28 março 2014

"Despoesia"


“Despoesia”

Procuro minha sensatez
No brilho intenso da saudade
Que habita meu peito, minha vida
Canto esse meu canto distante
Choro pelos cantos
Esvazio meus versos
Que nem são mais versos
São emboladas palavras
E desfaço poesia
Derretendo sentimentos
Como asas de cera
Que desaparecem
No calor das distâncias
E nem voo mais
Não vivo, sobrevivo
Acariciando minhas dores eternas
Sóbrias, imaculadas, persistentes
Dores que são minhas
Adotadas com sobrenome e tudo
E sem rimas flutuo
Dia após dia, noite após noite
Como um cavaleiro das trevas solitário
Que tem medo do sol
Que se foi, se apagou
Ah, coração castigado
Sem sonhos
Sem vida
Que bate sangue ferido
E assim sigo, não persigo
Bebo aos goles
As sombras geladas
Dos momentos que virão
Uma por vez
Tentando não desistir
E de vez em quando
Dá aquela vontade danada
De fazer poesia
Tropeço, vadio, claudico
E só sai “despoesia”
Sem nexo, sem sentido
Sem calor, sem amor nos versos
Sem calor nas linhas
Sem rimas nem nada mais
O que resta é a saudade
Aquela que fere, machuca
Porque a vida se vai
E ela é o amor que fica

Nem sempre a poesia é justa
Nem sempre poesia brilha
Como brilha a saudade
Nem sempre a poesia tem amanhã
Como eu...

Renato Baptista

7 comentários:

Pesquisadora Nilza Cantoni disse...

O Edital e a Ficha de Inscrição para o 23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos estão disponíveis neste endereço: http://tinyurl.com/owqsjqf


Academia Leopoldinense de Letras e Artes
www.academialeopoldinense.net

Academia Leopoldinense de Letras e Artes disse...

Academia Leopoldinense de Letras e Artes

academialeopoldinense@gmail.com

Programa das homenagens pelo Centenário de Morte de Augusto dos Anjos:
http://zip.net/btpdYJ

Veronica de Nazareth Noica disse...

Renato, meu sempre
Amigo-Irmão-Camarada...

quanta Saudade também, como dizes em "Despoesia". Pois é, também eu, ando bem
"despoetisada", mas o coração lembra e gruda em vocês, amigos de tantos anos, com tantas partilhas e vivências.
Saudade, saudade! Há momentos em que a poesia vem...acomoda-se e fica, à vontade, num pensamento e coração no ninho. Voa, plana e aguarda...que n'algum dia ainda vivamos novas histórias.
Grande abraço e Beijo de Luz.
Da sempre e para sempre amiga
Veronica de Nazareth-Noic@, matando um pouco da saudade dos teus versos-vida latente.
Veronica de Nazareth-Noic@

José María Souza Costa disse...

Olá
Passei por aqui lendo, e, em visita ao seu blog.
Eu também tenho um, só que muito simples.
Estou lhe convidando a visitar-me, e, se possível seguirmos juntos por eles, e, com eles. Sempre gostei de escrever, expor as minhas idéias e compartilhar com as pessoas, independente da classe Social, do Credo Religioso, da Opção Sexual, ou, da Etnia.
Para mim, o que vai interessar é o nosso intercâmbio de idéias, e, de pensamentos.
Estou lá, no meu Espaço Simplório, esperando por você.
E, eu, já estou Seguindo o seu blog.
Força, Paz, Amizade e Alegria
Para você, um abraço do Brasil.
www.josemariacosta.com

Sebastiana Sodre disse...

AMIGO Renato, que saudades de você procurei tanto meu amigo você sabe que ainda não sei mexer muito em computador, sabe minha filha fernanda como sempre minha luz que te achou meu amigo ,sabe fiquei muito triste ao terminar a casa da poesia chorei por que foi com você que conseguir ser eu , depois de muito tempo achei Luiz Mário broís que me endicou outra casa mais todos lá também me receberam com muitas alegrias, mais voce^quem me tirou do baú da escuridão da alma, meu amigo que saudades de tudo da casa meus amigos volta! volta!agora sou sua seguidora, com meus olhos em lágrimas que te escrevo ,obrigado por ajudar renovar minha verdadeira identidade meu eu, tudo agradeço a você um forte abraço da sua amiga de sempre meu face book e anasonhadora58@hotmail,com milhoes de abraços éeeeeeeeeeeeeeeeee te acheiiiiiiiiiiiibeijos

Sebastiana Sodre disse...

meu grande poeta Renato Batista seu blog e lindo estou feliz abraços amigo irmão para sempre

Anilda Conceição disse...

..."E de vez em quando
Dá aquela vontade danada
De fazer poesia
Tropeço, vadio, claudico
E só sai “despoesia”
Sem nexo, sem sentido
Sem calor, sem amor nos versos
Sem calor nas linhas
Sem rimas nem nada mais
O que resta é a saudade
Aquela que fere, machuca
Porque a vida se vai
E ela é o amor que fica"

Belíssimo!!!!