29 outubro 2012

Vida Bandida




 Ah, essa dor tamanha
Eu já me desconheço e nem sei
Nem sei se é o cansaço que me leva
Que me chama e entorpece, um dilema
E me esconde o limite entre o resistir e o desistir

Ah, essa constância diuturna que me ceifa o sorriso
E faz meus lábios tremerem e absorverem o choro
Que trás brilho à minha íris lavada e sem cor
E eu acordo e durmo, entregue ao impulso inconsciente
E me transformo em tempo, intocável
Invisível e fatal e inodoro e insípido
Ah, a vida, vida bandida, desígnio de Deus

Espera... eu aqui transtornado tentando entender a ordem natural das coisas como se não soubesse...

Mas a dor volta, doída e enfurecida porque ousei resistir
Vou enganá-la. Desisto!!!
Brilha o sol e a lua adorna o azul/negro da noite
Essa que me leva a pensar enquanto repouso... de tanta dor
Brinco no balanço olhando para cima
Para onde imagino alcançar
E forço o movimento
Empurrando as pernas para cima
Mas sem largar a mão da corrente
Que me prende ao chão, próximo

Eu me desnorteio.

Não sei enganar nem a dor, pífio!

Desistir ou resistir? Responda por mim e me avise um dia, eu espero
Espero aqui ou lá, depois das nuvens
Porque sou o tempo agora
Sem sabor, sem cor, sem nada... sem nada demais.

Por onde vão as flores que não te dei?
Quer uma tragada do meu cigarro?
Repouse seu pé em cima do meu!
Deus, estou sonhando em poesia
Dormindo acordado
Embalado pela dor que me alucina...

Renato Baptista

3 comentários:

Alf... disse...

A vida bandida é recheada de sentimentos controversos, de dores em meio a sorrisos e de realidades ilusórias. Você descreveu perfeitamento os tormentos da alma.

Silviah Carvalho disse...

Tudo é poesia, findam-se as palavras humanas nas mãos de um eximio poeta.
Perfeito.

Sueli Rodrigues disse...

Olá Renato, sou a Sueli Simão, você escreve divinamente. Sua poesia é um encanto. Sempre que possível passarei por aqui, pra postar um comentário e meu apreço pelos seus versos.
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