07 novembro 2011

Vida e Morte da Bailarina do Tempo


Bailarina do tempo
Abre o compasso
Se desfaz no palco
Dançando a música da alma, aos poucos

Frenética se alucina e gira
Sapatilha de ponta
Que fere o destino
Anuncia “gran finale”

E a melodia não pára
O suor escorre e as pernas doem
Os pés sangram
A mente se embota

É a vida que não perdoa
É a platéia que grita
E com aplausos incessantes
Induzem a continuação

A bailarina do tempo está atordoada
Seu amor não veio e nem disse adeus
Apenas ela sabe a dor da dança que protagoniza
E ela agoniza, exausta, músculos em cãimbras

A arte vira vida e morte
O palco não acaba, é imenso
A dança não termina, como o tempo
E as lágrimas brotam no rosto da dançarina da vida

Acordes soam alto
Tons estridentes aguçam os ouvidos
Arrepia a pele a lembrança do Cisne Negro
E o público sorri em devaneio

Arte por arte
Música por música
Dança por dança
E a bailarina chora a dança que ela não pôde terminar.

Renato Baptista

4 comentários:

a menina que ainda dança disse...

Nossa Renato, essa sou, adivinhou menino.
.
.
.
Abraços dançantes!

a menina que ainda dança disse...

Posso postá-lo em meu blog?

Ricardo Miñana disse...

Muy bonito el poema Renato,
tienes un bello espacio.
que tengas una buena semana.
un abrazo.

Vôgaluz disse...

Maravilhoso poema. "... dança que protagoniza e ela agoniza, exausta, músculos em cãimbras". Parabéns, Renato. Abraços. Vôgaluz