26 maio 2015

Clave de Chuva...


Clave de Chuva...

Guardada a sete chaves... oito talvez, bem por ali, distante
Com aquele ar de quem olha no espelho e vira e se revira
E pisca para suas bocas feitas e olhos de esmeralda, lindos
Desprovidas de vergonha, claro... porque a porta está fechada
Calça jeans no cabide, passadinha. E a blusinha, ah, aquela uma
Escolha a sandália, aquela que mostra os pés, salto bem alto
Para eu não tirá-la quando for borrar a sua maquiagem.
E eu aqui fingindo que não estão me vendo, ditando melodia, poesia
E torcendo para que os olhos do meu bem se desvie para mim
Mas tudo bem também, meu bem... esses seus olhos são só meus
Só eu, apenas eu, que eu sei, os fazem chorar de se lambuzar... será?
Mas sabe, é só para vê-la retocando a maquiagem, aquela que borrei
Lembra? Naquele momento que nem conto aqui, finjo que não sei.
Ei você aí. Ei você, olhe para mim... pode olhar agora
Eu só fingi que fui embora, estou inteiro ainda, com sombra e tudo
Busque lá o espelho, aquele maldito que nos engorda... rs
Conte para ele a nossa história. Reflexo que brilha como estrela
E não se esconda e não me perca, procure-me. Você me acha
E quando me achar, beije-me com o seu beijo que vai me deixar mudo, surdo, louco, alucinado, perplexo... eu sei.
Ah! E pode ser no meio da sala, no quarto, na cozinha, no chão, na rua, no céu ou no mar...
Pode ser escalando paredes, essas já cortadas, cheias de unhadas nossas, torço para isso.
Quero dormir e acordar em você, travesseiro (aquele) babado, lençol revirado e amarrotado, rasgado.
Tudo por ali jogado, meio que largado por nós dois... durante e depois.
Eu sempre tive vontade de ter uma mania terrível de desmanchá-la toda, sabia?! E você pensava que eu nem existia.

E o poeta disse: Nos fios tensos da pauta de metal as andorinhas gritam por falta de uma clave de Sol.

E eu fico aqui pensando... Por que clave de sol? Quando escuto aquela nossa música que canta a sua ausência, meus olhos fazem chover e eu fico encharcado de lágrimas que nunca secam... são inesquecíveis. Como você, minha clave de chuva...


Renato Baptista

3 comentários:

ASAS disse...

Mto lindo.

Alla Leopoldina disse...

Edital do XXIV Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos está disponível em http://zip.net/btrpBf
Solicitamos o obséquio de dar ampla divulgação.
www.academialeopoldinense.net

Anilda Conceição disse...

Infinitamente,maravilhoso!Parabéns,Renato!



Anilda Neves