21 agosto 2011

O Dragão do Fogo


Fui escrever um poema
No escuro que meus olhos permitem
Abracei algumas palavras
Elas queriam fugir de mim
Voar pelo tempo
E as agarrei fortemente
Afinal, são meu sustento
Coloquei-as em sequência
Dominado-as solenemente
Como se fossem só minhas
Mas elas se misturaram
Se misturavam
E não saia nada com nada
Que versos o que?!?
Minha cabeça girava
Como as palavras incompetentes
Que me escapavam pelos dedos
Querendo me dizer
Que pertencem a outro
Que só ele as domina
Que só ele acha que pode me vencer
Me arrancar a temperança
E insistir como doido devasso
Atravessando o amor e matando a poesia
É noite, e estou cansado
Trêmulo de tanto ódio enraizado
Sem forças para mais nada
Morto-vivo frente aos meu papéis
Que não aceitam poesia profana
Talvez seja isso...
Talvez seja por isso, descobri!
Porque meus versos não saem
Para que não se misturem à raiva
Para que fujam da tempestade
E se formem, como sempre, em meio ao amor
Não sei se estou dormindo ou acordado agora
Não sei nem se sou aqui escrevendo e sentindo
Meu coração briga com a minha alma
E me sinto perdido, vencido, ultrapassado
Por momentos, talvez
Porque basta um beliscão
Um acordar e pensar
Para que a luta recomece
Procuro munição, letras
E aos poucos constituo palavras
Palavras só minhas, intocadas pelo maldito
E com elas farei minha guerra solene
Lutando contra o dragão do fogo
Até que ele morra engasgado com a sua própria poesia.

Renato Baptista

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