUE ESTAVA
Lua exuberante que chega
LINDA COMO O CÉU
Flutuando sonhos
CANTANDO PAIXÃO
E em seu desmaio de luz
QUE ILUMINA A ALMA
Vem novamente
A PASSOS LARGOS
Recados entregar
SUSSURANTES
Nuvens pesadas se foram
LEVADAS PELO VENTO
Pois importância não tinham
ADORMECERAM OS SONHOS
E nossa lua permanece brilhante
PORQUE ÉS LUA E RESPLANDECES
Iluminando nosso amor
ESSE AMOR POESIA
Nossos corações cúmplices
QUE BATEM EM SINTONIA
Nossas almas amantes
QUE CANTAM CANÇÕES DE OUTRORA.

Minúsculas - Beatriz Prestes
Maiúsculas - Renato Baptista


04 fevereiro 2010

Doce Veneno - Doses de Amor


Doce Veneno...

Primeiro Ato (Poetrixes)

Sinto seu cheiro mulher
As paredes giram
Doce veneno...

Sinto seu toque divino
Eu me arrepio
Doce veneno...

Sinto seu hálito quente
Minha boca saliva
Doce veneno...

Sinto você quente por dentro
Meu corpo transpira
Doce veneno...

Sinto seu gosto de amor
Meu beijo a lambuza
Doce veneno...

Sinto sua boca úmida
Estremeço, convulsiono
Doce veneno...

Sinto sua pele macia
Que incendeia a minha
Doce veneno...

Sinto seus cabelos soltos
Que lambem o meu rosto
Doce veneno...

Sinto sua prece que me envolve
Torno-me senhor de mim
Doce veneno...

Sinto seu carinho profundo
Tenho-me vivo
Doce veneno...

Sinto seu olhar que me atravessa
Fico inteiro do avesso
Doce veneno...

Sinto sua paixão latente
Seu amor me entorpece
Doce veneno...

Segundo Ato

Sinto...
Sinto tudo o que o amor me permite
Sinto-me em chamas
Queimando em versos
E me derretendo em poesia
Transpiro emoção latente
Sinto a vida que pulsa
Como um coração

Terceiro Ato

Sinto...
Sinto poemas que brotam
Germinando na alma
E flutuando eternos
Através do tempo
Poemas que permanecerão
Além de mim
Exalando meu amor maior
Por todo o sempre
E perpetuando a minha paixão
Por você
Como um doce veneno...

Epílogo

Provei do seu néctar
Invadi seu corpo com o meu
Bebi sua poção de amor
E me submeti à sua magia
Estando agora
Envenenado por seu doce
Que me faz doente de paixão

E assim termina esse poema
Repleto de atos de amor
Que fez nascer a poesia desejo
Que imortaliza a história
Do seu doce veneno...


Renato Baptista