22 outubro 2010

Um feixe de luz que escapa por entre a fresta da janela quebrada.



Como as águas do rio que caminham sem pensar, lambendo o leito doce que permite essa entrega suave, aquele relâmpago fluorescente sacode o espaço, escondedor de segredos, fazendo do horizonte um cenário de desenvoltura ímpar.

Luz que me invade
E que vem do céu
Não sei
Apenas vem
E me toca
Me provoca
Me queima
Me sacode
Me envolve
E me conta
O perigoso segredo da vida e morte que o meu Deus tanto guarda...

Pedras no caminho, buracos profundos, conchas que cantam, pérolas que escapam e rolam, raios, dinamite, furacão, tormenta, tiro de guerra na terra, no mar, no ar...

Meu amor me permite
Meu amor me guarda
Meu amor é meu amor
Acima de tudo
Simplesmente indecente nas horas propícias
Doce e quente na calmaria
Envolvente enquanto me resguardo
E que me vem, e me desajusta
Me come como uma santa com fome
E daquele jeito gostoso me consome!

E volto ao meu leito para me refazer da paixão que não sai, não vai, não me deixa porque não quero, não posso, não permito... e assim me deito, dou gargalhadas, ligo um cigarro e respiro fundo como que fazendo a cura do mal aceso e vejo a noite, a madrugada, a manhã, a tarde e os monstros que se foram. Vejo os espíritos que dançam à minha volta e me contam que me protegem, me guiam e me sutentam... “Bawakawa, possé possé”.
E assim não durmo, não pestanejo, enfrento o clima, o frio, as dores que me atormentam o corpo e me sufocam e me levam ao pânico terrível que é contornado e curado quando vejo mais um feixe de luz que escapa por entre a fresta da minha janela quebrada.
Foi o relâmpago fluorescente que iluminou o tempo, o céu, o espaço e me fez lembrar das águas doces que caminham pelo leito doce do rio doce que adoçaram o meu sentido de viver... como você!

Renato Baptista

4 comentários:

*Simone Fernandes* disse...

Oi meu amigo, vim agradecer a sua ilustre visita... fiquei muito feliz!

Essa poesia está linda demais... cheia de uma especial inspiração. Parabéns!!!

Bjos,
*Simone*

Beatriz Prestes disse...

Renato
Este é um poema para ficar sem palavras...
Há caminhos que só mesmo o coração poético pode mostrar...
Há forças imperativas na alma de quem é capaz de verdadeira e pulsante poesia, que nos tomam como de surpresa...extasiando!
Para ler, reler, permitir-se nas várias notas de sabor que há neste universo poético que te habita.
Lindíssimo!
Beijo

Bea

Beatriz Prestes disse...

Ah...
Parabéns pela imagem. É belíssima!
Bea

Sonhadora disse...

Meu querido Renato
Um poema que extasia os sentidos.

Foi o relâmpago fluorescente que iluminou o tempo, o céu, o espaço e me fez lembrar das águas doces que caminham pelo leito doce do rio doce que adoçaram o meu sentido de viver... como você!

Simplesmente maravilhoso.

beijinhos
Sonhadora