17 novembro 2011

As Dunas de Genipabu e a Anja Nua



Dunas se movem em dança eterna
Misturando passado e presente
Ao contrário de mim
Que ali permaneço
E abutre pousa perto
E cheio de um medo que não sinto
Nem sei se é abutre, é demônio
Aproxima-se devagar
Viu-me lá da ladeira do Sol, talvez
E o vento vibra e canta
Assobiando música aguda
E Genipabu se move em dança
Alternando os relevos de Extremoz
Enquanto estático permaneço
E do nada, vem o bico feroz
E arrisca um beijo sutil
Que me arranca lâmina de pele
Eu sangro e a dor me acorda
Assustado o bicho me olha
Desajeitado e surpreso
E eu me encho de coragem
Revivo por instantes
Enquanto o sol me queima a ferida
Como se fosse fogo do inferno
Olho nos olhos do facínora
Que me mastigava um pedaço
Como se a fome não fosse pecado
Estendi meu braço arrasado
E com a força de Oxalá
Agarrei o seu pescoço...
Eu era contente e feliz
Sonhava meu sonho predileto
Fazia amor com uma anja
Que me fez criar asas
E me chamava para os céus
Com um canto mavioso
Que se misturava ao som do vento
Que enchia de areia os meus olhos
E que me cegou por instantes
Enquanto eu acariciava suas asas brancas
Que me envolviam e me lambiam
E me faziam nunca mais querer acordar
Mas o ódio tomou conta de mim
E eu apertava minha mão como nunca
Sufocando o invasor de almas
Que me tirava lascas sem pensar
Era questão de tempo apenas
E penas voaram com o vento
Fiz da montanha de areia o seu túmulo
Mesmo sabendo que amanhã
A lápide mudaria de lugar
Renasci... amanheci
Vi o tempo, vi o mar lá de cima da duna
Vi o sol viajando em arco, vi o céu azul
E me levantei, nu, descalço, ferido
Sem um pedaço, marca de guerra
Salvo pela dor que me alucina
Vi jangadas no horizonte
Vindas de Canoa Quebrada, no Ceará
Velas brancas, lindas, içadas, alvas como a paz
Malhadas e esticadas por jorros de água
Numa delas, Iemanjá abrindo as águas
Noutra Iansã, segurando o vento e as tempestades
Em mais outra, Ogum observava
Minha vida retornando...
E as jangadas em círculo
Aprisionavam embarcação negra
Com vela negra e navegador obscuro
Que jazia em meio às toras
Era o demônio enforcado, morto
Olhos esbugalhados
Eu queria meu sonho de novo
Que me levava em viagem
Com minha anja terna
Que tinha meus beijos guardados nas asas
Curiosa sensação, paixão
Devoção, fé, entrega, submissão
E saí caminhando decidido
Pés e pernas afundando na areia
Mas tentava vencer o caminho
O vento, o sol, as dunas de Genipabu
Que guardam minhas pegadas no seu coração
Por mais que o vento as revolvam
E as mudem de lugar, pois ali, renasci
Porque senti que você me esperava
Em algum lugar desse mundo
E eu não podia me entregar
Parar minha procura
Você minha anja da areia
Flor da minha vida
Minha sereia...
E assim, segui meu caminho guardando até hoje esse o segredo que me contou a minha anja das asas brancas, aliás, acho que ela era você. Você que me veio e que me queria de volta, para estar sentado ao seu lado, ali, abraçada comigo à sombra do cajueiro de Pirangi ou quem sabe para vivermos o sonho de vermos os golfinhos sorrindo na Barra de Tabatinga.
Não sei o que seria o seu sonho, mas vivi o meu, senti você em cada poro e firmei minhas certezas... certeza de que meus sonhos são seus sonhos, e hoje vivemos felizes, felizes como gargalhadas.

Renato Baptista

10 novembro 2011

A História dos Poeminis

Convido-os a conhecer o início da história dos Poeminis em um blog diferente...
Você escolhe o formato da home page na barra superior.
Clicando no Poemini 01 você poderá saber as regras do formato literário.

Visite e dê a sua opinião.

Renato Baptista

07 novembro 2011

Vida e Morte da Bailarina do Tempo


Bailarina do tempo
Abre o compasso
Se desfaz no palco
Dançando a música da alma, aos poucos

Frenética se alucina e gira
Sapatilha de ponta
Que fere o destino
Anuncia “gran finale”

E a melodia não pára
O suor escorre e as pernas doem
Os pés sangram
A mente se embota

É a vida que não perdoa
É a platéia que grita
E com aplausos incessantes
Induzem a continuação

A bailarina do tempo está atordoada
Seu amor não veio e nem disse adeus
Apenas ela sabe a dor da dança que protagoniza
E ela agoniza, exausta, músculos em cãimbras

A arte vira vida e morte
O palco não acaba, é imenso
A dança não termina, como o tempo
E as lágrimas brotam no rosto da dançarina da vida

Acordes soam alto
Tons estridentes aguçam os ouvidos
Arrepia a pele a lembrança do Cisne Negro
E o público sorri em devaneio

Arte por arte
Música por música
Dança por dança
E a bailarina chora a dança que ela não pôde terminar.

Renato Baptista

02 novembro 2011

Entrega

Acho que Vale a Pena...

Quer ler algo interessante sobre "Receitas Literárias"? Ops!... "Receitas Culinárias"?... abra esse link aqui e divirta-se: Escrevendo Com Arte

Abraços* a todos...

Renato Baptista