29 maio 2010

Transparências


Transparências

Conjecturas sobre a mesa
Ao lado uma xícara com café
O pão, sem manteiga ainda
Coceira viciosa se apresenta
Pela janela um ar fresco titubeia
O sol se espreguiça no horizonte ainda
E restos da noite se misturam ao leite
Que reluto em oferecer ao meu café
E meu banho me espera lá dentro
Educado, não me apressa
Conhece o meu tempo
Esse companheiro que se torna lento
Nessa hora absurda e esquisita
Minha roupa anda sozinha
Se apruma na cama, no cabide
Fica á espreita e quietinha
Com medo de levar bronca
Óbvio que ao cortar o pão
Caiu um pedaço no chão
E ele fica olhando para mim
Com cara de quem quer ser comido
Sorte que não tinha manteiga nele
Ia era tomar um pisão matutino
Daqueles bem dados
Caprichado e merecido
Por quem ousa incomodar a essa hora
Começo a pensar, no dia, na vida
Nas transparências, na noite que se foi
Penso no que preciso pensar
Engata o dia finalmente
Os ruídos vão sumindo
As idéias clareando
O pão ficando cheio de manteiga
Coloco leite no café e bebo um gole

Foram segundos que se passaram apenas
A vida me espera.
Conjecturas apenas...

Renato Baptista

2 comentários:

Mila disse...

Bela poeisa...fui lendo e me perdi na leitura. Parabéns!
Bjs
Mila

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá meu amigo! Passando para te desejar um ótimo domingo e apreciar mais uma das tuas belas criações.

Abraços,

Furtado.