29 maio 2010

Transparências


Transparências

Conjecturas sobre a mesa
Ao lado uma xícara com café
O pão, sem manteiga ainda
Coceira viciosa se apresenta
Pela janela um ar fresco titubeia
O sol se espreguiça no horizonte ainda
E restos da noite se misturam ao leite
Que reluto em oferecer ao meu café
E meu banho me espera lá dentro
Educado, não me apressa
Conhece o meu tempo
Esse companheiro que se torna lento
Nessa hora absurda e esquisita
Minha roupa anda sozinha
Se apruma na cama, no cabide
Fica á espreita e quietinha
Com medo de levar bronca
Óbvio que ao cortar o pão
Caiu um pedaço no chão
E ele fica olhando para mim
Com cara de quem quer ser comido
Sorte que não tinha manteiga nele
Ia era tomar um pisão matutino
Daqueles bem dados
Caprichado e merecido
Por quem ousa incomodar a essa hora
Começo a pensar, no dia, na vida
Nas transparências, na noite que se foi
Penso no que preciso pensar
Engata o dia finalmente
Os ruídos vão sumindo
As idéias clareando
O pão ficando cheio de manteiga
Coloco leite no café e bebo um gole

Foram segundos que se passaram apenas
A vida me espera.
Conjecturas apenas...

Renato Baptista

25 maio 2010

Excitação



Excitação

tirei o teu véu

E
X
P
O
S
I
Ç
Ã
O

deslumbrante corpo macio
pele quente, febril, perfumada
_____________aveludada até

teus seios respondem de imediato
titubeiam um pouco, soltos
em fração de momento

muito surpresos e tensos, tal evidência
essa do beijo sem fim
que meus lábios anunciaram.

Renato Baptista

16 maio 2010

Dilema



Dilema

Gostaria de saber
A quem ama
_________________Quem não ama...

A quem ama quem não ama?

É vida e morte
Ao mesmo tempo?

É tempo sem medida
Sem razão, tormento?

Deve ser verbo não conjugado
É um buraco
No meio do vento
Eu acho
Acho que é um hiato
Extrato
Onipresente
Cheio de nada
É sentimento
A U S E N T E
Dor que se sofre
Diuturnamente
Que faz doença
Porque quem não A M A
Apenas atravessa a vida
Como um comensal
Displicente, inconsequente.

E nessas, o coração cai no chão
... e pisam nele, mesmo!!!

Até que sangre
E evapore desta vida tola que levam.

Gostaria de saber quem é assim!
D E F I N I T I V A M E N T E!

Depois, há dias e dias
E noites
Em que olho no espelho
Aquele embaçado, SUADO
Do vapor do banho
E tenho dó de mim
Por causa das olheiras mal dormidas
Por causa da dor, da realidade
Dos pensamentos
Porque a vida é assim, ASSIM
Ou sei lá...

E DESSE JEITO me vejo
Preso a esses versos
Que me amarram
CARREGAM-ME
Sem beira, sem eira
TRANSPORTAM-ME
Para um mundo de verdade
Real
Salvando-me
Porque queriam matar em mim
A criança
Fazer do meu sorriso franco
Algo confiscado
Desarmando a esperança
O brilho enraizado
Até fazer doer de dor doída
O coração sufocado.

Queriam me cortar os pulsos
E então me dei conta disso
A tempo, há tempo!
E sei, percebi, me conheço
Sei que no meio da vertigem
Que faz girar o mundo
Tenho ao lado o amor
O tenho por dentro
Enraizado, acumulado
Aquele amor que poucos conhecem
Que ama sem razão, sem noção
_____________________LOUCO AMOR
E por isso que não sei
E fica a dúvida cruel...
A quem ama quem não ama?

Tantas e tantas dores e cores
Tudo num mesmo plano
Tantas perguntas
Que o tempo não responde
Que a vida esconde
Enfim...
Quem somos nós?

Renato Baptista