28 março 2014

"Despoesia"


“Despoesia”

Procuro minha sensatez
No brilho intenso da saudade
Que habita meu peito, minha vida
Canto esse meu canto distante
Choro pelos cantos
Esvazio meus versos
Que nem são mais versos
São emboladas palavras
E desfaço poesia
Derretendo sentimentos
Como asas de cera
Que desaparecem
No calor das distâncias
E nem voo mais
Não vivo, sobrevivo
Acariciando minhas dores eternas
Sóbrias, imaculadas, persistentes
Dores que são minhas
Adotadas com sobrenome e tudo
E sem rimas flutuo
Dia após dia, noite após noite
Como um cavaleiro das trevas solitário
Que tem medo do sol
Que se foi, se apagou
Ah, coração castigado
Sem sonhos
Sem vida
Que bate sangue ferido
E assim sigo, não persigo
Bebo aos goles
As sombras geladas
Dos momentos que virão
Uma por vez
Tentando não desistir
E de vez em quando
Dá aquela vontade danada
De fazer poesia
Tropeço, vadio, claudico
E só sai “despoesia”
Sem nexo, sem sentido
Sem calor, sem amor nos versos
Sem calor nas linhas
Sem rimas nem nada mais
O que resta é a saudade
Aquela que fere, machuca
Porque a vida se vai
E ela é o amor que fica

Nem sempre a poesia é justa
Nem sempre poesia brilha
Como brilha a saudade
Nem sempre a poesia tem amanhã
Como eu...

Renato Baptista