31 maio 2011

A Porta Azul


A janela aberta
Perfume de insônia no ar

Meio copo d’água
O pijama ainda dobrado
Lençóis esticados
A cama vazia
Brindando a manhã

Sem sol
________________sem bom dia
E insistentemente ainda acordada

a noite se foi
e com ela a madrugada fria

Um cheiro de café requentado
Sai da cozinha
Temperando o ar
Perfumando o dia

Escuto a campainha
Caminho devagar
Quase sem vontade ainda
Chinelos trocados
Cheios de sono
Por me fazerem companhia
Olhos vermelhos
Barba crescida
Camiseta molhada
Olhar embargado

Abro a porta azul
Que solta gemidos
Range um pouco a dobradiça

Levanto o olhar esquecido
______________E vejo
... era um dos meus sonhos
Chegara!

Abandonou o sono de amor
Que sem você me abraçando apertado
Mais uma vez não veio.


Beijo meu sonho com todo o meu amor
Faço dele meu alimento, minha razão de vida
E o espero, acordado, e que abrace a minha alma
E que desarrume a minha cama, a liberte.

Fico ao lado então daquela porta
Porta azul, que solta gemidos... como você.

Renato Baptista

3 comentários:

SolBarreto disse...

Ahhh tudo o que eu queria é que meu sonho batesse assim a minha porta...e acabasse com as minhas noites insones...

Beatriz Prestes disse...

Cotidiano retratado com muita elegância...
Muito bonito
Bea

Carmem Teresa disse...

Muito interessante, Renato..Um mix de retrato do cotidiano com um toque filosófico de Nietzsche : " Precisamos acordar do sonho para perceber que existe o sonho, mas apenas para voltarmos de novo ao sonho e perceber que nada existe fora dele...

CARMEM TERESA ELIAS
( Casa da Poesia
Recanto das Letras
poesiasdecarmemteresa.blogspot.com
poesiasperfumadasdeterezamaria.blogspot.com)

Estenda meu abraço a Beatriz!!!